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Houthis chegam a 80 km de Áden e tomam distrito, dizem fontes militares à Reuters

A OIM fala em mais de 300 mil deslocados no Iêmen, a ONU registra Taiz isolada, sem água, comida e remédio, e um ataque a mercado matou três.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Atualizada 02/11, 16:28 · A Organização Internacional para as Migrações (OIM) diz que mais de 300 mil pessoas fugiram dos combates no Iêmen, acima dos 281 mil da OCHA, e um ataque a um mercado no sudoeste do país matou três pessoas, duas delas crianças.

Ministro britânico Hamish Falconer visita área de atuação humanitária em Áden, no Iêmen, em novembro de 2025
Foto: Foreign, Commonwealth & Development Office / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Quatro fontes militares disseram à agência Reuters nesta segunda (2) que os houthis, grupo rebelde iemenita alinhado ao Irã, chegaram a 80 km de Áden, sede temporária do governo reconhecido internacionalmente. Segundo as fontes, a ofensiva em Al-Maqatirah começou três dias antes e os rebeldes tomaram o distrito inteiro.

O governo iemenita e a ONU não confirmaram a tomada do distrito até a publicação desta nota. O fato não tem efeito direto conhecido sobre o Rio Grande do Sul. Não há comunicado oficial sobre reflexos para o Brasil.

Estrada que liga Taiz a Áden está ameaçada

A região de Al-Maqatirah fica sobre a estrada entre Taiz e Áden. Essa rota era o último elo entre o território do governo e Taiz durante a guerra. Segundo as fontes, os houthis forçaram as tropas do governo a recuar para Tur al-Bahah. Na segunda, havia combate em um acampamento militar na entrada desse distrito, uma das principais vias de acesso a Áden.

A Reuters afirma que a violência destruiu a trégua mediada pela ONU em 2022, que havia contido os grandes ataques da guerra iniciada em 2014. A reportagem da ONU sobre Taiz também diz que a escalada, iniciada em setembro, encerrou a calma relativa daquele acordo. O enviado especial da ONU para o Iêmen não declarou formalmente o fim da trégua. A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo, respondeu com mais ataques a posições houthis.

Deslocados já passam de 300 mil, diz OIM

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que mais de 300 mil pessoas deixaram suas casas no Iêmen com a retomada dos combates, segundo a agência Associated Press. A OIM descreveu falta de abrigo e de itens essenciais para os deslocados.

A OCHA, braço humanitário da ONU, havia contabilizado 231.991 deslocados entre 1º de agosto e 14 de outubro, três quartos deles da província de Taiz. Na atualização com dados até 25 de outubro, o número passou de 281 mil.

Mercado atingido no sudoeste

O Ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos houthis, informou que uma explosão atingiu um mercado no sudoeste do país e matou três pessoas, entre elas duas crianças. O conflito entre os houthis e as forças apoiadas pela Arábia Saudita segue em curso.

Taiz sem água, comida e remédio

Taiz, terceira maior cidade do Iêmen, está cada vez mais isolada desde o início de outubro, quando bloqueios de estrada interromperam o abastecimento. Segundo a OCHA, o abastecimento humanitário e comercial foi cortado. A produção de água na cidade caiu cerca de 50% e os preços dos alimentos subiram aproximadamente 50%. Combustível e gás de cozinha estão escassos. Hospitais relatam estoques de medicamentos, oxigênio e combustível perto do fim.

Em 23 de outubro, o porta-voz da OCHA, Jens Laerke, disse que era muito difícil entrar em Taiz ou sair dela após 20 dias de isolamento. A ONU informou ainda que mais de 800 mil pessoas na cidade estavam sem acesso à assistência do Programa Mundial de Alimentos. Novas atualizações da OCHA sobre o Iêmen saem no site do órgão, o unocha.org.

Atualização: a OIM informou, nesta segunda (2), que mais de 300 mil pessoas fugiram dos combates no Iêmen, e o Ministério da Saúde controlado pelos houthis relatou a morte de três pessoas, duas delas crianças, em explosão num mercado no sudoeste do país.

Perguntas frequentes

A tomada do distrito afeta o Brasil?

Não há efeito direto conhecido sobre o Rio Grande do Sul e não há comunicado oficial sobre reflexos para o Brasil.

O governo iemenita e a ONU confirmaram a tomada?

Não até a publicação desta nota; a informação vem de quatro fontes militares ouvidas pela Reuters.

Quantas pessoas já deixaram suas casas?

A OIM informou que mais de 300 mil pessoas foram deslocadas com a retomada dos combates.

Como está a situação em Taiz?

A cidade está isolada desde o início de outubro, com produção de água caindo cerca de 50% e preços de alimentos subindo cerca de 50%.

Saber mais: fontes consultadas (5)

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