Governo zera tributos da gasolina por 30 dias e prorroga subsídio de R$ 2,12 ao diesel
O pacote de R$ 5,2 bilhões também prorroga a desoneração do etanol; manter os R$ 2,12 por litro de diesel custa R$ 10,5 bilhões por mês.
Por que afeta o RS: Alta do Brent pode repercutir nos preços dos combustíveis e no custo do transporte no estado.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 6 min de leitura
Atualizada 27/10, 22:52 · O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na terça (27) que a MP com as alíquotas do Imposto Seletivo deve ser enviada ao Congresso nesta semana.

O governo federal decretou nesta segunda (26) a zeragem por 30 dias de PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina, com redução de até R$ 0,89 por litro e possibilidade de prorrogação. A ajuda ao diesel importado também cresce: serão R$ 1,40 por litro a mais, além dos R$ 2,12 já em vigor, que o Ministério do Planejamento prorrogou por mais 30 dias nesta terça (27). O custo estimado do pacote é de R$ 5,2 bilhões.
Para quem vive no RS, o ponto de atenção é o diesel, que move caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, e agora também a gasolina. Na semana de 11 a 17 de outubro, o litro do S-10 custava em média R$ 7,24 no estado e R$ 7,16 em Porto Alegre, segundo levantamento da ANP. O dado não mede o efeito da alta de sexta (23) no petróleo nem o das medidas anunciadas nesta semana, que ainda não passaram pelas refinarias nem pelas bombas.
Decreto mexe em gasolina, etanol e diesel importado
O decreto zera por 30 dias PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina, e o prazo pode ser prorrogado. O governo também prorrogou a desoneração do etanol e elevou de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro a subvenção ao etanol hidratado.
Para o diesel importado, a ajuda adicional de R$ 1,40 por litro vale pelos mesmos 30 dias e se soma aos R$ 2,12 já em vigor, o que leva o apoio a R$ 3,52 por litro. A divisão do custo estimado é esta:
- gasolina e etanol: R$ 3,6 bilhões em 2026;
- subsídio adicional ao diesel: R$ 1,6 bilhão.
Na terça (27), o Ministério do Planejamento informou que manterá por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário, que venceu na segunda (26). O benefício é pago a produtores e importadores, que devem repassar o desconto ao preço de venda. Segundo o ministério, a medida custa R$ 10,5 bilhões por mês e busca conter os efeitos do choque de oferta ligado à guerra no Oriente Médio.
A renovação sai por portaria do Ministério da Fazenda, prevista na Medida Provisória nº 1.391/2026. O governo afirma que ela tem impacto fiscal neutro e que a continuidade depois dos 30 dias depende da avaliação do mercado de combustíveis.
Antes do decreto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia dito que a continuidade do subsídio dependia de o petróleo seguir caro e de haver receitas extraordinárias ligadas à commodity. Na terça (27), Durigan afirmou ainda que a MP com as alíquotas do Imposto Seletivo deve ser enviada ao Congresso nesta semana.
Brent fecha no maior valor desde abril
O petróleo Brent para dezembro subiu 3,13% na sexta-feira (23) e fechou a US$ 116,72 por barril, o maior valor desde abril. O contrato foi negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, e ganhou US$ 3,55 no dia. Na semana, acumulou alta de 6,24%.
O que puxou a alta
O mercado reagiu ao risco de novos confrontos entre Estados Unidos, Israel e Irã e de interrupções no fornecimento. Segundo a Reuters, ataques dos houthis na Arábia Saudita alimentaram as preocupações com o abastecimento no Oriente Médio. Teerã também ameaça atingir aeroportos e oleodutos civis no Golfo caso EUA e Israel retomem a campanha aérea.
O banco ING, que previa o Brent a US$ 80 no quarto trimestre, passou a considerar essa meta fora de alcance. Para o banco, a sustentação das cotações vem da chance de novos choques, e não do quadro atual de oferta. O Departamento de Energia dos EUA liberou volumes e submeteu propostas ligadas à Reserva Estratégica de Petróleo para estabilizar o abastecimento.
Conta pública pesa e vale só para 2026
Economistas da XP estimam gasto de cerca de R$ 9 bilhões por mês com as subvenções ao diesel e à gasolina. A flexibilização temporária da Lei de Responsabilidade Fiscal, que permite compensar a renúncia com receitas do petróleo, vale só para 2026.
Segundo estimativa citada pela StoneX, o diesel importado custa R$ 6,76 por litro. Até agosto, o governo calculava ter gasto R$ 32 bilhões em medidas para conter os preços dos combustíveis.
Petrobras diz que discute o novo cenário
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que as cotações mudaram drasticamente em cerca de 20 dias e que a estatal começou a discutir como lidar com esse cenário. Ela não antecipou medidas sobre os preços dos combustíveis.
Petrobras e câmbio seguram o repasse, por ora
O dólar ajuda. A moeda americana fechou abaixo de R$ 5 na sexta, na véspera do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Isso reduz o peso do petróleo caro na conta em reais.
A Petrobras mexeu no diesel pela última vez em março: aumento de R$ 0,38 por litro às distribuidoras, o primeiro em mais de um ano. Desde então, a defasagem em relação ao mercado internacional cresceu. Em análise de 22 de outubro, o Goldman Sachs estimou que a estatal vende o diesel a R$ 5,43 por litro, contra paridade de importação próxima de R$ 6,89. O banco mantém como cenário-base preços estáveis até o fim do ano.
O risco apontado pelo Goldman estava no fim do subsídio a importadores. Nessa hipótese, o banco calculava reajuste de até 50%, cerca de R$ 1,50 por litro, depois do segundo turno. Em cenário extremo, o diesel iria de R$ 7,34 para algo entre R$ 9 e R$ 10 por litro. O decreto desta segunda e a prorrogação dos R$ 2,12 vão no sentido contrário, ao manter e reforçar a ajuda a quem produz e importa.
Fiscalização do diesel chega à Justiça
Em 15 de outubro, ANP, Senacon e Procons fizeram fiscalização conjunta no RS, que incluiu a apuração de denúncias de aumento do diesel vendido por transportadores-revendedores-retalhistas, os TRRs. Esses fornecedores atendem, entre outros, pequenos agricultores.
Entre 5 e 9 de outubro, a ANP fiscalizou postos, distribuidoras e revendas de GLP em Caxias do Sul, Esmeralda e Vacaria. Foram apreendidos 54.520 litros de combustíveis e 34 botijões de gás.
Fora do estado, a mesma frente de fiscalização rendeu uma decisão judicial. A 1ª Vara Federal de Teresópolis (RJ) concedeu tutela cautelar, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), contra o Posto Várzea. O posto não pode elevar o preço do diesel sem justa causa, sob multa de R$ 5 mil por infração. Também deve preservar registros de operações, notas fiscais, cupons e histórico de preços desde 1º de janeiro de 2026. Segundo a AGU, o estabelecimento havia aumentado o litro em R$ 0,28 sem correspondência com o custo de aquisição, o que a ANP e a Senacon constataram na fiscalização.
É a primeira decisão favorável num conjunto de ações da AGU contra 16 postos. O governo trata o caso como a primeira vitória na Justiça contra aumento abusivo de combustíveis. A ordem vale apenas para o posto citado.
O próximo passo é a decisão da Petrobras sobre os preços nas refinarias, que depende do comportamento do Brent e do efeito do pacote federal. Nesta semana, o governo deve enviar ao Congresso a MP com as alíquotas do Imposto Seletivo. A desoneração da gasolina e a subvenção ao diesel valem por 30 dias, e o governo pode prorrogá-las depois disso.
Atualização: entrou a declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que a MP com as alíquotas do Imposto Seletivo deve ser enviada ao Congresso nesta semana.
Saber mais: fontes consultadas (19)
- InfoMoney (fechamento do petróleo, ICE)
- Reuters via Investing.com (petróleo fecha no maior nível desde abril)
- BPMoney (Brent, ameaça iraniana e ING)
- SpaceMoney (Brent, semana e SPR)
- BPMoney (Goldman e diesel da Petrobras)
- Seu Dinheiro (reajuste do diesel em março)
- De Olho no Acre (dólar e petróleo)
- ANP (preço médio de combustíveis no RS, outubro de 2026)
- ANP e Senacon (fiscalização de preços)
- ANP (apreensões no RS)
- Folha de S.Paulo (alta do petróleo pressiona governo a manter subsídio ao diesel)
- O Globo (presidente da Petrobras sobre o petróleo)
- O Globo (manutenção de subsídios e preço do diesel da Petrobras)
- Secom (governo zera tributos sobre a gasolina e reforça subvenção a importadores de diesel)
- Secom (governo consegue primeira vitória contra aumento abusivo de combustíveis)
- O Globo (governo prorroga por um mês subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel)
- Secom (governo federal renova subvenção de R$ 2,12 ao óleo diesel)
- Extra (governo vai enviar MP do Imposto Seletivo e renova subvenção ao diesel)
- Valor Econômico (Durigan afirma que governo deve enviar MP do Imposto Seletivo nesta semana)
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