Houthis dizem ter atingido refinaria saudita de Ras Tanura; Brent sobe 1,3%, a US$ 115,36
Riade não confirmou o ataque; o petróleo reverte parte da queda de terça (27), e o WTI avança a US$ 101,12.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 5 min de leitura
Atualizada 28/10, 02:22 · Riad relatou danos materiais por destroços de dois mísseis balísticos interceptados na terça (27); os houthis também reivindicaram ataque a aeronaves militares em Najran, e há relatos de combates perto de Bab el-Mandeb.

Os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, afirmaram na terça (27) ter atingido com um míssil a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita. As autoridades sauditas não confirmaram o ataque. No mesmo dia, a coalizão liderada pelo país disse ter interceptado três mísseis balísticos contra a Região Oriental e quatro drones enviados à região sul do reino.
Nesta quarta (28), o petróleo reagiu à notícia. O Brent subiu 1,3%, a US$ 115,36 por barril, e o WTI avançou 1,22%, a US$ 101,12. O movimento reverteu parte da queda de quase US$ 2 registrada na terça, segundo a Reuters.

Não há efeito direto identificado no Rio Grande do Sul, mas a escalada ameaça o abastecimento global e pode pesar nos custos de combustível e de frete no estado. Na semana passada, o Brent já tinha fechado em alta de 6%, perto da máxima de seis meses.
Um dia antes, na segunda (26), o Parlamento do Egito autorizou apoio militar para defender os sauditas, atendendo a pedido do presidente Abdel Fattah al-Sisi. O Cairo só entraria diretamente no conflito se Riad solicitar ajuda.
Os houthis também disseram ter atacado estações de bombeamento do oleoduto East-West e o aeroporto internacional de Riad. A Arábia Saudita não confirmou esses ataques. A coalizão afirmou ter destruído dois lançadores de mísseis em Sanaa, capital do Iêmen, um deles usado em um disparo interceptado na direção de Riad.
Nova salva atinge Região Oriental e sul do reino
Alertas de possível ameaça foram emitidos na terça (27) para a Região Oriental e para a província de Kharj. A Defesa Civil saudita informou depois que o perigo havia passado. A escalada ocorre após os houthis avançarem para áreas estratégicas da costa do Mar Vermelho e em meio à guerra mais ampla envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Autoridades sauditas relataram que destroços de dois mísseis balísticos interceptados causaram danos materiais em Riad na terça. Além deles, a coalizão disse ter derrubado outros três mísseis e quatro drones no mesmo dia. Os houthis reivindicaram ainda ataque a aeronaves militares em Najran, no sul do reino, sem confirmação de Riad.
Egito abre porta para entrar no conflito
A autorização do Parlamento egípcio vale para o caso de Riad pedir ajuda. Os ataques houthis também ameaçam o estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para o canal de Suez. Relatos apontam combates entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita perto do estreito.
Domingo: nova ameaça ao King Khalid e reabertura parcial
No domingo (25), o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o aeroporto internacional King Khalid, em Riad, segue como alvo militar e que os ataques continuarão. A advertência veio horas depois de o aeroporto anunciar a reabertura dos terminais 1 e 2. Em publicações nas redes sociais, Saree disse que o local "não é um lugar seguro" e que o regime saudita arcará com as consequências de qualquer operação ali.
Quem tem conexão pelo Golfo deve saber que o principal aeroporto da capital saudita opera só em parte. O Terminal 1 atende voos domésticos, e o Terminal 2, voos internacionais operados por companhias nacionais. A mudança vale desde domingo (25), segundo a administração do aeroporto, que recomenda que passageiros com reservas confirmadas falem com as companhias aéreas antes de ir ao local. A reabertura chega mais de duas semanas após o ataque que fechou o terminal.
Houthis falam em sete operações; sauditas dizem ter barrado mísseis
A Arábia Saudita informou no domingo ter interceptado um míssil balístico e um drone lançados pelos houthis em direção a Riad, segundo a Associated Press. A agência registra ainda a interceptação de 10 mísseis disparados rumo à região sul do país, número que a coalizão também deu, ao classificá-los como balísticos. Relatos atribuídos à Reuters na cobertura ao vivo do Jerusalem Post falavam em dois mísseis balísticos, com destroços em Jeddah, Taif e Rabigh, cidades do oeste do país.
Destroços das interceptações feriram duas pessoas em Khamis Mushait e Ahad Rafida, no sudoeste saudita, e danificaram três edifícios e sete veículos, segundo a Defesa Civil saudita.
Os houthis, por sua vez, afirmaram ter feito sete operações com mísseis e drones contra alvos sauditas. A lista inclui aeroportos, instalações de petróleo e uma base aérea. O grupo diz que o aeroporto de Riad e instalações petrolíferas foram atacados já no sábado (24).
Brent volta a subir e fecha perto de US$ 115
Depois de recuar quase US$ 2 na terça (27), o Brent subiu 1,3% nesta quarta (28), a US$ 115,36 por barril. O WTI, referência americana, avançou 1,22%, a US$ 101,12. A alta veio com a notícia do ataque à refinaria de Ras Tanura. Na semana anterior, o Brent havia subido 6%, em meio a preocupações com a oferta, segundo a Reuters.
Se a cotação se sustentar nesse patamar, o efeito pode chegar aos combustíveis e ao frete no RS.
86% dos voos previstos para Riad foram cancelados
Dados da consultoria Cirium mostram que 4.071 dos 4.736 voos previstos no King Khalid foram cancelados entre 8 e 25 de outubro, cerca de 86%. Em todo o país, mais de 7.800 partidas deixaram de sair, 45% do programado no período. O pico foi em 12 de outubro, quando os cancelamentos passaram de 60% dos voos programados em território saudita.
Companhias internacionais suspenderam voos para a capital saudita até novembro. A Delta adiou para o ano que vem a inauguração de sua rota para Riad.
Ataque de 10 de outubro deixou 13 mortos
As operações foram suspensas em 10 de outubro, após um ataque reivindicado pelos houthis que matou 13 pessoas e feriu mais de 300. A Reuters, segundo o Investing.com, descreveu o episódio como o mais letal na Arábia Saudita em mais de uma década.
O Terminal 2 só recebe voos de companhias sauditas. Os serviços internacionais ainda não foram plenamente restabelecidos, segundo o jornal The National.
O jornal também registra que o ataque mais recente dos houthis ao aeroporto King Fahd, em Dammam, matou duas pessoas e feriu oito, conforme a Autoridade de Aviação Civil saudita. Os Estados Unidos emitiram alertas de viagem para 13 países do Oriente Médio.
Passageiros com voo marcado para Riad devem consultar a companhia aérea antes de sair para o aeroporto, como pede o próprio King Khalid.
Atualização: entraram os danos materiais em Riad causados por destroços de dois mísseis balísticos interceptados na terça (27), a reivindicação houthi de ataque a aeronaves militares em Najran e os relatos de combates perto do estreito de Bab el-Mandeb.
Saber mais: fontes consultadas (22)
- Arab News
- Investing.com (com informações da Reuters)
- The Tribune (ANI)
- The National
- Democrata
- Jerusalem Post (cobertura ao vivo)
- AP via ClickOnDetroit
- AP News Summary via BDT Online
- Associated Press
- Indian Express
- Anadolu Agency
- US News (AP)
- Reuters
- Reuters
- Fresno Bee
- News & Observer
- San Luis Obispo Tribune
- Reuters
- Reuters
- Economic Times
- Indian Express
- TVB (AP, Global News Highlights)
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