Clube Juvenil, em Caxias, ganha projeto de restauro de R$ 500 mil, mas sem obra à vista
Equipe de 13 arquitetos estuda o prédio tombado desde 2024 e prepara o terreno para o hub de economia criativa, enquanto a sede se aproxima dos 100 anos.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 02:19 · 3 min de leitura

O projeto de restauro da sede social do Clube Juvenil, em Caxias do Sul, está em fase de estudos e conta com R$ 500 mil da Política Nacional Aldir Blanc no Rio Grande do Sul (PNAB RS). O prédio, ao lado da Praça Dante Alighieri, é tombado pelo patrimônio histórico municipal desde 2007 e completa 100 anos em 2028.

Para quem frequentou os bailes, as exposições e as reuniões do Juvenil, a notícia é que o casarão pode voltar a ter movimento. A obra em si, porém, não tem data para começar: ela não está contemplada no edital que paga esta etapa.
Dinheiro vem de edital de projeto, não de obra
Os recursos saem do edital Memória e Patrimônio da PNAB RS (Edital SEDAC 31/2024). A categoria de restauro para projeto de bem tombado previa três projetos de R$ 500 mil.
O governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, lançou o conjunto de oito editais da PNAB em 31 de julho de 2024.
O dinheiro paga levantamentos, diretrizes de preservação e os projetos de restauro e de intervenção. Não paga a execução. Por isso, o grupo divide a intervenção em projetos menores, para que as obras possam sair por etapas quando surgir dinheiro.
– Quando surge a oportunidade de um edital para obras, a primeira coisa que se pergunta é se existe projeto. Então, a gente já tem – afirmou a arquiteta Sílvia Rafaela Scapin Nunes, proponente do projeto.
Estudos começaram em 2024 e a equipe se reúne toda quinta
Segundo Sílvia, as conversas com a diretoria do clube começaram em 2023. A ideia era reativar o prédio, que teve uso mais tímido depois da pandemia. Na mesma época, circulou a possibilidade de instalar ali o camelódromo de Caxias.
Os estudos começaram em 2024. Desde o início de 2025, a equipe se reúne toda quinta-feira. O grupo reúne 13 arquitetos e fez o levantamento dos ambientes, dos espaços alterados desde o projeto original, dos materiais e da cronologia do clube. O trabalho se divide em três fases: pesquisa e diretrizes de preservação, projeto de restauro e intervenção, e design estratégico.
O levantamento mostrou como a sede foi usada ao longo do tempo. O prédio já teve cancha de bocha, escola de balé e reuniões políticas, e ali se discutiu a chegada da BR-116 a Caxias. Segundo Sílvia, o edifício chegou a funcionar quase 24 horas por dia, com três pavimentos.
Hub de economia criativa
A proposta de uso se chama Criativa Lab. Ela prevê um hub de economia criativa que reúna diferentes linguagens artísticas, profissionais da arquitetura e da produção cultural. A ideia, segundo Sílvia, combina com a vocação do clube para as belas artes e para as celebrações.
No edital atual, o grupo aproveitou a fase de projetos complementares para prever a participação da engenharia civil nas partes elétrica, hidráulica, hidrossanitária e de prevenção contra incêndio (PPCI).
O próximo passo depende de um edital voltado a obras. Até lá, a equipe segue detalhando o projeto, que já está dividido em etapas para facilitar uma futura captação de recursos.
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