Analistas veem pressão de Trump sobre o Brasil mantida mesmo com vitória democrata
Tarifa de 25% da Seção 301 vale desde 22 de julho para a maior parte dos produtos brasileiros, inclusive os que o RS vende aos EUA.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Os democratas conquistaram as duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3). Analistas avaliam que isso não deve aliviar a pressão do presidente Donald Trump sobre o governo Lula, segundo reportagem da Folha publicada na quinta (5), que reproduz análises ouvidas pela BBC News Brasil.
Para o exportador gaúcho, o ponto central é a tarifa já em vigor. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) encerrou em 15 de julho a investigação e aplicou tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras, vigente desde 22 de julho. A medida vale para o país inteiro, sem recorte por estado, e alcança os produtos do RS que não estão nas exceções.
O que o USTR decidiu e com base em quê
A ação final foi anunciada pelo embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, por determinação de Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O documento oficial cita as Seções 301(b) e 304(a) e a imposição de tarifa de 25% sobre todos os bens do Brasil, com certas exceções.
O USTR aponta seis frentes para justificar a medida. São comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, interferência anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Antes da decisão, o órgão fez duas audiências públicas e recebeu mais de 360 comentários.
Com as exceções fixadas pela Casa Branca, determinados produtos brasileiros pagam 37,5% no total, segundo a Folha.
Há ainda a Seção 232, de segurança nacional. Em documento enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, a República Federativa do Brasil informa que, desde 6 de abril de 2026, a tarifa é de 50% sobre cobre, aço e alumínio brutos e de 25% sobre derivados com mais de 15% desses metais.
Por que analistas não esperam alívio
Segundo a Folha, os analistas apontam como frentes de pressão as tarifas, a aproximação do Brasil com a China e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, avalia que um Congresso mais democrata pode mudar a interlocução com o Itamaraty. Para ele, porém, o Legislativo não teria poder para alterar a política comercial conduzida pelo Executivo de Trump.
Há leitura diferente dentro do governo brasileiro. Segundo o Valor, interlocutores de Lula avaliam que a derrota de Trump abre caminho para normalizar a relação, mas não esperam recuo imediato nas tarifas. A Reuters informou que Trump usou tarifas e sanções para tentar interromper o processo penal contra Jair Bolsonaro, sem sucesso.
Vieira e Rubio se reúnem em Paris na semana que vem
Em 27 de julho, o Brasil pediu consultas à Organização Mundial do Comércio contra as duas medidas tarifárias, por incompatibilidade com as regras do GATT, segundo o Opeb.
No campo diplomático, o Valor noticiou que o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, devem se reunir na semana que vem, em Paris, à margem de encontro de chanceleres do G7. O jornal informou que não há conversa entre Lula e Trump prevista.
Perguntas frequentes
A tarifa de 25% dos EUA vale para produtos do Rio Grande do Sul?
Sim. A medida vale para o país inteiro, sem recorte por estado, e alcança os produtos gaúchos que não estão nas exceções.
Desde quando a tarifa de 25% está em vigor?
Desde 22 de julho, após o USTR encerrar a investigação em 15 de julho.
Com a vitória democrata no Congresso, a tarifa deve cair?
Analistas não esperam alívio imediato. Um economista avalia que o Legislativo não teria poder para alterar a política comercial conduzida pelo Executivo.
Qual o próximo passo na relação diplomática?
O chanceler Mauro Vieira e o secretário Marco Rubio devem se reunir na semana que vem, em Paris, à margem de encontro de chanceleres do G7.
Saber mais: fontes consultadas (7)
- USTR (comunicado da ação final na Seção 301)
- USTR (Federal Register Notice, ação final de 15 de julho de 2026)
- República Federativa do Brasil, Form 424B5 (SEC)
- Opeb, Tarifas, coerção e competição estratégica
- Folha de S.Paulo, Vitória democrata nos EUA não deve aliviar pressão de Trump sobre Brasil
- Valor Econômico, Para governo Lula, derrota de Trump abre caminho para normalização
- Reuters, Lula's election win dashes US hopes of quick access to Brazil's rare earths
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