Frio e céu nublado travam uva e maçã em Caxias; nova queda de temperatura vem de 26 a 28
Smapa e Emater veem risco de menos produtividade e colheita atrasada, mas ainda não há prejuízo constatado; o Inmet liga o frio ao El Niño.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 4 min de leitura

O frio fora de época e os dias nublados de outubro estão retardando o desenvolvimento de uva, maçã, milho e hortaliças em Caxias do Sul, na Serra gaúcha. Técnicos da Secretaria Municipal da Agricultura (Smapa) e da Emater tratam o quadro como alerta. Até agora, não há prejuízo constatado nem registro de geada na cidade neste mês.
Para quem planta ou compra da Serra, o ponto de atenção são as próximas semanas. O Inmet prevê nova queda de temperatura entre os dias 26 e 28, com mínimas em torno de 10°C. O produtor Maicol Venturin, de Monte Bérico, espera ter uma noção melhor do estrago em cerca de 10 dias.
A lavoura já vinha sob pressão. Uma estimativa anterior apontou R$ 1 milhão em prejuízos agrícolas por causa da chuva de 21 de setembro. Esse valor não tem relação com o frio.
Uva para de crescer abaixo de 10°C
Os amanheceres de segunda (19) e terça (20) ficaram abaixo dos 10°C em Caxias, ainda que com sol e grande amplitude térmica. O diretor técnico de Desenvolvimento Rural da Smapa, Dalcionei Pazzin, afirma que nesta época os termômetros costumam passar dos 15°C.
Segundo Pazzin, a uva deixa de se desenvolver abaixo de 10°C, e a maçã, abaixo de 18°C. O frio também paralisa as hortaliças. Se o tempo desfavorável durar uma semana, diz que o efeito já começa a aparecer na produção e na colheita.
O diretor avalia que o céu encoberto pesa mais que a temperatura. Sem sol, a planta faz menos fotossíntese e assimila menos açúcar. Houve mais de uma semana quase sem sol, segundo ele. O resultado pode ser fruto menor e, conforme a intensidade, queda precoce.
Frio reduz trabalho das abelhas na polinização
O gerente regional adjunto da Emater de Caxias, Mauro Tessari, aponta o efeito sobre a polinização. Com frio, as abelhas trabalham menos, o que pode render menos frutos, menores e de pior qualidade. Fruto maior vale mais no mercado, afirma.
Produtor com parreiral sem cobertura já vê flor abortada
O viticultor Ademir Zanrosso, 58 anos, tem cerca de sete hectares de uva na Linha 40. A maior parte está sob cobertura plástica. Nos parreirais sem proteção, ele relata danos na niágara, que está em floração. Segundo Zanrosso, o cacho não ganha tamanho, a flor aborta e sobram cachos ralos, sem condição de ir ao mercado.
Maicol Venturin, 43 anos, planta seis hectares em Monte Bérico, metade sem proteção, com bordô, isabel e niágara para suco e vinho. Esses parreirais entraram há pouco em floração, e ele ainda não notou alteração. Ainda assim, espera impacto.
— Em 10 dias já dá para ter uma noção melhor — disse Venturin.
A outra metade, de uvas de mesa, está sob plástico. Ele entra na 31ª safra com cobertura. Segundo o produtor, ela evita chuva sobre as plantas, doenças fúngicas e o vento frio.
Inmet liga o frio ao El Niño
O Inmet considera comuns as entradas de ar frio na primavera em Caxias. Os episódios deste mês, porém, como o de domingo (18) a terça (20), foram mais intensos que o esperado. O meteorologista Anderson Haas Poersch relaciona isso ao formato atual do El Niño, que altera a circulação atmosférica e aumenta a chuva em parte do Sul.
Segundo Poersch, a instabilidade avançou mais ao Norte, em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Depois dos sistemas frontais, massas de ar frio chegaram ao Rio Grande do Sul e à Serra. Em anos normais, essas massas ficam mais restritas ao Uruguai e ao extremo sul do Estado.
Na Serra, o Inmet previa frio intenso, com possibilidade de geada, nas áreas mais altas da Serra Gaúcha e da Catarinense para o domingo (18).
A previsão é de aumento gradual da temperatura e volta da instabilidade no fim de semana. Entre 26 e 28, o Inmet espera nova queda, com mínimas em torno de 10°C na Serra. Em novembro, o órgão projeta menos quedas acentuadas e prolongadas de temperatura e mais chuva e umidade.
Os produtores esperam as mínimas de 26 a 28 e a leitura que Venturin pretende fazer por volta de 2 de novembro para saber se o atraso no desenvolvimento vira perda na safra.
Perguntas frequentes
Até quando o frio deve afetar as lavouras de Caxias do Sul?
Produtores devem ter uma noção melhor do estrago em cerca de 10 dias; nova queda de temperatura é prevista entre 26 e 28 de outubro.
Qual temperatura a uva e a maçã precisam para se desenvolver?
A uva deixa de se desenvolver abaixo de 10°C, e a maçã, abaixo de 18°C, segundo a Smapa.
Já há prejuízo confirmado na produção de Caxias do Sul?
Não. Técnicos da Smapa e da Emater tratam o quadro como alerta, sem prejuízo constatado nem geada registrada na cidade neste mês.
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