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El Niño forte põe R$ 33 bi da soja em risco no país; Serasa vê RS com safra maior

Estudo projeta 17,6 milhões de toneladas a menos no Brasil em 2026/27, mas aponta o Rio Grande do Sul entre os estados que poderiam ganhar com o fenômeno.

Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Lavoura de soja em desenvolvimento. (Arquivo Bairrista)
Foto: Tiago Fioreze / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um El Niño forte pode reduzir a safra brasileira de soja 2026/27 em 17,6 milhões de toneladas, ou 9,7%, segundo levantamento da Serasa Experian, divulgado nesta terça (27). A diferença corresponde a um valor bruto da produção potencialmente impactado de cerca de R$ 33 bilhões.

O Rio Grande do Sul aparece como exceção no estudo. Pelas projeções da Serasa, a produção gaúcha poderia aumentar 5,5 milhões de toneladas no cenário de El Niño forte, com o estado se beneficiando das chuvas. A Emater/RS-Ascar estima para o estado uma produção de 21.151.135 toneladas na safra 2026/27.

R$ 33 bilhões é dimensão de risco, não prejuízo

A Serasa trata o número como exercício de dimensionamento. A empresa ressalta que não se trata de previsão de perda financeira efetiva. O cálculo usa preço médio de cerca de R$ 1,88 mil por tonelada, aplicado à diferença de produção entre os cenários. Uma oferta nacional menor também pode influenciar os preços e as condições de comercialização, o que altera o resultado para produtores e demais agentes da cadeia.

Os dois cenários somam números diferentes de produção. A colheita chegaria a 163,6 milhões de toneladas com El Niño forte, contra 181,2 milhões em clima neutro. Para montar o estudo, a Serasa combinou mapeamentos de áreas agrícolas por satélite com dados estaduais de produtividade da Conab. Segundo a gerente de inteligência de dados agro da empresa, Sabrina Muñoz, o objetivo é dimensionar o risco produtivo de um cenário climático adverso, sem antecipar o resultado da safra.

Centro-Oeste concentra as perdas

Mato Grosso poderia perder 9,7 milhões de toneladas, e Goiás, 4 milhões. O estudo também aponta queda de produtividade no Paraná, em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão. No cenário mais desfavorável, 13 estados teriam recuo no rendimento e outros quatro poderiam ter ganhos modestos.

A projeção considera alta de 1,8% na área plantada, ou 900 mil hectares a mais, chegando a 49,9 milhões de hectares. "Uma lavoura maior não necessariamente significa uma safra melhor", afirmou o gerente de geoprocessamento da Serasa Experian, Daniel de Oliveira.

Plantio gaúcho segue lento por excesso de chuva

No campo, o problema gaúcho hoje é o contrário da seca. A semeadura da soja alcançou 3% dos 6.645.384 hectares previstos no estado, segundo a Emater/RS-Ascar. O boletim divulgado na quinta (22) mostra o percentual abaixo da média histórica de 5% para o período.

A elevada umidade do solo e as chuvas frequentes reduzem as condições para a entrada de máquinas nas lavouras. Baixas temperaturas e pouca radiação solar também retardaram o desenvolvimento das primeiras áreas semeadas. Nas áreas implantadas antecipadamente, as chuvas volumosas prejudicaram a emergência das plantas, mas os estandes seguem satisfatórios em geral.

A janela de semeadura no estado se estende até janeiro. A Emater/RS-Ascar divulga relatório semanal, às quintas-feiras, com a atualização da semeadura gaúcha. O órgão projeta 6,64 milhões de hectares de soja no estado, com produtividade de 3.183 quilos por hectare.

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