Irã encurta de sete para dois dias prazo para reabrir Ormuz se EUA aceitarem exigências
A rota, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, levava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo; negociações indiretas seguem por Doha.
Por que afeta o RS: Alta do petróleo decorrente de instabilidade em Ormuz tende a pressionar combustíveis no Brasil, incluindo o RS.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura
Atualizada 02/11, 12:51 · O prazo para reabrir Ormuz caiu de sete para dois dias em relação à proposta iraniana anterior, e a rota está bloqueada por Teerã desde o início da guerra.

O Irã se dispõe a reabrir o Estreito de Ormuz em 48 horas, e não em sete dias, como previa a proposta anterior, desde que os Estados Unidos aceitem as exigências iranianas. A declaração foi feita nesta segunda (2) por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, que a chamou de "postura de boa-fé do Irã". A oferta veio depois de o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) afirmar que dois petroleiros explodiram ao colidir com minas navais na rota. O comunicado da Guarda saiu no fim do domingo (1º), segundo a agência Tasnim, ligada ao IRGC. Petroleiros também relataram colisões com minas.
Para quem abastece o carro no Rio Grande do Sul, o assunto importa pelo preço. Por Ormuz passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, e a rota está bloqueada por Teerã desde o início da guerra. Uma alta do barril tende a pressionar os combustíveis no Brasil, incluindo o RS. A reabertura em dois dias, se sair, aliviaria essa pressão. Os termos exigidos pelo Irã não foram detalhados.

O que o IRGC diz
Segundo a Guarda Revolucionária, os navios tinham desligado os sistemas de navegação e identificação e tentavam cruzar o estreito por uma rota não autorizada, com apoio dos EUA. Depois da explosão, ficaram imobilizados no local. A força militar indicou que um deles era um superpetroleiro que sofreu forte explosão e estava em chamas.
Os nomes, as bandeiras e a situação dos tripulantes não foram divulgados. Washington não comentou o episódio.
Série de incidentes em três semanas
Nas últimas três semanas, o Irã registrou cerca de 30 incidentes com navios, ao menos 20 deles ligados a minas navais, e diz manter a passagem sob controle.
O caso lembra o de sexta-feira (30). Naquele dia, a Marinha da Guarda Revolucionária informou que três petroleiros pegaram fogo e explodiram ao tentar usar rotas não autorizadas. Um deles levava 2 milhões de barris de petróleo bruto e teria colidido com uma mina.
Em 10 de outubro, a Guarda também havia dito que um petroleiro explodiu e pegou fogo ao colidir com uma mina, segundo a mídia estatal iraniana.
Negociações seguem por Doha
Irã e Estados Unidos mantêm negociações indiretas, por meio do Qatar, para pôr fim ao conflito. A oferta de reabertura entra nessa mesa. Nenhum prazo para um acordo foi anunciado.
O preço do barril e as decisões da Petrobras sobre combustíveis são os próximos pontos de atenção para o consumidor brasileiro, caso o tráfego em Ormuz seja afetado.
Atualização: o prazo oferecido pelo Irã para reabrir Ormuz foi reduzido de sete para dois dias, segundo a Folha, e a matéria passou a registrar que a rota está bloqueada por Teerã desde o início da guerra. Baqaei classificou a oferta como "postura de boa-fé".
Perguntas frequentes
Quando o Irã promete reabrir o Estreito de Ormuz?
Em 48 horas, desde que os Estados Unidos aceitem as exigências iranianas; antes a proposta previa sete dias.
Por que o petróleo de Ormuz importa para o consumidor gaúcho?
Pela rota passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, e uma alta do barril tende a pressionar os combustíveis no Brasil, incluindo o RS.
Quais foram os incidentes recentes na rota?
O IRGC disse que dois petroleiros explodiram ao colidir com minas navais; nas últimas três semanas houve cerca de 30 incidentes com navios, ao menos 20 ligados a minas.
Há prazo para um acordo entre Irã e EUA?
Não. As negociações indiretas seguem por Doha, por meio do Qatar, e nenhum prazo para acordo foi anunciado.
Saber mais: fontes consultadas (7)
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