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Le Pen lança campanha diante de 8,5 mil e promete 'restabelecer o Estado de Direito'

Favorita nas pesquisas, com até 38% no primeiro turno, a líder da extrema direita discursou em Orléans após protestos que terminaram com 1.314 detenções.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Atualizada 25/10, 15:09 · O comício ocorreu com cerca de 8.500 apoiadores (e não 10 mil), Le Pen prometeu "restabelecer o Estado de Direito", e o Ministério do Interior detalhou o balanço de sábado: 1.314 detenções, 53 agentes feridos e 24 comércios saqueados.

Foto: Le Pen lança campanha em Orléans para 10 mil, após protesto com 1.300 detidos
Foto: Jorge Jaramillo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A deputada Marine Le Pen, do Rassemblement National (RN), lançou neste domingo (25) a campanha à Presidência da França. Em Orléans, ela discursou para cerca de 8.500 apoiadores do partido e prometeu "restabelecer o Estado de Direito". A eleição está marcada para abril e maio de 2027.

O comício aconteceu no meio de uma crise social. Na véspera, centenas de milhares de pessoas marcharam em cidades francesas contra a alta do custo de vida, em atos na maioria pacíficos, com esquema de segurança reforçado em relação ao fim de semana anterior. O Ministério do Interior informou 1.314 detenções, 53 agentes de segurança feridos e 24 comércios saqueados. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu boa parte da violência a extremistas da "ultraesquerda".

O que Le Pen prometeu

"O que propomos para o País não é um retorno ao passado, mas o amanhecer de uma nova era", afirmou a candidata, de 58 anos, entre gritos de "Vamos vencer!" e "Macron, renuncie!". Ela também prometeu preservar a identidade cultural francesa, da língua às tradições, e disse: "Queremos que a França recupere sua força".

Le Pen acusou o governo do presidente Emmanuel Macron de fraqueza diante dos distúrbios. "Quem pode afirmar que existe um Estado de Direito quando hordas vêm saquear e incendiar nossos edifícios?", perguntou.

Na imigração, prometeu endurecer as leis em nível nacional e europeu. "Restabeleceremos nossas fronteiras, uma dupla fronteira: uma francesa e outra europeia", disse. Também afirmou: "A nacionalidade francesa voltará a ser um privilégio que se herda ou se merece".

Se vencer, ela promete ainda reforçar a segurança, expulsar estrangeiros e reformar a Constituição por referendo. Não descarta um "braço de ferro" com a União Europeia e critica a Otan e o apoio francês à Ucrânia contra a invasão russa. O mote, divulgado pelo comitê, é "Pour la France, la renaissance", ou "Pela França, o renascimento". Segundo a AFP, ela diz não querer "endurecer o tom".

Favorita, mas com 15% a convencer

Le Pen lidera todas as pesquisas para suceder Macron, que não pode se candidatar de novo. Ficaria muito à frente no primeiro turno, com até 38% dos votos, e venceria o segundo turno contra qualquer adversário testado. O principal rival, Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, esquerda radical, perderia por larga margem, por causa da baixa transferência de votos. O RN se beneficia da fragmentação do centro e do desgaste dos partidos tradicionais.

Ela ainda precisa convencer os 15% de eleitores que lhe faltam para chegar ao poder.

Antes dela, o presidente do partido, Jordan Bardella, de 31 anos, foi recebido com ovação. Integrantes de uma organização estudantil judaica interromperam brevemente sua fala com uma faixa sobre mensagens antissemitas que ele teria escrito na juventude. Bardella nega as acusações.

Ruas divididas em Orléans

O congresso do RN durou dois dias. No sábado (24), milhares de pessoas marcharam em Orléans num protesto pacífico contra a extrema direita. A polícia calcula 13 mil manifestantes, e os organizadores estimam o dobro. Outro ato antifascista foi convocado para a periferia sul da cidade neste domingo, e a polícia filtrou o trânsito na entrada de Orléans.

"Um dos riscos de o Reagrupamento Nacional chegar ao poder, para além de suas políticas, é o clima que poderia gerar", disse à AFP a professora de ioga Antonine Rochet, de 35 anos. Entre os apoiadores, Charlene Malingre afirmou à AFP que está cada vez mais preocupada com a insegurança. "Acredito que Marine Le Pen pode salvar a França da situação atual", disse.

A onda de protestos deve continuar: sindicatos e os "coletes amarelos" prometem manter as marchas nas próximas semanas. O fim de semana anterior deixou prédios públicos vandalizados, centenas de lojas saqueadas e 2.700 presos, segundo a AFP.

Atualização: a matéria foi atualizada após o comício, com o número de presentes (cerca de 8.500, abaixo dos 10 mil previstos), as falas de Le Pen, o balanço do Ministério do Interior sobre os protestos de sábado (1.314 detenções, 53 agentes feridos, 24 comércios saqueados) e os números das pesquisas. O bloco Serviço, sobre horário e inscrição, saiu porque o evento já ocorreu.

Saber mais: fontes consultadas (5)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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