Condutores do Samu protestam em Porto Alegre contra demissão de dois dirigentes sindicais
Sindicaers pede reintegração dos dois dispensados por empresa terceirizada, e o TRT4 cobrou explicações da prefeitura; a Saúde diz que o serviço funciona normalmente.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Condutores de ambulância ligados ao Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado do Rio Grande do Sul (Sindicaers) fizeram um ato pacífico na manhã desta sexta (23), em frente à sede do Samu, na avenida Ipiranga, em Porto Alegre. Eles pedem a reintegração de dois colegas, também dirigentes sindicais, demitidos pela empresa terceirizada que fornece os motoristas ao serviço.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirmou que a manifestação não interfere no atendimento. Segundo a pasta, o Samu segue funcionando normalmente para urgências e emergências na Capital. Quem precisa de socorro não deve ter mudança no serviço por causa do protesto.
Sindicato liga demissões a reportagem sobre a crise
O presidente do Sindicaers, João Carlos Brum, disse que o episódio começou depois de uma reportagem recente sobre a crise do Samu na Capital. Segundo ele, o texto apontou os condutores como parte da responsabilidade pela demora nos atendimentos.
Os dois dirigentes procuraram a diretoria da empresa para esclarecer a situação, por causa do vínculo com o sindicato. Conforme Brum, foram dispensados na hora. "A prefeitura precisa olhar para este lado", afirmou o presidente, que defende que um serviço de urgência não pode depender só de terceirizados.
Um dos demitidos, Júlio Cesar Silva, participou do ato. Ele disse que os dirigentes têm estabilidade por causa do mandato sindical e que a dispensa foi represália à busca por valorização da categoria. Silva afirmou ainda que os terceirizados recebem cerca de R$ 2 mil por mês e que os servidores concursados ganhariam três vezes mais. Ele também citou vale-alimentação inadequado e demissões seguidas de recontratações a cada troca da empresa licitada.
Prefeitura diz estar aberta ao diálogo
A SMS respondeu em nota que "mantém-se aberta ao diálogo e à escuta das reivindicações". O texto não trata diretamente das demissões. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) pediu explicações à prefeitura sobre as dispensas, e o processo está em andamento.
Representantes do Sindisaúde-RS e da Associação Gaúcha dos Trabalhadores em Saúde (AGTS) acompanharam o ato, com faixas e distribuição de panfletos.
A crise por trás do protesto
Os motoristas do Samu de Porto Alegre estão no centro de uma série de reportagens sobre ambulâncias paradas e esperas longas por socorro. Segundo uma delas, a terceirizada que fornece os motoristas é a Gerir Hospitalar, que recebe da prefeitura mais de R$ 4 milhões por ano. Depois de saber da reportagem, a prefeitura abriu processo administrativo contra a empresa.
A SMS não informou se pretende pedir a reintegração dos dois dirigentes.
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