IGP passa de 500 ligações entre armas de crimes e lidera o país em inserções
Perícia gaúcha também é a primeira em correlações no Sinab; a mesma arma pode aparecer em crimes de cidades e estados diferentes.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 22:49 · 2 min de leitura

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul passou de 500 ligações confirmadas entre vestígios de armas de fogo usadas em crimes no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab).

O resultado foi divulgado nesta quinta (15) e é da Divisão de Balística Forense.
Na prática, cada ligação mostra que a mesma arma foi usada em ocorrências diferentes. A conexão vale mesmo quando os crimes aconteceram em municípios ou estados distintos.
Em casos sem suspeito definido, o vínculo pode redefinir o rumo da investigação: indica que crimes distintos foram cometidos com a mesma arma ou identifica a arma de um deles.
O chefe da Divisão de Balística Forense, perito Jonathan Tobias Ramos, afirmou que “cada correspondência confirmada pode representar uma nova conexão entre fatos investigados”.
Da primeira ligação às 500
O sistema entrou em operação no IGP em julho de 2022. Naquele primeiro ano, foram quatro ligações; em 2023, 52; em 2024, 93; e em 2025, 159.
Em janeiro de 2026, o acumulado era de 308 correspondências, envolvendo 235 armas.
Nos meses seguintes, o trabalho pericial identificou quase 200 novas conexões, o que levou o Estado além de 500.
Liderança nacional em dois critérios
O IGP gaúcho ocupa o primeiro lugar em dois dos três critérios avaliados pelo Sinab: número de inserções e de correlações balísticas. Desde janeiro de 2022, o instituto soma mais de 17,1 mil inserções e 35,6 mil correlações visualizadas. Em meados de 2025, eram 11.361 inserções e 20.501 correlações. Isso representa alta de cerca de 51% e 74%, respectivamente.
O Sinab é coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Quando projéteis e estojos de locais de crime ou de armas apreendidas são inseridos, o sistema aponta correspondências, os chamados hits. Essas ligações podem revelar padrões de criminalidade e a circulação de armas entre os Estados.
Como o hit é validado
O sistema aponta a correspondência, mas a confirmação é pericial. Pelo manual de procedimentos do Sinab, a ligação só é confirmada com o confronto das peças físicas em microscópio óptico comparador. Segundo Ramos, os resultados passam por validação pericial antes de virar evidência para a investigação.
Há casos que já cruzaram a divisa. Em balanço anterior, o governo gaúcho informou que dois hits ultrapassaram as divisas estaduais, ligando armas apreendidas no Rio Grande do Sul a homicídios cometidos no Paraná.
A informação chega à polícia mesmo sem pedido formal. O IGP emite laudo de coincidência de perfil balístico, que é enviado à delegacia responsável pela investigação.
Saber mais
- Portal do Estado do RS – IGP ultrapassa 300 ligações confirmadas no Sinab
- Portal do Estado do RS – IGP-RS lidera ranking nacional de análise balística
- Secretaria da Segurança Pública do RS – IGP é destaque entre órgãos de polícia científica
- Nota do IGP/Governo do RS (16/10/2026), reproduzida por Clic Camaquã
- Manual de Procedimentos do Sinab (MJSP)
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