Justiça mantém suspensão da tirzepatida manipulada em Urupês, no interior de SP
Programa municipal chamado de "Bolsa Mounjaro" atendia cerca de 400 pacientes e tem multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A Justiça de São Paulo manteve a suspensão das aplicações de tirzepatida manipulada na rede pública de Urupês, cidade do interior paulista. Na terça (3), a Justiça negou o pedido da prefeitura para reverter a medida. A prefeitura anunciou que vai recorrer de novo.
Urupês fica em São Paulo, não no Rio Grande do Sul, e o programa não tem relação com serviços de saúde gaúchos. O termo apareceu entre as buscas no RS por causa do apelido que o caso ganhou nas redes: "Bolsa Mounjaro".
O que a Justiça decidiu
A ação foi movida pela Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. A decisão é provisória e foi tomada em primeira instância. As fontes consultadas não informam a vara, o número do processo nem a data da liminar.
Os pacientes não recebiam a caneta Mounjaro. O programa usava tirzepatida preparada em farmácia de manipulação, aplicada por profissionais nas unidades de saúde. A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento da Lilly.
A Lilly questionou na Justiça as compras repetidas de frascos de 60 mg e 63 mg, tratados como "frascos padronizados". A empresa afirma que o modelo, com produto padronizado e em larga escala por decreto, é incompatível com as regras e expõe a saúde a riscos graves.
A Justiça não considerou provado, nesta fase, que os frascos eram preparados para pacientes determinados. Isso é um fundamento provisório, não uma conclusão final sobre irregularidade.
O que muda para pacientes e prefeitura
A decisão não proíbe o uso da tirzepatida no tratamento da obesidade. A restrição atinge só o fornecimento da versão manipulada no programa municipal. A Justiça afirmou que a prefeitura pode comprar o medicamento industrializado aprovado pela Anvisa. A prefeitura não disse se vai comprar o medicamento industrializado nem como ficam os pacientes.
Criado em fevereiro, o projeto foi o primeiro paulista a oferecer tirzepatida na rede pública. A meta era atender 200 pessoas, mas chegou a 400, segundo a prefeitura. A aplicação está suspensa, com multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento.
A prefeitura diz que cada paciente tem ampola individual. A administração sustenta ainda que vai recorrer.
Emenda de Tiririca pagou os frascos
A compra foi bancada com emenda do deputado federal Tiririca. O município empenhou R$ 306 mil na compra, segundo o Portal da Transparência municipal. A cidade usou credenciamento, sem disputa de preço, e só uma farmácia se inscreveu. Os documentos da emenda e dos pagamentos não foram localizados para conferência direta.
O próximo passo do caso é o novo recurso da Prefeitura de Urupês, que ainda não tem data para ser julgado.
Perguntas frequentes
O que foi suspenso em Urupês?
A aplicação de tirzepatida manipulada na rede pública municipal, com multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento.
A decisão proíbe o uso da tirzepatida para obesidade?
Não. A restrição atinge só a versão manipulada no programa municipal; a Justiça afirmou que a prefeitura pode comprar o medicamento industrializado aprovado pela Anvisa.
Quantos pacientes eram atendidos pelo programa?
Cerca de 400 pacientes, segundo a prefeitura, acima da meta inicial de 200.
Qual é o próximo passo do caso?
A Prefeitura de Urupês vai recorrer novamente, mas ainda não há data para o julgamento do novo recurso.
Saber mais: fontes consultadas (5)
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