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Protestos contra custo de vida na França têm 166 prisões e confrontos em várias cidades

Autoridades contaram 140 atos e 32,8 mil pessoas fora de Paris até o meio-dia, enquanto a polícia usou gás lacrimogêneo e canhão d'água.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 10:03 · 2 min de leitura

Manifestação na França contra o custo de vida; foto de Obier, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Foto: Obier / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Manifestações contra o custo de vida e a desigualdade tomaram várias cidades da França neste sábado (17). A polícia disparou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com manifestantes em diversas cidades.

Até o meio-dia, as autoridades haviam registrado 140 atos com 32.800 pessoas fora de Paris e 166 detenções em todo o território nacional.

O pano de fundo é a pressão sobre o orçamento francês. Estudantes e Coletes Amarelos pedem mais gasto público, proteção contra a inflação e reforço nos serviços públicos, sobretudo na educação. A inflação passou de 3% por causa da guerra no Oriente Médio.

O orçamento de 2027 proposto pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu prevê congelar salários do funcionalismo e limitar reajustes de pensões.

Detenções e tensão em Paris, Lyon e Bordeaux

Em Paris, a prefeitura de polícia informou 133 detenções às 14h, a maioria por "grupos formados para cometer violências ou depredações". Foram feitos 1.046 controles preventivos e aplicadas 49 multas. A imprensa francesa relatou que uma agência do escritório de turismo de Lyon foi depredada e incendiada, e a polícia usou canhão d'água na cidade. Em Bordeaux, a manifestação degenerou em confrontos logo após o início.

Em Marselha, manifestantes queimaram lixeiras e patinetes elétricos pela manhã, e a tropa de choque interveio. Lojas de várias cidades tapumaram as vitrines.

O governo atribuiu a violência à "ultraesquerda".

O que Lecornu disse

Nesta quinta (15), Lecornu afirmou que as autoridades temiam distúrbios e descreveu um país cansado, num clima de crise permanente, com guerras, inflação e perda de poder de compra.

Nesta sexta (16), ele mandou montar uma célula de crise para acompanhar os atos em tempo real.

Segundo o premiê, mais de 900 policiais ficaram feridos durante os protestos estudantis.

O movimento nasceu em escolas de Paris e virou uma mobilização nacional.

O governo também é criticado pelo uso de força contra jovens manifestantes.

A inspetoria da polícia investiga pelo menos duas dezenas de denúncias de violência policial. O balanço final do dia, com total de participantes, detidos e feridos, ainda não foi divulgado pelo Ministério do Interior.

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