PF afirma que Flávio Bolsonaro não é foragido e apura como ele deixou o Brasil
Nota da corporação diz que não há registro oficial de saída do senador, enquanto reportagens apontam um ex-agente israelense no trajeto até a Argentina.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A Polícia Federal (PF) afirmou, em nota divulgada na quarta-feira (28), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não pode ser considerado foragido. Segundo o texto, restrições a documentos de viagem, por si sós, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares. A corporação diz que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais.
A reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida em 1º de novembro, reconstituiu o trajeto e apontou um ex-oficial do serviço de inteligência israelense Mossad, Menachem Booky Halevy, no deslocamento até a Argentina. A PF não citou o ex-agente em nota.

A rota descrita passa por Foz do Iguaçu (PR) e pela fronteira com a Argentina, sem tocar o território gaúcho.
O que a PF disse na nota
Flávio foi intimado na manhã de segunda-feira (26) a entregar passaportes de eventuais outras nacionalidades, o que não ocorreu. Os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil foram cancelados, e um alerta migratório entrou no sistema Sonar.
A PF também esclareceu que não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório. A ausência desse registro, porém, não permite concluir, por si só, que ele continue no país. A investigação corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagens registram que não há mandado de prisão contra o senador.
O que o Fantástico relata sobre o ex-agente
Segundo o programa, que cita documentos do sistema migratório argentino, Halevy entrou no Brasil em 19 de outubro, pelo aeroporto de Guarulhos (SP). Ele estaria em um veículo com Flávio e outras duas pessoas. A reportagem diz ainda que o senador passou três vezes pela Argentina em 40 minutos.
Reportagens situam a travessia em 27 de outubro, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Dali, Flávio e a família teriam seguido em jato particular, com escala em Guayaquil, no Equador. O senador desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28).
O jornal argentino Clarín publicou que agentes dos Estados Unidos teriam assumido parte das operações no aeroporto de Puerto Iguazú. Não há confirmação oficial da Argentina nem dos EUA sobre essa versão. Reportagens brasileiras informam que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos EUA tenha organizado a saída.
Defesa e próximos passos
A defesa de Flávio sustenta que a saída do país não foi cogitada antes. Advogados e aliados se reuniram com ele na segunda-feira (26) para tratar da intimação da PF sobre os passaportes, e ele não mencionou intenção de deixar o país. O senador voltou a justificar a viagem falando em "perseguição ilegal e arbitrária".
A PF segue apurando como Flávio deixou o Brasil e se houve descumprimento das cautelares, sob supervisão do STF. A corporação não informou prazo para concluir a investigação.
Perguntas frequentes
Flávio Bolsonaro é foragido da Justiça?
Não, segundo a nota da PF, restrições a documentos de viagem não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão.
Flávio Bolsonaro tem mandado de prisão?
Não há mandado de prisão contra o senador, segundo reportagens citadas na matéria.
Quem a PF está investigando sobre a saída do país?
A PF apura como Flávio deixou o Brasil e se houve descumprimento das cautelares, sob supervisão do STF, sem prazo para conclusão.
O que aconteceu com os passaportes de Flávio?
Os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil foram cancelados, e ele não entregou eventuais passaportes de outras nacionalidades quando foi intimado.
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