CNJ manda cartórios registrar contexto de mortes em ação policial; regra vale no RS
Resolução aprovada por unanimidade proíbe termos como "auto de resistência" e prevê retificar certidões antigas com decisão judicial.
Por que afeta o RS: A regra vale para todas as certidões de óbito emitidas no estado em casos de mortes em ações policiais.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que manda incluir nas certidões de óbito o contexto da morte de pessoas mortas em ações de órgãos de segurança pública, além da causa médica. A votação foi unânime, em sessão virtual encerrada na quinta (29), e a decisão foi divulgada nesta quarta (4).
A norma é nacional e vale para os cartórios de registro civil do Rio Grande do Sul. Segundo o CNJ, a medida deve dar às famílias acesso mais rápido a eventuais indenizações e benefícios. A proposta foi apresentada pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

O que muda na certidão
Hoje, a certidão traz só a causa médica, sem dizer em que circunstância a pessoa morreu. A regra vale para certidões novas e para a retificação de certidões antigas.
A retificação de certidões já emitidas depende de decisão judicial que reconheça, de forma expressa ou suficientemente determinada, o contexto da morte. A regra também alcança desaparecimentos: a resolução contempla casos de desaparecimento nessas circunstâncias, desde que a morte presumida seja reconhecida judicialmente.
A redação orientada pelo CNJ é "morte não natural, violenta, ocorrida em decorrência ou no contexto de intervenção de órgão de segurança pública". Termos como "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" não podem mais constar.
A inclusão do contexto não altera a causa médica registrada. Também não significa que o Estado ou agentes públicos sejam automaticamente responsabilizados na esfera civil, administrativa ou penal.
Identificação de desaparecidos no RS
O CNJ não informou, na divulgação da decisão, o prazo para os cartórios se adequarem. A SSP-RS e a Polícia Civil não se manifestaram até a publicação desta matéria.
No estado, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) criou, por portaria publicada no Diário Oficial em 13 de outubro, a Central de Integração e Gestão de Informações sobre Desaparecidos (CIGID). A central busca integrar informações periciais sobre pessoas desaparecidas, pessoas vivas de identidade desconhecida e pessoas falecidas, identificadas ou não. A equipe fez a primeira reunião em 20 de outubro, no Departamento Médico-Legal, em Porto Alegre, para planejar a operação e estruturar um banco estadual de informações.
A retificação de certidão já emitida exige decisão judicial que reconheça o contexto da intervenção de órgão de segurança pública.
Perguntas frequentes
O que muda na certidão de óbito?
A certidão passa a trazer o contexto da morte, como "morte não natural, violenta, ocorrida em decorrência ou no contexto de intervenção de órgão de segurança pública", além da causa médica.
A regra vale para certidões antigas?
Sim, mas a retificação de certidões já emitidas depende de decisão judicial que reconheça o contexto da morte.
Quando os cartórios precisam se adequar?
O CNJ não informou prazo para a adequação dos cartórios na divulgação da decisão.
Isso significa que o Estado será responsabilizado?
Não. A inclusão do contexto não altera a causa médica nem implica responsabilização automática do Estado ou de agentes públicos.
Saber mais: fontes consultadas (6)
- CNJ, Certidões de óbito deverão trazer contexto da causa da morte em caso de ação policial
- SSP-RS, IGP cria a Central de Integração e Gestão de Informações sobre Desaparecidos
- SSP-RS, IGP realiza primeira reunião da Central de Integração e Gestão de Informações sobre Desaparecidos
- Revista Fórum, CNJ determina registro de morte por intervenção policial em certidões de óbito
- Diário do Poder, CNJ determina mudança em certidões de óbito por ações policiais
- CartaCapital, CNJ determina que certidões de óbito registrem mortes por intervenção policial
Do interior do RS
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