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Em júri em Soledade, testemunha diz que filho levou a polícia ao corpo de Paula Perin Portes

Eliane Ferreira Moreira citou quatro nomes que o filho, Neguinho, teria apontado como responsáveis; ele morreu em clínica de reabilitação sem ser denunciado.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A weathered wooden gavel resting on a stack of closed
Ilustração: Bairrista

Em júri em Soledade, testemunha diz que filho levou a polícia ao corpo de Paula Perin Portes

Uma testemunha de acusação contou ao júri de Soledade, no Norte do RS, que o filho dela levou a polícia ao local onde Paula Perin Portes estava enterrada. O depoimento de Eliane Ferreira Moreira ocorreu nesta quarta (21), segundo dia do julgamento dos quatro réus pela morte da jovem de 18 anos.

Quem decide o caso são sete jurados, que ainda precisam ouvir os debates entre acusação e defesa. O júri começou na terça (20) e pode se estender até sexta (23). Até lá, o relato de Eliane é só um dos depoimentos que os jurados vão pesar, e nenhum réu foi condenado ou absolvido.

O que Eliane contou aos jurados

Segundo ela, o filho, conhecido como Neguinho ou Neguinho Sabão, afirmou saber onde a jovem estava enterrada e acompanhou a polícia até o local. Durante a escavação, um policial começou a cavar, mas Neguinho teria interrompido e dito: "deixa que eu vou, senão tu vai dar no meio dela". Eliane afirmou que ficou nas proximidades e acompanhou os trabalhos até o fim.

A testemunha disse ter visto carvão no local, o que indicaria que houve fogo, apesar da chuva registrada naquela noite. Ainda segundo ela, Neguinho contou que as unhas de Paula foram cortadas porque havia pele sob elas.

Questionada sobre o que o filho teria dito a respeito dos responsáveis pela morte, Eliane citou quatro nomes: Bar, Boris, Micael e João. Ela também relatou a prisão de Dionatam, conhecido como "Bah", em sua residência.

Neguinho morreu depois, enquanto estava internado em uma clínica de reabilitação, e não chegou a ser denunciado. Henrique, outro nome citado na investigação, respondeu separadamente por ocultação de cadáver.

Quem está no banco dos réus

Gesriel da Cunha Wedy, Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino Abegg dos Santos são julgados por homicídio qualificado. A denúncia aponta três qualificadoras: asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa. Um dos réus também responde por ocultação de cadáver.

Segundo o Ministério Público do RS (MPRS), Paula desapareceu após sair para encontrar um dos acusados, com quem mantinha amizade. A denúncia aponta que ela foi morta por asfixia e teve o corpo ocultado em uma área rural. O cadáver foi encontrado em 16 de agosto de 2020, cerca de dois meses depois. Para a acusação, o motivo foi o medo de que Paula contasse o que sabia sobre agressões a uma amiga, ex-companheira de um dos réus.

O advogado Manoel Castanheira defende Dionatan Portella da Silva. No início do júri, ele disse que pretende usar o conjunto de provas dos seis anos de processo para mostrar que o cliente não teve participação na morte.

Júri saiu depois de três adiamentos

O julgamento é conduzido pelo juiz José Pedro Guimarães, com acusação do promotor de Justiça Marcos Paulo Freza. A sessão marcada para abril foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O pedido partiu do MPRS, que viu risco de nulidade na produção de provas testemunhais. O mérito do recurso ainda aguarda análise da Sexta Turma do tribunal.

Na abertura do júri, as defesas pediram que o MPRS e as assistências de acusação perdessem o direito de produzir prova testemunhal. Alegaram descumprimento de prazos para ajustar a lista de testemunhas. O juiz decidiu sobre as questões processuais ainda na manhã de terça. Estão previstos depoimentos de 18 testemunhas de acusação e defesa.

O MPRS e as defesas não detalharam, até a publicação, como o depoimento de Eliane será usado nos debates. O número do processo não consta nas informações divulgadas.

Serviço: o Tribunal do Júri da Comarca de Soledade segue na Câmara de Vereadores do município, com previsão de se estender até sexta-feira (23). Depois dos depoimentos vêm os debates entre acusação e defesa e a decisão dos sete jurados.

Perguntas frequentes

Quando termina o júri de Soledade?

O julgamento pode se estender até sexta-feira (23), com depoimentos, debates entre acusação e defesa e decisão dos sete jurados.

Quantos réus são julgados no caso Paula Perin Portes?

Quatro réus respondem por homicídio qualificado: Gesriel da Cunha Wedy, Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino Abegg dos Santos.

Onde o tribunal do júri funciona em Soledade?

O Tribunal do Júri da Comarca de Soledade funciona na Câmara de Vereadores do município.

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