Conselho Oleícola Internacional visita Bagé e Canguçu e discute adesão do Brasil
Missão de 12 a 20 de outubro, a terceira seguida no país, também tratou da fiscalização de azeites importados rotulados como extravirgens.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

A missão do Conselho Oleícola Internacional (COI) percorreu propriedades nas regiões de Bagé e Canguçu, onde representantes do organismo conheceram pomares, lagares e os sistemas de produção dos olivicultores. As atividades ocorreram entre 12 e 20 de outubro, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Para o produtor gaúcho, a conversa tocou em dois pontos práticos: a oscilação do volume colhido de uma safra para outra e a concorrência com azeites importados. A adesão do Brasil ao COI também entrou na pauta e é considerada pelo Ibraoliva em fase final.
Oscilação entre safras preocupa o setor
Para o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o contato com os representantes internacionais permitiu apresentar os avanços da produção nacional e discutir dificuldades que ainda precisam ser superadas. Entre elas está a oscilação do volume produzido entre as safras, que interfere na capacidade de abastecimento do mercado.
Segundo Obino Filho, os produtores brasileiros priorizam o azeite extravirgem, embora a produção nacional ainda seja menor que a dos países tradicionais do setor.
Rótulo de importado entra na mira
O Ibraoliva afirma que trabalha com o Mapa para ampliar o controle sobre azeites vendidos como extravirgens que, segundo a entidade, não atendem aos critérios dessa categoria. O tema inclui a classificação dos importados e a correspondência entre o rótulo e as características do produto. O mercado brasileiro figura entre os maiores importadores globais de azeite.
A formação de analistas sensoriais fez parte da programação. Esses técnicos poderão integrar painéis de análise, que avaliam as características dos azeites e contribuem para sua classificação. Segundo Obino Filho, o país precisa desses profissionais para definir se o azeite é extravirgem ou virgem e avaliar sua qualidade.
Adesão permitiria ao Brasil ter voz no COI
Conforme o presidente do Ibraoliva, produtores e Ministério da Agricultura atuam em conjunto para tornar possível a adesão, que permitiria ao país participar das discussões internacionais sobre o mercado de azeites.
A visita dá continuidade a um trabalho iniciado em 2024, depois de o organismo definir o Brasil como um dos países estratégicos para a promoção do consumo de azeite em 2023. Obino Filho disse que as ações previstas para o período de 2024 a 2027 acompanham o crescimento do interesse pelo mercado brasileiro. "Estamos no terceiro ano de ações conjuntas", afirmou.
A programação deste ano também incluiu encontros com produtores em Porto Alegre e Bagé e atividades de formação em análise sensorial. A agenda do conselho no Brasil prevê ainda ações com profissionais de restaurantes e representantes do varejo no Rio de Janeiro.
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