Alckmin, ex-rival de Lula, é a aposta do PT para atrair centro e direita no 2º turno
Datafolha aponta empate em 50% a 50% nos votos válidos entre Lula e Flávio Bolsonaro, e os processos da Odebrecht contra o vice foram arquivados ou encerrados.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 4 min de leitura

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), 73 anos, chega à véspera do segundo turno, marcado para este domingo (25). Ele é a principal aposta da campanha de Lula (PT) entre eleitores de centro e de direita que rejeitam o senador Flávio Bolsonaro (PL). Rival do petista na eleição de 2006, o ex-tucano ganhou espaço na reta final da disputa.
O voto de quem não é petista nem bolsonarista pode decidir a eleição, inclusive no Rio Grande do Sul, que vota no mesmo domingo. A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24) mostra Lula e Flávio empatados, com 50% dos votos válidos cada. Em votos totais, o petista tem 46% e o senador, 47%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Como a campanha usa o vice
Depois do primeiro turno, a campanha decidiu dar mais protagonismo a Alckmin. A estratégia é usar a trajetória política do vice para dialogar com eleitores de centro e tentar reverter a vantagem que Flávio obteve no primeiro turno. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
Alckmin mantém agenda própria, principalmente no interior de São Paulo, região onde a campanha encontra maior resistência, com encontros com prefeitos, empresários e lideranças locais. Em Hortolândia (SP), participou de encontro com prefeitos e vereadores de partidos como PL, PP e União Brasil. Disse que um novo governo Lula não discriminaria gestores de outras siglas. Em 10 dias, passou também por Campinas, São Carlos, Curitiba, São Bernardo, Poços de Caldas, Salvador e Rio de Janeiro.
No horário eleitoral, o vice aparece em vídeo no formato selfie. Em outra peça, Alckmin diz que "o Brasil precisa de todos" e que não é preciso ser lulista nem petista para votar na chapa. Esse bloco traz o general Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, que critica Flávio.
Na noite do primeiro turno, Lula citou Alckmin oito vezes. Disse que ninguém tem autoridade moral para falar de seriedade fiscal a ele e ao vice. Segundo a agência Reuters, no dia seguinte Lula avaliava anunciar Alckmin como ministro da Fazenda em caso de reeleição.
O que dizem os números sobre o eleitor de centro e direita
A rejeição está empatada: 46% dos entrevistados pelo Datafolha dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum, e 45% dizem isso sobre Lula. A pesquisa não mede quantos desses eleitores migrariam para o petista por causa do vice.
Um levantamento anterior do Datafolha, de 8 de outubro, mostrava o tamanho da disputa por esse público. Entre os eleitores de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema no primeiro turno, 46% diziam votar em Flávio, e 32%, em Lula.
Do PSDB ao PSB
Alckmin deixou o PSDB, que ajudou a fundar, em dezembro de 2021, e se filiou ao PSB. Em abril de 2022, Lula formalizou a chapa com o antigo adversário. Em 2018, quando disputou a Presidência pelo PSDB, o ex-governador paulista terminou em quarto lugar, com menos de 4,8% dos votos.
No terceiro mandato de Lula, Alckmin acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Tornou-se um dos principais interlocutores do governo com os Estados Unidos após o tarifaço de Donald Trump.
Processos da Odebrecht foram arquivados ou encerrados
Em 2020, o Ministério Público de São Paulo denunciou Alckmin por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa dois. A Promotoria afirmou que ele recebeu R$ 11,3 milhões não declarados da Odebrecht nas campanhas ao governo paulista de 2010 e 2014.
A ação penal foi encerrada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou ilícitas as provas obtidas nos sistemas da empreiteira. Com base nesse entendimento, o ministro Dias Toffoli arquivou, em outubro de 2024, a ação de improbidade sobre os repasses de 2014. Em março de 2022, a Justiça Eleitoral já havia arquivado um inquérito aberto a partir da delação de um ex-presidente da Ecovias, por falta de provas que sustentassem o relato. Alckmin nega ter recebido doações ilegais.
Patrimônio declarado
Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alckmin declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões. A maior parte está em aplicações financeiras e previdência privada. A declaração inclui ainda um apartamento em São Paulo e imóveis em Pindamonhangaba, cidade natal do vice.
Serviço
O segundo turno é neste domingo (25), em todo o país. As urnas funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília, que vale também no Rio Grande do Sul. Quem não votar precisa justificar a ausência em até 60 dias, pelo aplicativo e-Título ou em um cartório eleitoral.
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