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Iphan manda musealizar por inteiro achados de possível terreiro em obra do metrô de SP

Ofício à Linha Uni também paralisou a remoção de peças na área das estruturas, a 2,2 metros de profundidade, na futura estação 14 Bis-Saracura, no Bixiga.

Redação Bairrista · Repórter de Cultura · · 2 min de leitura

Obra de escavação da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, com equipamento de perfuração em operação.
Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou, na sexta-feira (23), a musealização integral dos novos achados arqueológicos da estação 14 Bis-Saracura, da linha 6-laranja do metrô de São Paulo. A obra fica no Bixiga, região central da capital paulista. A ordem está em ofício enviado à Linha Uni, concessionária responsável pela construção, liderada pela espanhola Acciona.

A concessionária terá de apresentar uma proposta para preservar as estruturas. Se elas ficarão incorporadas à estação ou serão retiradas e remontadas em outro lugar, quem decide é o Iphan. O caso é paulista, mas mexe com um debate que alcança qualquer obra de transporte no país: como conciliar a pressa do canteiro com a memória da população negra.

Remoção foi paralisada após reunião com o MPF

A decisão saiu depois de uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF). No encontro, foi determinada a paralisação da remoção de achados na área das estruturas. Essa retirada havia sido autorizada pelo Iphan em setembro, desde que houvesse registro e coleta de amostras.

Os vestígios foram encontrados em junho, na chamada área 6. Especialistas apontaram que o material pode ser de um antigo local de culto afro-brasileiro, possivelmente um terreiro de candomblé. Entre os elementos descritos estão um cômodo a 2,2 metros de profundidade, montinhos de anil, uma cavidade para depósito de objetos e um feixe de gravetos amarrados. O sítio inteiro já somava cerca de 110 mil peças em março de 2026, somando achados de todas as áreas.

Não é a primeira vez que o Iphan impõe a musealização na estação. Em março de 2025, ao aprovar a continuidade das obras, o instituto fixou contrapartidas, entre elas um projeto de salvamento e musealização dos achados, feito com as comunidades interessadas. Naquela época, acreditava-se que a área 4 abrigava um terreiro de rituais de origem africana.

A Linha Uni disse que acompanha os desdobramentos e segue rigorosamente as determinações do Iphan. A empresa afirmou ainda que mantém diálogo com os órgãos envolvidos.

Movimento defende a primeira estação musealizada do país

A Mobiliza Saracura/Vai-Vai reivindica há anos que o sítio seja incorporado à estação. O grupo cita como referência experiências na Grécia, na Argélia, na Espanha, na Itália e no México. Para o movimento, as novas descobertas reforçam a ideia de criar a primeira estação metroferroviária musealizada do Brasil. "A população tem direito tanto ao transporte quanto à memória, e um não deve sobrepor ao outro", diz o movimento.

O Iphan não informou prazo para a Linha Uni entregar a proposta. Até lá, a remoção de achados na área das estruturas segue suspensa, e qualquer destino final das peças depende de aval do instituto.

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