Lavouras gaúchas com diversificação e cobertura colhem até 76% acima da média do RS
Estudo do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da USP, feito em lavouras do estado, aponta que plantas de cobertura funcionam como amortecedor contra seca e enchente.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Pesquisadores da USP testaram em lavouras do Rio Grande do Sul um manejo que combina variedade de culturas e solo sempre coberto por vegetação. Nos sistemas mais complexos, a produtividade chegou a ficar até 76% acima da média estadual. Áreas com plantio contínuo e uma única cobertura ficaram 8% acima, com oscilação de 33% a 39% entre safras. O período avaliado vai de 2022 a 2025, marcado por secas e pela enchente de 2024.
Para o produtor gaúcho, o dado vem de lavouras comerciais do próprio estado. O modelo tradicional, segundo o estudo, sofreu grandes quedas na colheita por causa dos extremos climáticos. O resultado sugere que o manejo pode reduzir oscilações em safras de estiagem ou de chuva demais.
Estudo avaliou 13 experimentos em propriedades do RS
A técnica foi testada por pesquisadores do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da Universidade de São Paulo. Os resultados foram apresentados na FAPESP Week Países Baixos e divulgados pela Agência FAPESP.
Foram 13 experimentos conduzidos por agricultores em propriedades comerciais, ao longo de três safras. Entre as culturas comerciais estavam soja, milho, trigo e canola, combinadas com plantas de cobertura como aveia-preta, centeio, ervilhaca e nabo-forrageiro.
Solo com raízes variadas guarda mais água
As análises indicaram maior capacidade de armazenamento de água no solo com diversificação, independentemente do teor de argila. O professor Maurício Roberto Cherubin, da Esalq-USP, afirmou que manter plantas vivas e cobertura vegetal ao longo do ano ajuda a conservar o solo saudável e funcional.
O estudo também registra o custo de ajuste em ano extremo. Nas enchentes de 2024, quase metade (44%) dos agricultores que adotavam a diversificação precisou mudar os planos. Ou seja, o manejo não elimina a necessidade de replanejar a safra quando a água sobe.
A reportagem completa está no site da Agência FAPESP.
Perguntas frequentes
O que é a diversificação com plantas de cobertura?
Combina variedade de culturas comerciais, como soja, milho, trigo e canola, com solo sempre coberto por plantas como aveia-preta, centeio, ervilhaca e nabo-forrageiro.
Quanto a produtividade subiu com esse manejo?
Nos sistemas mais complexos, a produtividade chegou a ficar até 76% acima da média estadual; áreas com plantio contínuo e uma única cobertura ficaram 8% acima.
Onde foi feito o estudo?
Em 13 experimentos conduzidos por agricultores em propriedades comerciais do Rio Grande do Sul, ao longo de três safras entre 2022 e 2025.
Esse manejo evita perdas em enchentes?
Não elimina a necessidade de replanejamento: nas enchentes de 2024, 44% dos agricultores que adotavam a diversificação precisaram mudar os planos.
Saber mais: fontes consultadas (1)
Do interior do RS
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