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Abyei tem 153 mortos em ataque a mercado; Exército sudanês nega alvejar civis

Vítimas foram enterradas em duas valas comuns e cerca de 8 mil pessoas foram deslocadas; em Al-Dibab, outro ataque de drone matou 80 no domingo (18).

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 4 min de leitura

Atualizada 24/10, 04:54 · Entraram o alerta de 12 de outubro do monitor global de fome apoiado pela ONU e o dado de que o PMA tinha US$ 276 milhões para operar no Sudão em 17 de outubro, menos da metade do orçamento do ano anterior.

Estrada de terra com caminhão carregado de pessoas e bagagens, em região afetada pelo conflito. (Foto: ONU)
Foto: Divulgação/ONU

Autoridades de Abyei, região disputada entre Sudão e Sudão do Sul, elevaram para 153 o número de mortos no ataque de drones ao mercado de Amiet, na segunda (19). O balanço anterior era de 73 vítimas, segundo a Reuters. O ministro interino da Informação de Abyei, Yohana Akol Ngor, diz que cerca de 8 mil pessoas foram deslocadas.

O número pode crescer: o incêndio seguia ativo e os corpos ainda eram resgatados, segundo a AP. O Exército sudanês nega ter atingido civis. Um oficial disse à agência que os mortos eram integrantes das Forças de Apoio Rápido (RSF) e contrabandistas de combustível.

Quadro: Abyei tem 153 mortos em ataque a mercado; Exército sudanês nega alvejar civis
Em números · Bairrista

O ataque faz parte de uma onda de bombardeios com drones que matou mais de 160 pessoas em várias regiões do Sudão, segundo médicos e grupos de direitos humanos ouvidos pela Al Jazeera. Esse número foi divulgado antes da revisão do balanço de Abyei. O ataque mais letal da onda atingiu um ponto próximo a um mercado em Al-Dibab, no estado de Kordofan Ocidental, na noite de domingo (18).

A guerra civil entre o Exército sudanês e as RSF começou em abril de 2023. A ONU calcula que cerca de 13 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, o que as agências humanitárias descrevem como a maior crise humanitária do mundo.

Abyei: balanço dobra e Juba culpa o Exército sudanês

Autoridades de Abyei e do Sudão do Sul atribuem o ataque às Forças Armadas do Sudão. Ngor faz a acusação sem apresentar provas. Juba convocou o embaixador sudanês para protestar. Autoridades do governo sudanês, controlado pelos militares, disseram à Reuters que a RSF atua em partes de Abyei.

O drone também atingiu um depósito de combustível em Amiet. O incêndio provocado pelo ataque ainda queimava na terça (20), segundo uma autoridade local ouvida pela Associated Press, que também falou em muitos feridos.

A ONU, em balanço anterior à revisão local, citou apenas os feridos: drones feriram ao menos 19 pessoas no mercado de Abyei e atingiram vários pontos de Cartum, inclusive uma área perto do aeroporto.

Ponto de transporte foi atingido duas vezes

Em Al-Dibab, 80 pessoas morreram, a maioria moradores que esperavam caminhões para voltar para casa, segundo uma fonte médica e uma testemunha ouvidas pela agência AFP. O morador Ahmed Abakar Wadi disse ter ajudado a enterrar 50 corpos, entre eles o do irmão. Ele relatou que o drone atacou duas vezes, com 10 minutos de intervalo.

Outros 47 feridos foram levados a Al-Mujlad, cidade mais próxima. Trinta deles morreram em consequência dos ferimentos, segundo a fonte médica. A fonte afirmou ainda que outro ataque de drone em Al-Mujlad deixou quatro feridos, que seguem em tratamento. A testemunha falou por internet via satélite, por causa do apagão de comunicações na região.

A administração declarada pela RSF, chamada Tasis, acusa o Exército de ter feito o ataque. Todo o estado de Kordofan Ocidental está sob controle da RSF. Não há confirmação independente de quem lançou o drone.

ONU cobra proteção a civis

O secretário-geral da ONU condenou os ataques sem apontar o autor. O porta-voz Stéphane Dujarric disse que a ONU está alarmada com os ataques que matam civis, inclusive crianças, e interrompem serviços essenciais. Segundo ele, ataques no fim de semana mataram ao menos 19 pessoas, 10 delas crianças, em estados de Darfur e Kordofan. Dujarric também disse que 25 voluntários do Crescente Vermelho Sudanês morreram em serviço desde o início do conflito.

Segundo a ONU, o plano de resposta humanitária para o Sudão está com pouco mais de 43% do financiamento necessário.

Seca do El Niño ameaça colheitas e amplia a fome

A seca e as temperaturas mais altas associadas ao El Niño ameaçam as colheitas no Sudão, que enfrenta obstáculos à produção desde o início da guerra civil, em 2023. Em alerta de 12 de outubro, o monitor global de fome apoiado pela ONU afirmou que a seca agrava o risco de fome em áreas afetadas pelo conflito.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) estima que 350 mil pessoas a mais enfrentarão fome severa até o fim de 2026. A projeção sobe para 1,2 milhão de pessoas adicionais até agosto de 2027, segundo dados que um responsável do programa no Sudão repassou à Reuters.

Para a operação no país, o PMA dispunha de US$ 276 milhões em 17 de outubro, menos da metade do orçamento do ano anterior.

Genebra reúne cerca de 20 países

Representantes de cerca de 20 países se reuniram em Genebra, na Suíça, na quinta (22), para discutir cessar-fogo, acesso humanitário e transição política no Sudão. A ONU estima que 34 milhões de pessoas no país precisam de assistência.

O Unicef relata que ao menos 12 crianças morreram nos últimos dias em dois incidentes, nos estados de Kordofan Ocidental e Cartum. O órgão afirma ainda que ao menos 8 milhões de crianças sudanesas estão fora da escola.

Atualização: entraram o alerta de 12 de outubro do monitor global de fome apoiado pela ONU e o dado de que o PMA tinha US$ 276 milhões para operar no Sudão em 17 de outubro, menos da metade do orçamento do ano anterior, na seção sobre a seca do El Niño.

Saber mais: fontes consultadas (21)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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