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Enfermeira do DF morre em Portugal na lua de mel; anafilaxia pode matar em minutos

Amanda Marinho Nascimento, 29 anos, tinha alergia a camarão desde a infância e passou mal em Leiria. Especialistas explicam por que o contato com frutos do mar pode ser fatal.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Prato de frutos do mar servido em Nazaré, Portugal. Imagem ilustrativa.
Foto: Trishhhh / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A enfermeira Amanda Marinho Nascimento, de 29 anos, morreu na quarta-feira (21), em Portugal, durante a lua de mel. Ela passou mal depois de consumir frutos do mar em Leiria, e a suspeita é de reação alérgica com complicações respiratórias e parada cardiorrespiratória. A causa da morte não foi confirmada oficialmente.

O caso serve de alerta para qualquer mesa, do Litoral gaúcho à Serra. A anafilaxia é a reação alérgica mais grave e pode ser fatal se a pessoa não receber adrenalina de imediato. Em questão de minutos, o paciente pode evoluir para a morte.

Almoço em Leiria, sintomas duas horas depois

Moradora de Ceilândia, no Distrito Federal, Amanda atuava na UTI do Hospital Mantevida, em Taguatinga. Ela havia se casado em 10 de outubro, e o casal tinha retorno ao Brasil previsto para esta sexta-feira (23).

Segundo o marido, Tiago Nascimento, Amanda passou mal depois de almoçar num restaurante de Leiria. Ela provou lula empanada achando que era peixe. Familiares relatam que ela tinha alergia a camarão desde a infância.

Ela sentiu um leve desconforto na garganta, que passou depois de beber água. Sem medicação antialérgica à mão, o casal seguiu o passeio. Cerca de duas horas depois, o quadro se agravou: surgiram manchas na pele, inchaço e dificuldade para respirar.

Amanda recebeu os primeiros atendimentos em Leiria e foi transferida para o Hospital Universitário de Coimbra, onde morreu. Não foi divulgado se ela recebeu adrenalina antes da transferência.

Quantidade mínima e contato cruzado também oferecem risco

A alergista Ariana Yang, coordenadora dos ambulatórios de Alergia Alimentar do Hospital das Clínicas da USP, explica que pessoas muito sensíveis podem ter reação grave com quantidades pequenas do alérgeno. O contato cruzado também oferece risco: é quando um alimento "seguro" é feito na mesma chapa, no mesmo óleo ou com os mesmos utensílios de um prato com camarão.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) também alerta que mesmo uma pequena quantidade do alimento pode provocar reações graves. Segundo a entidade, os sintomas começam de poucos minutos a cerca de duas horas depois da ingestão, e a maioria aparece nos primeiros 30 minutos.

Os primeiros sinais podem se confundir com uma alergia leve, como coceira na pele e tosse. Yang afirma que não existe intervalo seguro para esperar a melhora espontânea diante de sinais de anafilaxia. Segundo a ASBAI, asma não controlada, histórico de anafilaxia e demora na adrenalina aumentam o risco de reação grave ou fatal.

Consulado e família

O Ministério das Relações Exteriores informou que está à disposição para prestar assistência aos familiares por meio do Consulado-Geral do Brasil no Porto. A família organizou uma mobilização para custear o traslado do corpo ao Brasil. O Hospital Mantevida divulgou nota de pesar em que descreveu.

Serviço: o que fazer diante de sinais de anafilaxia

A anafilaxia deve ser suspeitada quando os sintomas atingem vários órgãos ao mesmo tempo, como pele, respiração e circulação. Entre os sinais estão coceira, vermelhidão, placas e inchaço, falta de ar, chiado, tosse, sensação de garganta fechando, tontura e desmaio. A orientação da ASBAI é ligar para o SAMU, pelo 192, enquanto já se inicia o atendimento. Quem tem prescrição de adrenalina autoinjetável deve usá-la aos primeiros sinais.

Perguntas frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia?

Coceira e vermelhidão, placas e inchaço, falta de ar, chiado, tosse, sensação de garganta fechando, tontura e desmaio; a orientação é ligar para o SAMU pelo 192.

Quanto tempo leva para os sintomas de anafilaxia aparecerem?

Segundo a ASBAI, de poucos minutos a cerca de duas horas após a ingestão, e a maioria aparece nos primeiros 30 minutos.

O que fazer diante de suspeita de anafilaxia?

Ligar para o SAMU pelo 192 e usar adrenalina autoinjetável, se houver prescrição, aos primeiros sinais.

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