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Com 90% do Orçamento de 2027 já comprometido, promessas de Lula e Flávio exigem cortes

Para o economista Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, qualquer novo programa ou ampliação de benefício teria de ser bancado com corte em outras áreas.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, órgão responsável pela elaboração do Orçamento federal.
Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O peso das despesas obrigatórias no Orçamento federal deixa pouco espaço para as promessas dos dois candidatos no segundo turno. A avaliação é do economista Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, em entrevista ao g1 publicada neste sábado (24). Segundo ele, novos programas ou a ampliação dos que já existem só caberiam com cortes em outras áreas.

Para o gaúcho, a conta aparece em obras, investimentos e programas que dependem de dinheiro federal. Esse é o tipo de gasto que o governo pode escolher, e é justamente o que fica espremido quando as despesas fixas crescem.

Quase todo o Orçamento já tem destino

Gastos obrigatórios como Previdência, saúde e educação crescem há anos mais rápido do que as regras fiscais permitem. Sobra cada vez menos espaço para investimentos e outros gastos que o governo decide como e quando usar.

No Projeto de Lei Orçamentária de 2027, 90% dos R$ 2,826 trilhões previstos em despesas primárias já têm destino: aposentadorias, salários, benefícios sociais e outras despesas obrigatórias. O levantamento é da Consultoria de Orçamento da Câmara (Conof). Restam R$ 283,2 bilhões na fatia discricionária. Desse valor, R$ 61,2 bilhões vão para emendas parlamentares e para o funcionamento de outros Poderes, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União.

A equipe econômica projeta um alívio pequeno. A proporção das obrigatórias nas despesas primárias cairia de 92,4% em 2026 para 91,7% em 2027.

O que cada campanha propõe

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, cita a manutenção ou ampliação de programas como Bolsa Família e Pé-de-Meia, mais investimento público, transporte gratuito aos fins de semana e subsídios a combustíveis. A Warren Investimentos calculou que o pacote eleitoral criou despesas de quase R$ 200 bilhões até 2030, valor anterior à proposta de tarifa zero.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) propõe renegociar dívidas de pessoas e empresas por meio da Caixa, com carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas. A campanha não detalhou quais gastos seriam cortados, em quanto tempo e como. Felipe Salto, economista-chefe da Warren e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado, diz que a conta não fecha. Segundo ele, não há espaço para baixar tributos e manter o Estado de bem-estar da Constituição de 1988.

Dívida passa de R$ 11 trilhões

O desafio fiscal vem com a dívida em alta. A dívida do país está próxima de R$ 11,1 trilhões e já equivale a 82,9% do PIB. O dado é da dívida bruta do governo geral, que inclui União, estados e municípios.

A restrição vale para toda a União, e a campanha de nenhum dos dois candidatos informou quais cortes sustentariam as promessas. O PLOA de 2027 tramita no Congresso, que decide a divisão final dos recursos.

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