Medidas do governo somam R$ 55,8 bi em 2027, calcula BTG; IFI vê déficit de R$ 86,1 bi
Reajuste do Bolsa Família, Desenrola 3, Pé-de-Meia ampliado e fim das bets entram em um Orçamento que a IFI considera otimista e que prevê contingenciamento de R$ 35,7 bilhões.
Por que afeta o RS: Reajuste do Bolsa Família, perdão de dívidas de MEIs e Desenrola 3 atingem beneficiários e contribuintes no estado, e o risco de inflação e juros altos pesa sobre a economia gaúcha.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 22:53 · 2 min de leitura

As medidas do governo Lula devem ter impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027, segundo o BTG Pactual. A conta inclui o reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets e o Desenrola 3.0. O Orçamento do próximo ano ainda tramita no Congresso e, para a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, parte de uma projeção de superávit que não fecha.
O Rio Grande do Sul recebe transferências do Bolsa Família, e os juros altos encarecem financiamento no estado. O reajuste de 15% do benefício médio do Bolsa Família vale desde outubro .
, segundo a IFI.
O que cada medida custa
O BTG detalha o impacto das medidas em seu relatório de cenário de outubro:
Bolsa Família: R$ 22,9 bilhões em despesas adicionais em 2027 . O governo estima R$ 5,8 bilhões em 2026 . O reajuste é de 15%.
Desenrola 3.0:
Pé-de-Meia: R$ 6,3 bilhões para a expansão, de 4,6 milhões para cerca de 7 milhões de estudantes em 2027.
Fim das bets: perda de receita que o BTG estima em R$ 14,7 bilhões em 2027 .
IFI vê déficit onde o governo prevê superávit
A IFI estima déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, enquanto o governo projeta superávit de R$ 18,6 bilhões no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A diferença é de R$ 104,8 bilhões e, segundo a instituição, vem sobretudo das premissas macroeconômicas.
O governo trabalha com crescimento de 2,5% do PIB e inflação de 3,6%. A IFI projeta 1,8% e 4,0%. Para cumprir a meta fiscal, a IFI calcula que seria preciso contingenciar R$ 35,7 bilhões .
O PLOA 2027 está em tramitação no Congresso.
O governo afirmou que pretende fazer remanejamentos sem ampliar o limite global de gastos.
O BTG vê espaço para acomodar as medidas nas regras fiscais, mas avalia que o pacote aumenta a rigidez do orçamento e dificulta o ajuste necessário para estabilizar a dívida. O banco também aponta que não está claro se os desembolsos do Desenrola serão contabilizados no limite de gastos e na meta fiscal.
O reajuste do Bolsa Família vale desde a folha de outubro. O Orçamento de 2027 segue em votação no Congresso, onde o governo terá de indicar de onde virão os recursos para as novas despesas.
Saber mais
- Money Times (estimativa do BTG Pactual)
- Poder360 (Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI)
- Instituição Fiscal Independente (Senado)
- Brasil em Folhas (IFI e PLOA 2027)
- Brasil em Folhas (IFI, dívida e juros)
- InfoMoney (IFI e premissas do PLOA)
- Mixvale (reajuste do Bolsa Família)
- Istoé Dinheiro (piso do Bolsa Família)
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