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Pesquisadora diz que Meta teve efeito desestabilizador na eleição, mas não vê intenção

Roberta Braga, do Instituto para a Democracia Digital das Américas, fala em decisões, omissões ou erros da empresa; a Meta nega que tenha agido com parcialidade.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Ícones dos aplicativos Instagram, Facebook e WhatsApp, da Meta, em tela de celular.
Foto: Divulgação/Agência Brasil

A pesquisadora Roberta Braga, fundadora e diretora-executiva do Instituto para a Democracia Digital das Américas, avalia que as ações da Meta tiveram efeito desestabilizador na eleição presidencial brasileira. Em entrevista publicada neste sábado (24), ela afirmou que não acredita que a empresa tenha tentado, de forma deliberada, desequilibrar a disputa. Segundo ela, as ações da empresa tiveram, ainda assim, esse efeito.

A fala chega na véspera do segundo turno, que acontece neste domingo (25). É uma opinião da pesquisadora sobre o peso das plataformas, não uma conclusão comprovada sobre o impacto no voto. A crítica também é de atuação, não de conspiração: Braga não acusa a Meta de ter um plano.

O argumento: centralidade dos produtos

O raciocínio de Braga parte do tamanho da empresa. Facebook, Instagram e WhatsApp são centrais para o debate eleitoral e para a forma como as campanhas mobilizam e alcançam os eleitores. Por isso, as decisões da Meta, a falta delas ou os erros que ela cometa acabam interferindo no processo eleitoral, disse a pesquisadora.

Braga não detalhou, no trecho da entrevista, quais decisões, omissões ou erros tinha em mente. Também não apresentou estudo que meça o efeito desestabilizador. A afirmação se sustenta como avaliação qualitativa.

O que a Meta diz

A empresa nega a acusação de parcialidade. A Meta admite que desativou por engano anúncios da campanha de Lula. A empresa diz que foram incidentes técnicos, também registrados fora do Brasil. O Conselho de Supervisão da própria empresa afirmou que a Meta precisa fazer mais para tornar a moderação em períodos eleitorais transparente e consistente.

A discussão não se restringe à pesquisadora. Em carta, especialistas da ONU apontam restrições à liberdade de expressão nas plataformas da Meta durante a eleição brasileira.

TSE cobra dados das plataformas

A Justiça Eleitoral também entrou no assunto. O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Meta e X apresentem relatórios a cada seis horas até o fim do segundo turno. Os documentos tratam do alcance das publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal. O pedido veio da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A campanha petista acusa os dois de usar as redes para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com informações que considera falsas. Também alega que a Meta favorece esse tipo de conteúdo em seus mecanismos de recomendação. Os relatórios devem informar as visualizações, a origem do público e os mecanismos usados para recomendar os conteúdos.

A ordem vale para todo o país e não tem relação com um episódio específico no Rio Grande do Sul. Nikolas e Marçal não foram localizados para comentar a decisão neste texto.

Serviço

O segundo turno da eleição presidencial acontece neste domingo (25). Meta e X devem entregar um relatório final em até seis horas após o encerramento da votação. As empresas também precisam manter um canal de atendimento prioritário à Justiça Eleitoral na véspera e no dia da eleição.

Perguntas frequentes

Quando acontece o segundo turno da eleição presidencial?

Neste domingo (25), conforme a matéria.

Meta e X precisam entregar relatórios à Justiça Eleitoral?

Sim, a cada seis horas até o fim do segundo turno, e um relatório final em até seis horas após o encerramento da votação.

A Meta admite erro na campanha de Lula?

A empresa admite ter desativado por engano anúncios da campanha de Lula, atribuindo o caso a incidentes técnicos, e nega parcialidade.

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