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Justiça de Córdoba identifica oito desaparecidos da ditadura e chega a 38 em La Perla

Restos estavam na Loma del Torito, anexo ao antigo centro clandestino; o juiz federal diz que militares removeram ossadas em 1979, antes de visita da CIDH.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Monumento no antigo centro clandestino de detenção La Perla, em Córdoba (Argentina).
Foto: Divulgação/Anbariloche

A Justiça Federal de Córdoba, na Argentina, identificou os restos de oito pessoas desaparecidas na última ditadura. Com o anúncio, o total de vítimas identificadas desde que a Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) começou a trabalhar na zona, em setembro de 2025, chegou a 38. O juiz federal Hugo Vaca Narvaja divulgou os nomes nesta sexta (23), em entrevista coletiva nos Tribunais Federais de Córdoba, com a presença de familiares.

Os restos estavam na Loma del Torito, junto ao ex-centro clandestino de detenção, tortura e extermínio La Perla, na Guarnição Militar de La Calera. Para famílias que esperam há 50 anos, a identificação põe fim ao que o magistrado chamou de delito permanente: segundo ele, com o achado "se termina con el delito", que é a desaparição.

Quem são os oito identificados

A Justiça informou os nomes de Néstor Albino Acosta Ludueña, Pascual Delfín Ludueña Leyva, Claudio Norberto Nardini Lambir, Cecilia Alicia Pessina de Ávila, Mónica Protti de Guillén, Mercedes del Valle Ramírez Agüero, María Luisa Salto Segovia e Juan Carlos Soulier Guillén. São quatro mulheres e quatro homens, todos sequestrados em 1976.

Acosta tinha 21 anos, trabalhava na ferrovia da linha Mitre, estudava Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba e foi levado de casa em 16 de junho de 1976. Ludueña tinha 29 anos e era delegado sindical na Fiat Concord; foi sequestrado em 24 de março de 1976.

As oito vítimas não tinham vínculo entre si: foram capturadas em momentos e lugares diferentes da província, em operações sem relação.

Como os nomes foram descobertos

Segundo o Juizado Federal nº 3, as identificações saíram da análise dos restos ósseos que a EAAF recupera no local desde 22 de setembro de 2025. Depois, o material foi cruzado geneticamente com amostras de familiares. O Instituto de Medicina Forense do Poder Judiciário de Córdoba e a Universidade Nacional de Río Cuarto colaboraram no trabalho. As famílias foram avisadas em particular antes de os nomes se tornarem públicos.

O juiz explicou que as primeiras ossadas apareceram em 22 de setembro de 2025. Essa coleta rendeu primeiro 12 nomes, depois 17 e, por fim, mais um. O material retirado na campanha de escavação deste ano ainda aguarda análise genética. Não há estimativa oficial de quantas vítimas seguem sem nome.

Restos foram removidos em 1979

Vaca Narvaja afirmou que, em 1979, antes da visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), os militares usaram pás mecânicas e caminhões para levar os restos. Segundo ele, a ideia era esconder os crimes. Para o juiz, a tecnologia de identificação por DNA de pequenos fragmentos ósseos desfez esse plano. A Justiça não divulgou os documentos que embasam a conclusão.

La Perla funcionou até 1978. Estima-se que mais de 2 mil pessoas tenham sido sequestradas no centro durante a ditadura.

No Brasil, trabalho semelhante é mais lento

O Brasil enfrenta um problema parecido em Perus, na capital paulista. Pesquisadores do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp trabalham na identificação de 1.049 caixas com ossadas encontradas na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em 1990. Até agora, o estudo identificou quatro desaparecidos do período, e outros dois já haviam sido identificados antes de as ossadas chegarem à universidade. A reportagem não encontrou ligação específica entre o caso argentino e o Rio Grande do Sul.

A Justiça de Córdoba segue com o expediente que apura os enterros clandestinos. As escavações e as análises genéticas continuam, e o material da campanha de 2026 é o próximo a passar pelos laboratórios.

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