Tacuru: dois servidores admitem áudios com ameaça a indígenas, e PF os ouviu
Dos 189 registros divulgados pelo governo, 10 envolvem indígenas e 4 são de Mato Grosso do Sul, segundo o ministro Eloy Terena.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Polícia Federal informou que dois servidores da Prefeitura de Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul, admitiram ter gravado os áudios com ameaças contra indígenas da aldeia Sassoró e disseram que não pretendiam cumprir o que falaram. A informação é do diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, e foi divulgada neste sábado (31).
Os dois foram ouvidos e liberados. A PF não divulgou os nomes. Segundo Freire, eles atribuíram as falas ao consumo de álcool e ao clima político depois do segundo turno. A PF não tratou essas justificativas como conclusão da investigação: são a versão dos investigados.
O que diziam os áudios
As gravações circularam por WhatsApp depois do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. Elas defendiam ações violentas contra moradores da aldeia, de povo Guarani-Kaiowá. Uma delas citava a possibilidade de contaminar a água consumida pela comunidade.
A PF informou que, ao concluir o inquérito, enviará o material ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que vão analisar eventuais responsabilizações.
Os 189 registros são de todo o país
O número de 189 denúncias não se restringe a indígenas nem a Mato Grosso do Sul. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, explicou que o total reúne denúncias de naturezas diferentes, de setembro e outubro.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, fez o recorte. Das 189 denúncias, dez são de casos relacionados a indígenas, e quatro dessas são de Mato Grosso do Sul. Segundo Eloy, o governo vê ligação preliminar com violência política apenas na ameaça de envenenar a água em Tacuru.
Já a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 relatos de ocorrências no estado.
Ministros em Taquapery e Sassoró
Neste sábado, Eloy Terena e Janine Mello estiveram nas aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru. Em Dourados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, participou de reunião sobre a proteção às comunidades. O encontro durou mais de duas horas e reuniu representantes das polícias federais, da Secretaria de Segurança Pública do estado, da Polícia Civil e da Polícia Militar.
O Ministério da Justiça informou que PF, PRF e Força Nacional estão disponíveis no estado, em articulação com as polícias estaduais. Segundo a pasta, as denúncias específicas estão sendo investigadas, e haverá responsabilização conforme a lei. Eloy disse que o monitoramento da qualidade da água será reforçado nas aldeias.
O Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos presta assistência a 90 pessoas no estado, das quais 86 são indígenas, a maioria Guarani e Kaiowá. Segundo o governo, a Força Nacional permanecerá em Mato Grosso do Sul por tempo indeterminado.
O inquérito da PF em Tacuru segue em andamento.
Saber mais: fontes consultadas (6)
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