Nigéria evacua paciente com Ebola; surto na RDC chega a 10.141 casos e quase 5 mil mortes
Esposa de diplomata suíço deixou Abuja nesta segunda (26); na RDC, enfermeira foi morta por manifestantes e colegas ficaram sob proteção policial.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 4 min de leitura
Atualizada 28/10, 14:22 · A ONU, citando o Ministério da Saúde, elevou o balanço do Congo para 10.141 casos e quase 5 mil mortes até segunda (26) e corrigiu o Quênia para nove casos e duas mortes.

Uma paciente com Ebola deixou a Nigéria em voo de evacuação médica na manhã desta segunda (26), informou a emissora Arise TV. Ela é a esposa, nascida em Uganda, de um diplomata suíço lotado em Abuja, a capital nigeriana. É o primeiro caso de Ebola registrado no país em mais de uma década.
Para o leitor gaúcho, o caso interessa como vigilância internacional: a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como emergência de saúde pública de importância internacional, e Quênia e Nigéria registraram casos importados. O destino da paciente não foi informado.

Na República Democrática do Congo (RDC), onde o surto começou, uma enfermeira foi morta e outro profissional de saúde ficou gravemente ferido em um ataque em Bafwasende, na província de Tshopo, no leste do país. A OMS, citada pela Associated Press, situa o episódio no sábado (24). A Reuters, nesta segunda (26), diz que o ataque ocorreu na sexta (23). A equipe respondia a um alerta de Ebola.
A ONU informou que a enfermeira foi morta por manifestantes. Moradores a acusavam, junto a outros agentes de saúde, de contaminar fontes de água e espalhar a doença. A Reuters relata que o colega ferido sobreviveu e se recupera em hospital, e que autoridades de saúde colocaram outros trabalhadores sob proteção policial. A ONU pediu investigação do caso e proteção para os profissionais de saúde. A OMS afirma que ataques a equipes de resposta dificultam o controle da epidemia.
Na sexta (23), o país iniciou o ensaio clínico Tumaini, que vai testar vacinas contra o ebolavírus Bundibugyo. O primeiro participante foi vacinado em Bunia, capital da província de Ituri.
Só uma das três vacinas foi aplicada até agora
Três candidatas serão avaliadas: a Ervebo e vacinas experimentais da Moderna e da Universidade de Oxford, em parceria com o Serum Institute of India. Por enquanto, só a primeira entrou. A Ervebo, da Merck, é licenciada contra a doença causada pelo ebolavírus Zaire. Isso não garante que ela proteja contra o Bundibugyo, a espécie por trás do surto atual.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o ensaio vai mostrar se as vacinas desenhadas para o Bundibugyo funcionam. Enquanto isso, a Ervebo será testada.
O Tumaini é um ensaio adaptativo de fase 2/3, que avalia segurança, imunogenicidade e eficácia de várias candidatas num mesmo protocolo. O método é a vacinação em anel, que recruta pessoas que tiveram contato com casos confirmados. A coordenação é do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo (INRB), com a Universidade de Antuérpia. O estudo tem apoio da OMS, do Ministério da Saúde congolês e da CEPI, coalizão que financia vacinas contra epidemias.
O registro do estudo no ClinicalTrials.gov, atualizado em setembro, estimava a conclusão da coleta principal de dados em abril de 2027. O número de voluntários não foi divulgado.
Surto chega a 10.141 casos e quase 5 mil mortes
O Ministério da Saúde do Congo registrava 10.141 casos até segunda (26), segundo dados citados pela ONU nesta quarta (28). O balanço aponta quase 5 mil mortes. Mais de 2.600 pacientes se recuperaram, e testes e tratamento foram ampliados.
Um dia antes, o instituto de saúde pública do país havia divulgado 10.060 casos confirmados e 4.887 mortes até 25 de outubro, com letalidade de 48,6%. Esse total foi alcançado 165 dias depois da declaração do surto, em maio. Na segunda (26), a Reuters havia citado 9.964 casos.
Até 20 de outubro, a OMS contava 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes, em 66 zonas de saúde de oito províncias da RDC. O surto atinge áreas de difícil acesso, e a transmissão segue alta e sustentada no país.
Já são cinco os países com casos registrados. No Quênia, são nove casos e duas mortes, todos ligados ao primeiro caso do país, segundo a ONU. A Nigéria confirmou um caso importado em Abuja em 20 de outubro. Não existe vacina nem tratamento aprovado para o Bundibugyo.
As duas candidatas específicas para o Bundibugyo, de Oxford e da Moderna, devem entrar na plataforma depois de mais desenvolvimento e de autorização das autoridades regulatórias congolesas.
Ministros da Saúde de países africanos devem discutir a resposta ao surto em uma cúpula virtual na quarta (28).
Atualização: a ONU, citando o Ministério da Saúde do Congo, informou 10.141 casos e quase 5 mil mortes até segunda (26), e passou de uma para duas as mortes no Quênia, que soma nove casos.
Saber mais: fontes consultadas (16)
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