Protestos reúnem milhares em Roma e Milão sob forte segurança após decreto sobre menores
Balanço da polícia vale para oito cidades: nove presos e 371 detidos temporariamente, 110 deles menores de idade.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Milhares de pessoas marcharam por Milão neste sábado (24), e um número semelhante se concentrou em Roma, perto do Coliseu. Os atos ocorreram sob vigilância de helicópteros, soldados e caminhão com canhão de água na Piazza del Duomo, em Milão. Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o governo e a polícia.
A polícia italiana informou a prisão de nove pessoas e a detenção temporária de outras 371, entre elas 110 menores. Os detidos foram levados a delegacias em oito cidades, e não só em Roma e Milão. Antes das manifestações, houve dezenas de buscas e prisões.
O que o governo decidiu na terça
Os atos de sábado vieram depois dos confrontos do fim de semana anterior. Manifestantes saquearam lojas e incendiaram propriedades em Milão, em protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio a reivindicações de estudantes do ensino médio. Os prejuízos no centro comercial da cidade chegaram a € 1 milhão, e muitos dos envolvidos eram menores.
Nesta terça (20), o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou um decreto de resposta. O texto prevê 500 soldados a mais em Milão até o fim do ano. Também obriga os pais a pagar pelos danos causados por menores e facilita o processo contra adolescentes com mais de 14 anos. O decreto também flexibiliza as regras para a detenção de menores.
O decreto cria ainda o crime de participação violenta em manifestação, com risco de até cinco anos de prisão e multa de até € 20 mil. As penas aumentam se os rostos estiverem cobertos ou se alguém se ferir. A oposição criticou a norma.
Meloni disse, em vídeo nas redes sociais, que a presença de tantos jovens violentos era "dolorosa e assustadora". Em Milão, parte do comércio fechou mais cedo ou protegeu as vitrines com tábuas. Outros estabelecimentos seguiram abertos depois que o prefeito Giuseppe Sala pediu que a população não entrasse em "pânico".
"Manifestar-se é um direito. Precisamos fazer nossa voz ser ouvida", disse à AFP, em Milão, Alessio Scimone, de 24 anos, funcionário de uma casa de apostas.
Parlamento tem 60 dias
O Parlamento italiano tem até 60 dias para transformar as medidas em lei. Se não o fizer, o decreto perde a validade.
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