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Lula leva mãe de Ana Clara ao debate da Globo; TSE suspendeu impulsionamento de vídeo

Ministro André Mendonça atendeu a pedido de Flávio Bolsonaro e proibiu a campanha petista de pagar para espalhar o vídeo "Flávio defendeu assassino de criança", sob multa de R$ 10 mil.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Atualizada 24/10, 06:06 · A decisão de Mendonça também diz que o depoimento da mãe e os trechos do debate no vídeo não afastam a irregularidade do impulsionamento pago; o protesto foi no TSE, onde ele é vice-presidente.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
Foto: Divulgação/Enfoco

A campanha do presidente Lula (PT) levou Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara Gomes Machado, ao debate da TV Globo na sexta-feira (23), no Rio. Ela foi uma das 20 convidadas de Lula e sentou na primeira fila, ao lado do ex-deputado Marcelo Freixo e do vice-presidente Geraldo Alckmin. O caso envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno, que atuou na defesa do policial acusado da morte da criança.

Era o último encontro entre os dois candidatos antes da votação de domingo (25), quando eleitores de todo o RS escolhem o presidente. Dois dias antes, o TSE havia limitado a divulgação paga de um vídeo da campanha petista sobre o tema.

O que decidiu o TSE

O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou a Meta Brasil suspender o impulsionamento de posts da campanha de Lula que ligam Flávio ao caso Ana Clara. A decisão, publicada na quarta-feira (21), atendeu a um pedido da defesa de Flávio.

A peça tem 2 minutos e 28 segundos e se chama "Flávio defendeu assassino de criança". Mendonça também proibiu a campanha de contratar novas divulgações pagas do vídeo, com multa de R$ 10 mil por novo impulsionamento.

Na fundamentação, o ministro afirmou que o material não traz conteúdo promocional autônomo da candidatura de Lula e se dirige à crítica e à desqualificação do adversário. "A mensagem publicitária dirige-se essencialmente à crítica e à desqualificação do candidato adversário", escreveu. Ele disse que não era necessário, naquele momento do processo, julgar se as afirmações são verdadeiras.

Mendonça também tratou do depoimento de Cristiane, que aparece no vídeo. Para ele, "a circunstância de o material reproduzir manifestações proferidas em debate eleitoral e depoimento de familiar da vítima não afasta, por si só, a irregularidade do impulsionamento remunerado".

Na sexta, cerca de 100 pessoas protestaram em frente ao TSE, em Brasília, contra a decisão. A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Maria das Neves Filha, chamou a medida de censura. "Devemos denunciar essa censura flagrante à nossa democracia. Vamos tomar as medidas cabíveis para fazer com que a justiça prevaleça nesse caso", disse. A entidade pretende contestar a decisão.

O papel de Flávio e o debate

Lula questionou Flávio sobre um recurso apresentado ao STJ em 2024 para tentar evitar que o policial fosse a júri popular. O senador atuou de graça na defesa do suspeito. O STJ rejeitou o pedido, e o júri está previsto para 5 de maio de 2027.

O policial militar Bruno Dias Delaroli é acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ter feito o disparo que matou Ana Clara. A menina tinha cinco anos. Ela foi atingida em 2 de fevereiro de 2021, quando brincava na frente de casa com o irmão de dois anos, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói. Ela morreu no Hospital Estadual Azevedo Lima.

No debate, Lula levantou o caso durante a discussão sobre ensino integral. Flávio respondeu dirigindo-se à mãe, mas a chamou pelo nome da filha, Ana Clara. Ele disse que deixava sua solidariedade e afirmou que havia troca de tiros. Sobre o policial, declarou: "Eu tenho a confiança que não foi esse policial". O Ministério Público contesta essa versão e responsabiliza o agente pelo disparo.

O tema já havia aparecido no debate da Band, no domingo (18). Ali, Flávio defendeu sua atuação como advogado e disse que Lula não pode criminalizar a advocacia. Antes do debate da Globo, Cristiane disse em vídeo divulgado por Freixo: "Já que ele nunca me procurou, eu vim até ele".

Serviço

O segundo turno da eleição presidencial é neste domingo (25). A votação nas seções do RS vai das 8h às 17h, no horário de Brasília. O júri de Bruno Dias Delaroli está marcado para 5 de maio de 2027.

Atualização: entrou o trecho da decisão em que Mendonça afirma que o depoimento da mãe e as falas do debate reproduzidas no vídeo não afastam a irregularidade do impulsionamento pago, além da citação completa da presidente da UBM e da informação de que o protesto ocorreu no TSE, onde o ministro é vice-presidente.

Perguntas frequentes

Quando é a votação do segundo turno no RS?

Domingo (25), das 8h às 17h, no horário de Brasília.

Quando será o júri de Bruno Dias Delaroli?

Está marcado para 5 de maio de 2027.

Quanto é a multa por novo impulsionamento do vídeo?

R$ 10 mil por novo impulsionamento, conforme a decisão de André Mendonça.

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