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MundoEconomiaAfeta o RS

Brent fecha a US$ 115,32 após ataque a refinaria saudita; Irã rejeita minuta do Qatar

WTI sobe 3%, a US$ 102,78, com temor de ofensiva dos EUA contra o Irã; o gás europeu toca € 100 por MWh e a Opep+ se reúne em 1º de novembro para definir a produção de dezembro.

Por que afeta o RS: Variações do petróleo repercutem nos preços de combustíveis e transporte no estado.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 11 min de leitura

Atualizada 30/10, 05:02 · Na sexta (30), o Brent subiu 0,75%, a US$ 115,74, e o WTI, 0,71%, a US$ 102,72, após novos ataques houthis a instalações sauditas, incluindo Abqaiq, e relatos de petroleiros atingidos por minas ao sul de Ormuz; o valor de sexta publicado antes (US$ 110,11) é corrigido.

Ilustração: Plataforma de petróleo offshore em mar azul calmo sob céu limpo
Ilustração: Bairrista

O petróleo tipo Brent fechou a US$ 115,32 o barril nesta quarta (28), com alta de 1%. O WTI, referência dos EUA, avançou 3%, para US$ 102,78. A Reuters atribuiu a pressão à escalada no Iêmen, ao ataque reivindicado contra uma refinaria saudita, ao ataque dos houthis ao aeroporto de Aden e a temores de uma ofensiva dos EUA contra o Irã.

Os houthis, do Iêmen, afirmaram ter atingido com um míssil a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, que tem capacidade para processar 550 mil barris por dia. As autoridades sauditas não haviam confirmado o ataque. Na primeira leitura do dia, às 01h40 GMT, o Brent subia 1,3%, a US$ 115,36, e o WTI, 1,22%, a US$ 101,12.

Quadro: Brent fecha a US$ 115,32 após ataque a refinaria saudita; Irã rejeita minuta do Qatar
Em números · Bairrista

O gás natural europeu acompanhou o movimento e subiu 3,3%, para € 99,20 por megawatt-hora, em meio à preocupação com a oferta. Durante o dia, o preço de referência chegou a tocar € 100/MWh, o que não acontecia desde dezembro de 2022.

Os preços se mantiveram acima de US$ 115 mesmo depois de o Irã rejeitar a nova minuta de acordo apresentada por mediadores do Qatar. Um alto funcionário iraniano classificou as propostas como inaceitáveis. A Reuters também aponta a possibilidade de novas ações militares contra o Irã após a eleição americana entre os fatores de alta.

Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo caíram 1,9 milhão de barris na semana encerrada em 23 de outubro, segundo a Reuters. A queda foi inesperada: a previsão era de aumento.

O movimento interrompe dois pregões de queda, na segunda (26) e na terça (27). O barril serve de referência para o preço de combustíveis e fretes, e variações prolongadas costumam chegar ao custo do transporte no Rio Grande do Sul. A gasolina comum no estado tem média de R$ 6,36 por litro em outubro, segundo a ANP. Analistas avaliam que a queda do petróleo bruto nos últimos pregões não deve se traduzir de imediato em combustível mais barato.

Brent sobe 0,75% na sexta e vai a US$ 115,74 com novos ataques houthis

No início do pregão desta sexta (30), o Brent subiu 0,75%, para US$ 115,74 o barril, e o WTI avançou 0,71%, para US$ 102,72, informou a Reuters. O movimento reverte a queda de quinta, atribuída à expectativa de retomada da diplomacia entre Washington e Teerã.

Os houthis disseram ter atacado instalações petrolíferas sauditas, entre elas Ras Tanura, Rabigh e Abqaiq. A coalizão saudita afirmou ter interceptado um míssil de cruzeiro. A Guarda Revolucionária do Irã disse que três petroleiros atingiram minas marítimas e pegaram fogo ao tentar usar uma rota não autorizada ao sul do Estreito de Ormuz.

Para o RS, o barril mais caro pode pressionar combustíveis, fretes e custos de produção. O repasse às bombas e ao transporte depende do câmbio e das decisões de preço no estado.

Brent cai 1,2% na quinta, a US$ 113,91, após relato de carta dos EUA ao Irã

Nesta quinta (29), o Brent recuou 1,2%, a US$ 113,91 o barril, segundo a Reuters. A queda veio depois de relatos de que os Estados Unidos tentaram reabrir as negociações de paz com o Irã. O presidente Donald Trump disse que a carta enviada a Teerã pelo vice-presidente JD Vance tratava de suprimentos médicos. A Reuters não confirmou de forma independente o conteúdo da carta.

Mais cedo, o Brent recuava US$ 1,27, ou 1,1%, a US$ 114,05, e o WTI caía US$ 1,51, ou 1,5%, para US$ 101,27. Ataques na região e o temor com o abastecimento pelo Estreito de Ormuz limitaram o recuo.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que três petroleiros explodiram após atingir minas marítimas nas últimas 24 horas, informou a Reuters. O risco para a navegação no Golfo segue no centro das preocupações do mercado.

O preço continua cerca de US$ 42 acima dos aproximadamente US$ 72 que o barril valia antes do início da guerra com o Irã. Para o RS, isso significa que o alívio de um dia ainda deixa o petróleo muito acima do patamar anterior ao conflito, que alimenta o custo de diesel e frete.

As bolsas asiáticas operaram mistas. O Kospi, índice da Coreia do Sul, caiu 2,2%. Nos EUA, as ações da Alphabet, controladora do Google, caíram cerca de 10% nas negociações após o fechamento de quarta, depois de a empresa divulgar receitas abaixo das expectativas. Os investidores aguardam as decisões do Banco Central Europeu e do Banco do Japão.

AB InBev perde 0,34 ponto de margem com diesel, energia e alumínio

A AB InBev, fabricante da Budweiser, informou nesta quinta (29) alta de 3,9% no lucro operacional orgânico do terceiro trimestre, em linha com as previsões. A receita cresceu mais do que o esperado. A margem operacional, porém, caiu 0,34 ponto percentual, para 36,1%.

A cervejaria citou energia, diesel, alumínio e transporte entre os custos em alta, num contexto de encarecimento ligado à guerra com o Irã. As pressões de commodities, distribuição e transporte apareceram em mercados como Estados Unidos, Europa e África do Sul.

Para o RS, o caso mostra o caminho do petróleo caro até a prateleira: o mesmo diesel e frete que cortam margem de uma multinacional entram na conta de quem transporta e vende bebidas e outros produtos no estado.

Opep+ se reúne em 1º de novembro para definir produção de dezembro

A Opep+ deve discutir suas metas de produção para dezembro em reunião prevista para 1º de novembro, um domingo. A decisão pesa sobre a oferta de um mercado já pressionado pela guerra, pelos ataques no Golfo e pelo tráfego reduzido em Ormuz. Para o RS, o rumo do barril ajuda a definir o custo de diesel e frete nas próximas semanas.

Gás europeu toca € 100 e estoques da UE estão em 75%

A guerra no Irã reduziu o fluxo de gás natural liquefeito (GNL) do Oriente Médio e apertou a oferta na Europa antes do inverno. Os estoques de gás da União Europeia estavam em 75% da capacidade, ante 83% no mesmo período do ano anterior.

Ministros de Energia da UE discutem a segurança do abastecimento nesta quinta (29). Gás e energia mais caros podem encarecer insumos industriais e alimentar a inflação, com reflexo em combustíveis, eletricidade e insumos importados no Brasil, inclusive no RS.

Banco Mundial prevê commodities 23% mais caras e fertilizantes 14% acima em 2026

O Banco Mundial projeta alta de 23% nos preços globais de commodities em 2026, puxada pela guerra no Oriente Médio e por interrupções no transporte marítimo. A instituição estima que a energia fique 32% mais cara, os alimentos, pouco mais de 10%, e os fertilizantes, 14%.

Para o petróleo, o banco calcula queda de 5,2% na oferta mundial neste ano, a maior retração em quatro décadas fora a recessão de 2020. O relatório alerta que uma escalada dos conflitos e um El Niño intenso podem pressionar ainda mais os preços e a inflação.

Para o RS, o fertilizante mais caro pesa direto no custo de lavouras como soja, arroz e trigo. Energia, alimentos e metais em alta também podem elevar custos de transporte e consumo, dos combustíveis ao prato.

Antes da alta, dois pregões de queda

Na terça, o Brent fechou em queda de US$ 1,93 (1,8%), a US$ 113,88, e o WTI recuou US$ 1,86 (1,83%), para US$ 99,90. Os investidores acompanharam as conversas diplomáticas entre Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, e os preços seguiram perto das máximas de seis meses. O mercado reagia aos esforços para encerrar a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Na segunda, a Associated Press registrou o Brent com queda de 1,7%, a US$ 109,86. O petróleo dos EUA caiu 2,1%, para US$ 101,08. Foi a primeira baixa depois de uma semana em que o Brent subiu 6,2% e chegou perto das máximas de seis meses.

As bolsas globais avançaram nos dois dias. Na terça, o índice europeu STOXX 600 subiu 0,1%, e os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançaram 0,2% e 0,3%, respectivamente.

UBS eleva projeção para o fim do ano

O banco suíço UBS elevou a previsão para o Brent no fim de 2026 para cerca de US$ 110 por barril. O banco cita a incerteza geopolítica e os riscos ao tráfego no Estreito de Ormuz. O valor fica abaixo dos US$ 115,32 do fechamento de quarta, mas acima da projeção anterior do banco.

Fed mantém juros entre 3,75% e 4% e ações globais sobem com petróleo perto da máxima desde abril

O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, manteve na quarta (28) a taxa básica entre 3,75% e 4%, depois de uma alta no mês passado. Os mercados acionários globais fecharam o dia no azul, mesmo com o petróleo em alta. O Banco do Canadá também tinha decisão sobre a taxa marcada para o mesmo dia.

Os investidores, porém, passaram a precificar ao menos duas novas elevações até meados de 2027. A inflação e o conflito entre EUA e Irã seguem entre as preocupações do mercado.

O Banco Central Europeu decide sobre os juros na quinta (29), e o Banco do Japão se reúne na sexta (30). A Reuters informa que a atenção também se volta para os resultados de grandes empresas de tecnologia nesta semana.

Para o RS, petróleo e gás mais caros podem pressionar combustíveis, fretes e custos de produção. Juros altos nos EUA, por sua vez, influenciam crédito e câmbio no mundo todo.

Irã rejeita nova minuta do Qatar; resposta é esperada até o fim da semana

Mediadores do Qatar apresentaram ao Irã uma nova minuta para encerrar a guerra com Estados Unidos e Israel. Um alto funcionário iraniano chamou as ideias de inaceitáveis. Teerã deve dar a resposta até o fim da semana. Não há acordo anunciado entre Washington e Teerã.

Os mediadores do Catar tinham viajado à capital iraniana no domingo (25) para tentar reduzir as tensões, em coordenação com os Estados Unidos, segundo uma autoridade informada sobre o assunto. Na segunda, representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão também conversaram com autoridades iranianas em Teerã e combinaram continuar as negociações. Os países afirmaram que o objetivo é reforçar a cooperação em paz e segurança.

Com a rejeição, ganhou força no mercado o temor de uma ofensiva dos EUA contra o Irã, um dos fatores que a Reuters aponta para a alta do fechamento.

A analista Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, afirmou que o alívio pode ser passageiro. Para ela, as preocupações com novas hostilidades no Oriente Médio, que sustentaram a alta da semana anterior, só diminuíram por ora.

A guerra dos EUA com o Irã reduziu a oferta global de petróleo e encareceu energia e outros produtos.

Ataques houthis e Ormuz mantêm o risco de oferta

O mercado segue de olho na Arábia Saudita. Na sexta (23), os preços fecharam quase US$ 3 mais altos, depois de ataques houthis no país alimentarem temores sobre o abastecimento de energia. No fim de semana, o grupo do Iêmen disse ter atingido os terminais de Yanbu e Rabigh e o oleoduto Leste-Oeste. A Arábia Saudita informou não ter registrado danos, e a coalizão diz ter interceptado os mísseis. A refinaria de Ras Tanura é o alvo mais recente citado pelo grupo.

Na quarta, os houthis também atacaram o aeroporto de Aden, no Iêmen, o que ampliou a preocupação com a escalada no país, segundo a Reuters. O grupo prometeu seguir atacando o principal aeroporto saudita, que retomou parcialmente as operações depois de ataques anteriores.

O fluxo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa parte do petróleo exportado pelo Golfo, estava em cerca de 60% do nível normal, segundo dados citados pela ANZ Research. Esse tráfego reduzido também segura os preços perto das máximas de seis meses.

Rússia deve exportar de 100 mil a 200 mil barris a menos por dia em novembro

Dois operadores ouvidos pela Reuters na terça (27) preveem queda de 100 mil a 200 mil barris por dia nas exportações de petróleo bruto da Rússia pelos portos do Báltico e do Mar Negro em novembro, na comparação com outubro. A estimativa é preliminar, e os planos ainda podem mudar.

Segundo os operadores, atrasos de embarque no Mar Negro e riscos de segurança pesam sobre os carregamentos. As refinarias russas, por outro lado, devem ampliar o processamento e a produção de diesel depois da manutenção. Menos petróleo russo no mercado pode aumentar a volatilidade dos preços do petróleo e dos combustíveis, com reflexo em fretes.

Arábia Saudita vai estocar petróleo em Singapura

Arábia Saudita e Singapura anunciaram planos para armazenar petróleo saudita em Singapura a partir do segundo semestre de 2027. O anúncio não muda a oferta no curto prazo, já que o estoque só começa daqui a cerca de um ano.

O que acompanhar

A resposta do Irã à minuta do Qatar é esperada até o fim da semana. O Banco do Japão se reúne nesta sexta (30). A Opep+ discute as metas de produção de dezembro no domingo (1º). Os preços nos postos do RS são acompanhados pela ANP em levantamentos semanais.

Atualização: entrou o movimento do início do pregão desta sexta (30): o Brent subiu 0,75%, a US$ 115,74, e o WTI, 0,71%, a US$ 102,72, segundo a Reuters. Os houthis disseram ter atacado também Abqaiq, e a Guarda Revolucionária informou que os três petroleiros atingidos por minas usavam uma rota não autorizada ao sul de Ormuz. Os valores de sexta (US$ 110,11 e US$ 99,00) publicados antes foram substituídos.

Saber mais: fontes consultadas (38)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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