Houthis chegam a 80 km de Áden e tomam distrito, dizem fontes militares à Reuters
A OIM fala em mais de 300 mil deslocados no Iêmen, a ONU registra Taiz isolada, sem água, comida e remédio, e um ataque a mercado matou três.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 02/11, 16:28 · A Organização Internacional para as Migrações (OIM) diz que mais de 300 mil pessoas fugiram dos combates no Iêmen, acima dos 281 mil da OCHA, e um ataque a um mercado no sudoeste do país matou três pessoas, duas delas crianças.

Quatro fontes militares disseram à agência Reuters nesta segunda (2) que os houthis, grupo rebelde iemenita alinhado ao Irã, chegaram a 80 km de Áden, sede temporária do governo reconhecido internacionalmente. Segundo as fontes, a ofensiva em Al-Maqatirah começou três dias antes e os rebeldes tomaram o distrito inteiro.
O governo iemenita e a ONU não confirmaram a tomada do distrito até a publicação desta nota. O fato não tem efeito direto conhecido sobre o Rio Grande do Sul. Não há comunicado oficial sobre reflexos para o Brasil.
Estrada que liga Taiz a Áden está ameaçada
A região de Al-Maqatirah fica sobre a estrada entre Taiz e Áden. Essa rota era o último elo entre o território do governo e Taiz durante a guerra. Segundo as fontes, os houthis forçaram as tropas do governo a recuar para Tur al-Bahah. Na segunda, havia combate em um acampamento militar na entrada desse distrito, uma das principais vias de acesso a Áden.
A Reuters afirma que a violência destruiu a trégua mediada pela ONU em 2022, que havia contido os grandes ataques da guerra iniciada em 2014. A reportagem da ONU sobre Taiz também diz que a escalada, iniciada em setembro, encerrou a calma relativa daquele acordo. O enviado especial da ONU para o Iêmen não declarou formalmente o fim da trégua. A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo, respondeu com mais ataques a posições houthis.
Deslocados já passam de 300 mil, diz OIM
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que mais de 300 mil pessoas deixaram suas casas no Iêmen com a retomada dos combates, segundo a agência Associated Press. A OIM descreveu falta de abrigo e de itens essenciais para os deslocados.
A OCHA, braço humanitário da ONU, havia contabilizado 231.991 deslocados entre 1º de agosto e 14 de outubro, três quartos deles da província de Taiz. Na atualização com dados até 25 de outubro, o número passou de 281 mil.
Mercado atingido no sudoeste
O Ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos houthis, informou que uma explosão atingiu um mercado no sudoeste do país e matou três pessoas, entre elas duas crianças. O conflito entre os houthis e as forças apoiadas pela Arábia Saudita segue em curso.
Taiz sem água, comida e remédio
Taiz, terceira maior cidade do Iêmen, está cada vez mais isolada desde o início de outubro, quando bloqueios de estrada interromperam o abastecimento. Segundo a OCHA, o abastecimento humanitário e comercial foi cortado. A produção de água na cidade caiu cerca de 50% e os preços dos alimentos subiram aproximadamente 50%. Combustível e gás de cozinha estão escassos. Hospitais relatam estoques de medicamentos, oxigênio e combustível perto do fim.
Em 23 de outubro, o porta-voz da OCHA, Jens Laerke, disse que era muito difícil entrar em Taiz ou sair dela após 20 dias de isolamento. A ONU informou ainda que mais de 800 mil pessoas na cidade estavam sem acesso à assistência do Programa Mundial de Alimentos. Novas atualizações da OCHA sobre o Iêmen saem no site do órgão, o unocha.org.
Atualização: a OIM informou, nesta segunda (2), que mais de 300 mil pessoas fugiram dos combates no Iêmen, e o Ministério da Saúde controlado pelos houthis relatou a morte de três pessoas, duas delas crianças, em explosão num mercado no sudoeste do país.
Perguntas frequentes
A tomada do distrito afeta o Brasil?
Não há efeito direto conhecido sobre o Rio Grande do Sul e não há comunicado oficial sobre reflexos para o Brasil.
O governo iemenita e a ONU confirmaram a tomada?
Não até a publicação desta nota; a informação vem de quatro fontes militares ouvidas pela Reuters.
Quantas pessoas já deixaram suas casas?
A OIM informou que mais de 300 mil pessoas foram deslocadas com a retomada dos combates.
Como está a situação em Taiz?
A cidade está isolada desde o início de outubro, com produção de água caindo cerca de 50% e preços de alimentos subindo cerca de 50%.
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