Tempestades de calor passam de 5 para 102 por ano no mundo, aponta análise da Reuters
O maior evento durou 367 dias entre 2023 e 2024 e alcançou quase 85% do globo; no RS, o Inmet já emitiu alerta vermelho de calor em 2026.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

TÍTULO: Tempestades de calor passam de 5 para 102 por ano no mundo, aponta análise da Reuters
TEXTO: As ondas de calor gigantes, que cobrem ao menos 1% do planeta, ficaram cerca de 20 vezes mais frequentes em seis décadas. Uma análise da agência Reuters, divulgada na terça (20), contou cerca de cinco eventos ativos por ano nos anos 1960 e cerca de 102 por ano nesta década. A agência batizou esses eventos de "tempestades de calor".
Para o gaúcho, o número ajuda a entender um calor que já aparece no calendário do Estado. Em 2026, o Inmet emitiu alerta vermelho para uma onda de calor em municípios do RS, de Santa Catarina e do Paraná. O aviso valeu de terça (3) a sexta (6) de fevereiro e abrangeu mais de 500 municípios do Sul.
Como a Reuters chegou aos números
A Reuters consultou duas dezenas de pesquisadores do clima e analisou as temperaturas de cada hora de cada dia desde 1960. Para a agência, uma onda de calor comum é uma sequência de cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente altas. Quando o evento cobre ao menos 1% da superfície terrestre no pico, área equivalente a cerca de metade do Canadá, ele vira tempestade de calor.
O limite de temperatura é local e sazonal: conta o que está entre os 10% mais quentes de cada lugar e época, tendo como referência o período de 1961 a 1990. O termo foi criado pela Reuters para a reportagem e não é uma classificação meteorológica padronizada.
O maior evento identificado, chamado de Vera, durou 367 dias, de 29 de julho de 2023 a julho de 2024. Ao longo desse período, passou por áreas que somam quase 85% do globo, mas isso não quer dizer que tudo isso esteve sob calor extremo ao mesmo tempo.
Mortes e emissões
Segundo a Reuters, uma tempestade de calor causou o calor mortal do verão europeu deste ano. Governos da Europa estimaram mais de 10 mil mortes a mais em uma única semana. Na peregrinação do Hajj, na Arábia Saudita, o evento de 2023-2024 elevou a temperatura em Meca a 51,8°C, e mais de 1.300 peregrinos morreram.
James Renwick, professor de geografia física da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, afirmou que "o calor é o maior assassino das mudanças climáticas". Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade de Yale, lembrou que se estima que o calor mate quase meio milhão de pessoas por ano.
Pelos cálculos da agência, o dióxido de carbono na atmosfera subiu mais de 30% dos anos 1960 até esta década. No mesmo período, a fatia média do planeta coberta por ondas e tempestades de calor aumentou mais de 12 vezes. Uma sequência iniciada em 6 de julho de 2008 não parou: há mais de 18 anos, pelo menos uma tempestade de calor atinge o planeta.
O critério do Inmet é outro
No Brasil, o Inmet usa uma régua diferente da Reuters. O instituto trata como onda de calor uma sequência de pelo menos cinco dias com máximas 5 °C ou mais acima da média climatológica. A primeira onda de calor da primavera, que começou em 26 de setembro, deveria atingir partes do Rio Grande do Sul.
Para os próximos meses, a previsão sazonal aponta chuva acima da média no Sul entre outubro e dezembro. Reportagem publicada na quarta (21) informa que o Cemaden revisou para baixo a estimativa de ondas de calor no Brasil em 2026. Isso é uma tendência da estação e não um alerta de calor para o RS.
Serviço
A Reuters mantém um painel on-line, o Heat Storm Tracker, que nomeia e acompanha as tempestades de calor em tempo real. Os avisos de onda de calor para o RS saem no portal do Inmet (portal.inmet.gov.br). Em situação de risco, a Defesa Civil atende pelo telefone 199.
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