Um ano após a Operação Contenção, mortes de 122 pessoas no Rio seguem sem conclusão
Ação nos complexos do Alemão e da Penha tem seis denúncias do MPRJ contra 17 PMs, mas as circunstâncias das mortes ainda não foram esclarecidas.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

A Operação Contenção, a ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, completa um ano nesta quarta (28). Ainda não há conclusão sobre como cada pessoa morreu e quem responde por isso. As investigações das polícias Civil e Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) seguem abertas.
Para o leitor gaúcho, o ponto central é que o caso continua em apuração. O que existe até agora são denúncias contra policiais militares, que ainda não são condenações. O MPRJ já apresentou seis denúncias contra 17 PMs.
O que aconteceu em 28 de outubro de 2025
Mais de 2,5 mil policiais civis e militares começaram a se preparar, ainda de madrugada, para uma operação nos complexos do Alemão e da Penha. Em 29 de outubro, o balanço era de 121 mortos, quatro deles policiais. O número de policiais mortos subiu para cinco em 22 de novembro, com a morte de um agente que estava internado. O total chegou a 122.
As imagens de corpos alinhados em uma rua da Vila Cruzeiro, na Penha, rodaram o mundo. Segundo a polícia, as 117 pessoas que não eram policiais morreram em troca de tiros com os agentes. Moradores e parentes de mortos relataram episódios de tortura e execução.
MPRJ denuncia mais oito PMs
A denúncia mais recente foi divulgada em 9 de outubro. A Auditoria da Justiça Militar do Rio recebeu três denúncias contra oito policiais militares que participaram da operação. As denúncias partem do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e das promotorias junto à Auditoria da Justiça Militar.
O MPRJ também fez um trabalho técnico. Produziu laudos relativos às vítimas e analisou mais de 3.600 horas de gravações das câmeras corporais.
O promotor Fabio Corrêa, coordenador do Gaesp, preside o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) aberto para apurar as mortes dos dias 28 e 29 de outubro. "É uma situação sui generis, como nunca aconteceu na história da segurança pública do Rio de Janeiro", disse o promotor.
Dois casos atípicos seguem sem conclusão
Peritos do MPRJ consideraram atípicos pelo menos dois casos: uma morte por disparos a curta distância e a decapitação de uma vítima. Segundo Corrêa, esses casos não são conclusivos e continuam em apuração, junto com as mortes de civis e de policiais.
O promotor explicou que não foi possível fazer perícia no local do crime, o que dificulta entender o que ocorreu nesses casos. Ele afirmou que o Ministério Público pretende dar respostas definitivas sobre o que aconteceu naquele dia.
Câmeras corporais e reflexos políticos
O MPRJ cobrou do governo fluminense a compra de novas câmeras corporais para a polícia. A aquisição foi uma das demandas do órgão após a operação. A previsão do governo é contratar os novos aparelhos até março de 2027.
A operação também entrou no calendário eleitoral. Três de seus principais protagonistas conquistaram mandatos nas eleições de 2026.
Ato na Penha marca a data
No ato na Penha, a comunidade vai ler uma carta de repúdio. Haverá rodas de capoeira e jongo e um espaço de acolhimento que oferece serviços de saúde e informações. A programação termina com a soltura de balões em memória dos mortos. O MPRJ segue com o PIC aberto, e as denúncias contra os 17 PMs tramitam na Auditoria da Justiça Militar do Rio.
Saber mais
- Agência Brasil – Um ano depois, mortes da Operação Contenção ainda são investigadas
- Blog Luciana Pombo (reprodução Agência Brasil) – falas do promotor Fabio Corrêa
- O Povo – Um ano depois, mortes da Operação Contenção ainda são investigadas
- MPRJ denuncia mais oito PMs (reprodução)
- MPRJ denuncia mais oito PMs (reprodução) – laudos e câmeras
- Agência Brasil – Governo do RJ deverá adquirir câmeras para policiais em março de 2027
- Jornal Daki – Operação com 122 mortos impulsionou eleição de três integrantes da segurança
- Brasil em Folhas – Ato na Penha marca um ano da Operação Contenção
Leia também
Engenheiro agredido após ato político em Santos morre; polícia investiga latrocínio

PF registra 86 casos de possíveis crimes eleitorais no 2º turno; RS não consta na lista

Viatura da PM Rodoviária atinge motociclista de 24 anos na SC-403, em Florianópolis

Câmeras flagram atropelamento que matou homem de 64 anos em Carazinho

Mais lidas
1Alcolumbre e Motta pedem reconhecimento do resultado das urnas em coletiva no TSE2Flávio Bolsonaro vira e tem 50,24% a 49,76% de Lula com 17,20% das urnas3Milei compartilha post que compara Lula a Maduro e acusa fraude sem provas no 2º turno4EWZ cai até 19,6% em Nova York após reeleição de Lula; B3 só reabre na segunda5Vicentinho Júnior (PSDB) é eleito governador do Tocantins com cerca de 64% dos votos