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Abiove projeta esmagamento recorde de 66 milhões de t de soja em 2027, alta de 3,8%

Indústria conta com B16 em março, mas o governo ainda não definiu a data; exportação do grão deve recuar 0,8%, para 113 milhões de toneladas.

Por que afeta o RS: O RS é grande produtor e exportador de soja, e a expansão do esmagamento nacional pode influenciar a demanda e a formação de preços do grão gaúcho.

Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: A small clear glass bowl of golden soybean oil sits on a dense bed of dried yellow soybeans, with whole beans scattered in the oil and a war
Ilustração: Bairrista

A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) projeta que as indústrias do país esmaguem 66 milhões de toneladas de soja em 2027, um recorde. O volume é 3,8% maior que o previsto para este ano. A entidade divulgou nesta quinta-feira (22) a primeira estimativa para o próximo ciclo.

Quadro: Abiove projeta esmagamento recorde de 66 milhões de t de soja em 2027, alta de 3,8%
Em números · Bairrista

O RS é um dos maiores produtores de soja do país, e a projeção mexe com o destino do grão: mais soja para as esmagadoras, menos para o porto.

Exportação de grão cai 0,8%

Para 2027, a safra de soja é estimada em 181,617 milhões de toneladas, 0,7% acima das 180,407 milhões projetadas para 2026. Esse número mede produção no campo, não processamento nas fábricas.

As exportações de soja em grão devem ficar em 113 milhões de toneladas, um leve recuo frente às 113,9 milhões estimadas para 2026. Os estoques finais de soja em grão devem fechar 2027 em 8,194 milhões de toneladas.

Nos derivados, a produção de farelo deve chegar a 50,8 milhões de toneladas, alta de 3,8%. A de óleo sobe 3,7%, para 13,27 milhões de toneladas.

B16 ainda depende do governo

A Abiove liga o ritmo do esmagamento à expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. O diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da entidade, Daniel Furlan Amaral, afirmou que a indústria está preparada para o B16, previsto para março.

A data, porém, não está fechada. A mistura atual é de 15%. Quem decide o percentual é o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Um documento do Ministério de Minas e Energia (MME) apontou que, na melhor hipótese, o B16 só poderia ser anunciado em fevereiro de 2027.

A consultoria StoneX diz que não há sinais claros do governo de que o país caminhe nessa direção, apesar da folga na indústria, com ociosidade estimada em 40% para 2027. Com B16, a StoneX calcula demanda de 11 bilhões de litros de biodiesel, 7% acima de 2026. Se a mistura ficar em 15%, as vendas devem crescer 1,2%, para 10,43 bilhões de litros.

O que vem pela frente

A portaria do MME dá ao ministério até 30 de novembro de 2026 para divulgar um cronograma atualizado, com as datas estimadas de conclusão dos testes. Os testes de viabilidade até o B20 devem ser concluídos em fevereiro de 2027. Só depois disso o CNPE pode decidir sobre o B16.

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