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Lula aposta em crescimento para ajustar contas; Flávio propõe vender imóveis da União

Dívida pública chegou a 82,5% do PIB em julho, e os dois candidatos do segundo turno apresentaram caminhos opostos para as contas federais.

Por que afeta o RS: Medidas como o fim da escala 6x1, o Desenrola e o reajuste do Bolsa Família valem para trabalhadores e famílias do RS.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 12:40 · 3 min de leitura

Ilustração: foto de divulgação dos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro tratando das contas públicas nas sabatinas da TV Globo.
Foto: Divulgação/g1.globo.com

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) detalharam seus planos para as contas públicas nas sabatinas da TV Globo, nesta quinta (15) e nesta sexta (16). Lula afirmou que o jeito de resolver o problema fiscal é fazer a economia crescer. Flávio prometeu cortar ministérios e vender imóveis da União.

Quadro: Lula aposta em crescimento para ajustar contas; Flávio propõe vender imóveis da União
Entenda em um quadro · Bairrista

O debate pesa no bolso de quem vive no RS: o Desenrola, o reajuste do Bolsa Família e o fim da escala 6x1 valem para trabalhadores e famílias gaúchas, e dependem de como o governo fecha as contas. O segundo turno é em 25 de outubro.

Lula descarta corte e defende crescimento

A pergunta partiu da jornalista Renata Lo Prete, que lembrou o aumento da dívida. A dívida subiu cerca de 10 pontos percentuais no governo Lula e chegou a 82,5% do PIB em julho, segundo o Banco Central.

Lula discordou da avaliação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Galípolo disse que o crescimento baseado em estímulo ao consumo está esgotado e que a saída é a produtividade.

O dirigente também indicou que a queda dos juros depende de cortes substanciais de despesas.

O presidente respondeu que o ajuste não deve recair sobre os mais pobres. Ele disse que mais endividamento se justifica se o dinheiro for para investimentos produtivos, como ferrovias, hidrelétricas e portos. Lula também defendeu um Orçamento de 2027 com superávit primário de 0,1% do PIB. O projeto de lei orçamentária enviado pelo governo prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, conforme o Ministério do Planejamento.

A projeção da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda para o PIB de 2027 é de alta de 2,3%. No Prisma Fiscal de outubro, a mediana das estimativas de mercado para 2027 é de R$ 3,396 trilhões em receitas federais e R$ 2,750 trilhões em receita líquida do Governo Central.

Desenrola e anistia a MEIs

Lula citou as três edições do Desenrola e uma medida provisória na Câmara. Ela prevê um leilão em que a União compraria dívidas com mais de dois anos e até R$ 4.000. Ele disse esperar descontos de 90% a 95% e afirmou que nada disso mexe no espaço fiscal.

O presidente também mencionou a anistia de R$ 12,7 bilhões em dívida ativa de microempreendedores individuais (MEIs). O Ministério do Empreendedorismo informa, no FAQ do Prospera MEI, o cancelamento de R$ 12,6 bilhões em débitos federais de cerca de 3,6 milhões de MEIs. Já o Desenrola MEI envolve dívidas privadas estimadas em R$ 6 bilhões, com desconto mínimo de 90% exigido dos bancos.

Flávio propõe cortes, imóveis e petróleo

Flávio disse que o maior ajuste fiscal que o país pode fazer é tirar Lula do poder. Ele propôs cortar ao menos 10 dos 39 ministérios e combater corrupção e má gestão nas estatais.

O próprio candidato admitiu que a extinção de ministérios, sozinha, não alcança a economia prometida.

Para chegar a cerca de R$ 200 bilhões, ele citou a União, dona de cerca de 30 mil imóveis avaliados em R$ 1,7 trilhão. Propôs reuni-los em um fundo de gestão e securitização. Estimou ainda um corte de até R$ 24 bilhões por ano em verbas indenizatórias e penduricalhos dos três poderes. Flávio rejeitou privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.

Ele também mencionou R$ 100 bilhões com petróleo da Margem Equatorial, mas a Petrobras não prevê produção antes de 2033.

A venda de imóveis públicos já foi defendida por Paulo Guedes, que em 2019, como ministro da Economia, projetou até R$ 1 trilhão com a alienação.

O segundo turno da eleição presidencial acontece no domingo, 25 de outubro, e a votação segue o horário oficial do TSE em todo o RS.

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