PM réu por matar ex e os pais dela em Cachoeirinha vai passar por Junta de Saúde da BM
Avaliação, pedida pela defesa, estava marcada para 18 de setembro, foi adiada e segue sem nova data; resultado define se soldado pode ser julgado no Conselho de Disciplina.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 14:05 · 2 min de leitura

O soldado Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, será avaliado pela Junta Policial-Militar de Saúde da Brigada Militar. Ele é réu pelas mortes da ex-companheira Silvana Germann de Aguiar, 48, e dos pais dela, Isail e Dalmira de Aguiar, 69 69 e 70. A informação veio a público nesta sexta (16). O exame foi pedido pela defesa dentro do Conselho de Disciplina aberto contra ele.

O resultado pesa no processo administrativo que pode excluir o soldado da corporação. A Junta deve analisar as condições de Cristiano para responder ao Conselho de Disciplina.
A avaliação estava marcada para 18 de setembro, mas foi adiada e ainda não tem nova data.
O que a Junta vai examinar
A Junta vai verificar se havia alterações psicológicas na época dos fatos, se ele tinha capacidade de entender a ilegalidade das condutas. Também vai avaliar se ele tem condições de acompanhar o procedimento administrativo. Se for considerado apto, o soldado poderá ser julgado pelo Conselho, que pode decidir pela exclusão.
O advogado Marcio Rosano Dias de Souza, que defende o policial na Justiça Militar, diz que o exame está previsto numa determinação da Brigada de 2008. Segundo ele, a regra manda submeter à avaliação os PMs que respondem a Conselho de Disciplina. Souza afirma que o exame deveria ter sido feito antes de o processo andar. O advogado também disse que o pedido não indica suspeita específica sobre a saúde mental de Cristiano e que costuma fazer o requerimento em outros processos disciplinares.
A Brigada informou que Cristiano responde a um Conselho de Disciplina de natureza demissionária.
Segundo a corporação, o rito segue a legislação e garante ao acusado o direito de apresentar defesa e contestar as acusações.
Ele está afastado de todas as atividades policiais, mas continua recebendo vencimentos. Cristiano era soldado da 3ª Companhia do 15º BPM, em Canoas. Está preso no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre. A prisão preventiva vale desde 10 de fevereiro.
Três réus, dois em liberdade
Silvana e os pais desapareceram entre 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha. Os corpos não foram encontrados. A Polícia Civil concluiu o inquérito, com mais de 20 mil páginas.
A Justiça tornou Cristiano réu em 4 de maio, e o Ministério Público também pediu a perda do cargo público.
Ele responde por dois feminicídios, um homicídio qualificado, ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.
A atual esposa dele, Milena Ruppenthal Domingues, é ré por participação nos dois feminicídios e no homicídio, além de ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, furto e falso testemunho. O irmão, Wagner Domingues Francisco, é réu por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa. Os dois respondem em liberdade. A defesa de Cristiano nega envolvimento no desaparecimento da família. A defesa de Wagner afirma que as acusações são unilaterais.
A Brigada Militar não informou nova data para a avaliação da Junta. Enquanto o exame não sai, o Conselho de Disciplina segue em curso, sem decisão definitiva.
Saber mais
- PM suspeito de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar passará por avaliação de saúde
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- Família desaparecida no RS: PM e mais cinco são indiciados (CNN Brasil)
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