Binance retoma saques após ataque de US$ 6,3 bi; Mercado Bitcoin suspende os seus
Binance repôs 95% do roubo atribuído pelo FBI à Coreia do Norte e libera saques em etapas; nesta segunda (2), o Mercado Bitcoin parou depósitos e saques.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 7 min de leitura

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, retomou neste domingo (1º) os saques de bitcoin, ether e outros ativos, três dias depois de um roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões). A empresa diz ter reposto cerca de US$ 6 bilhões, 95% do total, e que os clientes não vão pagar pelo prejuízo. O FBI atribui o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte.
A liberação é gradual e vale também para quem tem conta no Brasil. Nesta segunda (2), outra grande corretora, o Mercado Bitcoin, suspendeu depósitos e saques após um incidente de segurança, sem prazo para voltar.

O que aconteceu
O ataque começou às 4h05 de 30 de outubro, no horário de Singapura, e foi apontado como o maior roubo de criptomoedas da história. Foram desviados USDC, USDT, bitcoins e ethers. A Binance suspendeu os saques e informou que os fundos dos clientes brasileiros seguiam seguros.

Na sexta (30), o co-CEO Richard Teng disse que o alvo foi a carteira quente da corretora, a que fica conectada à internet para processar saques, e não os fundos dos clientes. A empresa também passou a prever a retomada dos saques até domingo, prazo menor que o de 45 horas citado antes. Teng classificou a invasão como complexa, com software malicioso feito para apagar rastros.
O que dizem a Binance e as autoridades
A Binance afirma ter reservado mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir as perdas, dos quais US$ 5 bilhões já estão mantidos nas criptomoedas afetadas. Segundo a empresa, os prejuízos serão cobertos com recursos próprios e com o fundo emergencial SAFU. Os 5% que faltam repor são ativos de menor liquidez, mais difíceis de comprar nas quantidades necessárias.
Sobre os clientes brasileiros, a empresa diz seguir as regras do Banco Central, que exigem separar os recursos dos clientes dos da corretora. Segundo a Binance, os ativos ficam em carteiras frias, desconectadas da internet.
A origem do ataque aparece em três camadas. A Binance diz que a investigação preliminar aponta o notebook de um engenheiro de DevOps. Depois, a apuração identificou outras falhas de segurança, e a empresa revisa seus sistemas de nuvem e de segurança. Sobre as chaves privadas das carteiras, a corretora afirma não ter encontrado evidência de que tenham sido atingidas.
A autoria também mudou de patamar. Na sexta (30), especialistas em rastreamento ouvidos pela Reuters atribuíram o roubo ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte. Agora é o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, quem faz a acusação. A Chainalysis estima que a Coreia do Norte roubou ao menos US$ 6,75 bilhões em criptomoedas até o fim de 2025, incluindo US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em fevereiro daquele ano.
Até aqui, não há nota da CVM ou do Banco Central específica sobre o caso.
Recuperação dos ativos
A Binance diz trabalhar com parceiros de blockchain e autoridades para rastrear o dinheiro. Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados na rede, segundo a empresa. Pela cobertura do InfoMoney, cerca de metade dos ativos roubados foi congelada por emissores de stablecoins, como Tether e Circle. Congelar não é o mesmo que devolver: a reposição dos US$ 6 bilhões foi feita com dinheiro da corretora, e os ativos roubados seguem sem recuperação confirmada.
A Binance prometeu um relatório técnico e uma atualização da prova de reservas após a remediação.
O que já voltou a funcionar
Os saques de bitcoin voltaram pouco depois das 3h de domingo, no horário de Brasília. Também foram restabelecidas as retiradas de ether, BNB, USDT e USDC. A primeira fase abrange 15 ativos. Os saques dos demais serão liberados aos poucos, conforme as verificações de segurança. A liberação varia de um ativo e de uma rede para outro.
Mercado Bitcoin suspende depósitos e saques
O Mercado Bitcoin (MB), uma das principais corretoras do país, suspendeu depósitos e saques nesta segunda (2). Em comunicado no X, a empresa disse que identificou e conteve o incidente na madrugada. Afirma que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados e que a suspensão é preventiva. Não deu prazo para retomar.
O MB não divulgou valores. A Hypernative, empresa de segurança em blockchain, aponta cerca de US$ 40 milhões retirados em pelo menos 10 redes, entre elas Ethereum, Bitcoin, Solana e Tron. Segundo a Hypernative, a maior parte das transferências ocorreu entre 3h19 e 3h53 de 2 de novembro. A corretora não confirma esse número. Ninguém foi identificado publicamente como autor. O MB diz que investiga, rastreia os ativos e atua junto às autoridades.
O que muda para o RS
Quem tem conta na Binance no Rio Grande do Sul já consegue sacar os ativos da primeira fase, mas precisa checar no aplicativo se o seu está liberado. Quem usa o Mercado Bitcoin não consegue depositar nem sacar por ora.
Alguns cuidados valem para os dois casos:
- Ative a autenticação em dois fatores e confira o histórico de movimentações.
- Não passe senha, código de verificação nem frase de recuperação a ninguém.
- Desconfie de mensagens com links que prometem liberar saques. Golpes costumam surgir nesses momentos.
- Antes de mover saldo para carteira externa, confira o endereço de destino e a rede escolhida. Erro de endereço em cripto não tem como ser desfeito.
- Dúvidas sobre declaração de criptoativos no Imposto de Renda vão para a Receita Federal ou um contador.
O que ainda não se sabe
A Binance não deu data para a liberação dos ativos que ainda não voltaram. A empresa também não detalhou as outras falhas de segurança que a investigação encontrou. O Mercado Bitcoin não informou quando as operações voltam nem confirmou o valor apontado pela Hypernative. Nenhuma ligação entre os dois episódios foi apresentada.
Linha do tempo
- 29 de outubro (quinta): data aproximada do ataque, segundo parte da cobertura. A Binance fixa o início às 4h05 de 30 de outubro, no horário de Singapura.
- 30 de outubro, noite: Binance Brasil diz que os fundos dos clientes brasileiros estão seguros; saques seguem suspensos. A empresa estima o impacto em US$ 6,3 bilhões.
- 30 de outubro, 22h57: Richard Teng prevê retomar os saques em cerca de 30 horas e diz que o alvo foi a carteira quente. Analistas citam o grupo norte-coreano TraderTraitor.
- 31 de outubro, 0h26: FBI acusa a Coreia do Norte pelo ataque. A Binance informa cerca de US$ 3 bilhões congelados.
- 1º de novembro (domingo), madrugada: saques de bitcoin voltam pouco depois das 3h, em Brasília.
- 1º de novembro, tarde: Binance diz ter reposto cerca de US$ 6 bilhões, 95% do total, e libera saques em etapas.
- 2 de novembro (segunda), madrugada: transferências suspeitas no Mercado Bitcoin, segundo a Hypernative, entre 3h19 e 3h53.
- 2 de novembro, manhã: Mercado Bitcoin suspende depósitos e saques e diz que não houve prejuízo a clientes.
Perguntas e respostas
Meu dinheiro na Binance está seguro? A empresa diz que os fundos dos clientes não foram o alvo e que arcará com o prejuízo. A garantia é da própria Binance. O SAFU, de cerca de US$ 1 bilhão, não tem cobertura pública como a do FGC.
Os saques da Binance já voltaram? Em parte. Voltaram bitcoin, ether, BNB, USDT e USDC, numa primeira fase de 15 ativos. Os demais serão liberados aos poucos.
Quem foi o responsável pelo ataque? O FBI atribui o roubo ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte. Antes, a autoria vinha de empresas de rastreamento de blockchain.
O Mercado Bitcoin foi hackeado como a Binance? O MB fala em incidente de segurança e nega prejuízo a clientes. A Hypernative aponta cerca de US$ 40 milhões em transferências suspeitas, valor que a corretora não confirma.
Quando o Mercado Bitcoin volta a operar? A empresa não deu prazo. As atualizações saem no perfil @MercadoBitcoin, no X, e nos canais de atendimento.
Perguntas frequentes
Meu dinheiro na Binance está seguro?
A Binance diz que os fundos dos clientes não foram o alvo e que arcará com o prejuízo, com recursos próprios e o fundo SAFU. A garantia é da própria empresa, e o SAFU, de cerca de US$ 1 bilhão, não tem cobertura pública como a do FGC.
Os saques da Binance já voltaram?
Em parte. Desde a madrugada de domingo (1º), voltaram bitcoin, ether, BNB, USDT e USDC, numa primeira fase de 15 ativos. Os demais serão liberados aos poucos, conforme verificações de segurança.
Quem foi o responsável pelo ataque?
O FBI atribui o roubo ao TraderTraitor, grupo hacker ligado à Coreia do Norte. Antes, a autoria vinha de análises de empresas de rastreamento de blockchain.
Como o ataque aconteceu?
A investigação preliminar aponta o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps como porta de entrada. A Binance diz não ter encontrado evidência de vazamento de chaves privadas e afirma que apura outros pontos de invasão.
O que está acontecendo no Mercado Bitcoin?
A corretora suspendeu depósitos e saques nesta segunda (2) após um incidente de segurança. Diz que não houve prejuízo a clientes nem vazamento de dados e não deu prazo para retomar.
O que devo fazer enquanto isso?
Ative a autenticação em dois fatores, não passe senha, código de verificação nem frase de recuperação a ninguém e desconfie de links que prometem liberar saques. Consulte o status só no aplicativo ou no site oficial da corretora.
Saber mais: fontes consultadas (27)
- Binance, Security Incident Update (30/10/2026)
- InfoMoney, Binance Brasil diz que fundos de clientes estão seguros, mas mantém saques suspensos
- Times Brasil, Binance diz que clientes brasileiros estão seguros após ataque hacker
- BP Money, Binance suspende saques: seu dinheiro está seguro?
- Space Money, Ataque hacker à Binance: ativos de brasileiros seguros
- TMC, Investimentos brasileiros estão seguros após ataque, diz Binance
- BBC, Binance hack updates
- CEO da Binance prevê retomar saques em até 30 horas (Times Brasil)
- Binance diz que investimentos de brasileiros estão seguros (Terra)
- Hackers desviam US$ 6,3 bi da Binance (InfoMoney)
- U.S. News (Reuters): hackers norte-coreanos ligados a roubos de criptomoedas, dizem especialistas
- Brazil Journal
- Grupo A Hora (alerta de pauta, com dados da Prefeitura e da direção da escola)
- Região dos Vales (declaração do secretário de Educação)
- Folha Popular (obra na reta final)
- Folha Popular (histórico da escola e início das obras)
- Poder360
- Diário do Povo
- Forbes Brasil
- Brasil em Folhas
- BossaNews Brasil
- Metrópoles
- Mercado Bitcoin (comunicado oficial no X)
- Money Times
- Space Money
- Crypto Briefing
- BPMoney
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