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Motta monta blocão e pode empurrar o PL da 1ª para a 16ª escolha nas comissões

PT e PSOL-Rede ainda não decidiram se entram no grupo; o PL tem 121 cadeiras, a maior bancada de um partido desde a Constituinte.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Reunião de comissão na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Foto: Divulgação/Agência Câmara

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula um bloco com partidos do Centrão e da esquerda para se reeleger no comando da Casa em fevereiro de 2027. Se o grupo chegar a pelo menos 17 partidos, o PL poderia cair da primeira para a 16ª escolha na hora de pedir as presidências das comissões. A simulação é de técnicos do Congresso e foi divulgada nesta sexta (23) pelo g1.

Para o RS, a conta atinge em cheio a maior bancada do estado. O estado terá 31 deputados federais a partir de 2027, e a maior bancada gaúcha é justamente a do PL, com oito. O PT elegeu cinco; o PP, quatro; o MDB, três; Podemos, PSD e Republicanos, dois cada; PSOL, PCdoB, Novo, PDT e União, um cada.

PT decide apoio depois do segundo turno

A articulação não está formalizada. Motta tem apoio declarado de dez siglas do Centrão, do PDT, do PSB e do PV, e sinalização favorável do PT. O PT deve decidir na semana que vem, depois do segundo turno da eleição presidencial. A federação PSOL-Rede também vai reunir a bancada nesse período.

Um dos pontos que pesam para o PSOL é a mudança do sistema eleitoral. O Centrão defende trocar o modelo proporcional pelo distrital misto, e o PSOL rejeita a proposta. Não há acordo anunciado sobre o tema.

Parte do bloco já existe. União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos decidiram manter a aliança na próxima legislatura. Juntos, somam 245 dos 513 deputados eleitos para 2027. A decisão foi anunciada no dia 14.

Tamanho do bloco define a ordem das escolhas

Pelas regras da Câmara, os partidos com mais cadeiras têm prioridade para pedir as presidências de comissões e as vagas da Mesa Diretora. A Mesa tem a presidência, duas vice-presidências, quatro secretarias e quatro suplências. Quando há blocos, vale o tamanho do bloco, não o de cada partido.

Hoje, sozinho, o PL teria direito às três primeiras escolhas. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse à GloboNews que a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ, era uma de suas ambições. Com o blocão de 17 partidos, as 15 primeiras escolhas ficariam com o PT ou com legendas do Centrão. O PL manteria sete comissões, mas poderia ficar com colegiados menos prestigiados.

PL pode ser forçado a entrar

Se o PL entrar no bloco, seria o maior partido do grupo e manteria a preferência. Foi essa conta que levou Arthur Lira (PP-AL) e o próprio Motta, na primeira eleição dele para a presidência, a formar um bloco que ia do PT ao PL.

Interlocutores do PL dizem que a decisão sobre integrar o bloco só sai mais adiante. O foco inicial do partido é a presidência do Senado, onde desafia o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).

Bloco deve ser oficializado no início da legislatura

O cálculo definitivo depende da oficialização do bloco, prevista para o início da próxima legislatura. Os deputados eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. A eleição para a presidência da Câmara está prevista para fevereiro, e a decisão de PT e PSOL-Rede deve sair na semana que vem.

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