Lula diz que pobre não pagará ajuste fiscal; dívida bruta está em 82,9% do PIB
Presidente afirma que o governo tem responsabilidade fiscal, mas não apresentou medidas de contenção de gastos; juros da dívida pesam no ano.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta (6), em Brasília, que o governo tem responsabilidade fiscal e que a população pobre não pagará a conta de um eventual ajuste. A declaração veio depois de reunião do Conselho Nacional de Política Energética. O governo não anunciou medidas específicas para conter despesas.
A discussão chega ao bolso de quem vive no Rio Grande do Sul pelos juros, pelo câmbio e pelo crédito. A dívida bruta do governo geral inclui, além da União e do INSS, os governos estaduais e municipais, o que coloca as contas do RS e das prefeituras gaúchas dentro do indicador. Quanto maior a desconfiança do mercado com a trajetória das contas, maior tende a ser a pressão sobre o custo do dinheiro para famílias e empresas.
O que mostram os números do Banco Central
A dívida bruta do governo geral ficou em 82,9% do PIB em setembro de 2026, igual a agosto, segundo o Banco Central. O endividamento chegou a R$ 11,1 trilhões.
Apesar da estabilidade no mês, a dívida bruta acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB em 2026. Segundo o BC, a elevação ao longo do ano foi impulsionada principalmente pela incorporação dos juros nominais, que somaram 7,2 pontos percentuais. Em setembro, os resgates líquidos de dívida e o crescimento do PIB nominal reduziram a relação em 0,4 ponto percentual cada, compensando os juros.
Juros foram o principal motor da alta no ano
O próprio BC calcula a sensibilidade da dívida a essas variáveis. Uma redução de 1 ponto percentual na Selic diminuiria a dívida bruta em R$ 64,9 bilhões. Uma desvalorização de 1% do real elevaria a dívida bruta em R$ 9,7 bilhões. Ou seja, juros altos encarecem o crédito de quem toma empréstimo no RS e, ao mesmo tempo, aumentam o custo da dívida pública.
O governo estuda remanejar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027. O Palácio do Planalto não detalhou, até agora, quais despesas poderiam ser contidas nem quando eventuais medidas seriam anunciadas.
O Banco Central divulga os números da dívida todo mês no relatório Estatísticas Fiscais. O próximo trará os dados de outubro, e a série completa fica disponível no site do BC, em bcb.gov.br.
Perguntas frequentes
A dívida bruta do governo aumentou em 2026?
Sim. Acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB no ano, impulsionada principalmente pelos juros nominais, que somaram 7,2 pontos.
Quanto a Selic afeta a dívida pública?
Uma redução de 1 ponto percentual na Selic diminuiria a dívida bruta em R$ 64,9 bilhões, segundo o Banco Central.
Quando sai o próximo dado da dívida?
O Banco Central divulga o relatório Estatísticas Fiscais todo mês; o próximo trará os dados de outubro, disponíveis em bcb.gov.br.
O governo já anunciou quais gastos vai cortar?
Não. O governo estuda remanejar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027, mas não detalhou quais despesas seriam contidas nem quando.
Saber mais: fontes consultadas (2)
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