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França mobiliza 70 mil policiais para protestos de sábado após pior violência em anos

Louvre, Orsay e Picasso fecham as portas, e Macron só autoriza atos convocados por sindicatos, em meio a críticas da esquerda à resposta do governo.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Policiais de choque em Paris cercam área com lojas danificadas e lixo espalhado pela rua após episódio de violência.
Foto: Jorge Jaramillo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O governo francês anunciou nesta sexta (23) a mobilização de 70 mil policiais e gendarmes para os protestos marcados para este sábado (24). O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que a operação terá também helicópteros, veículos blindados e canhões de água. A França vive uma semana de tensão depois dos distúrbios do sábado passado (17). Houve incêndios, invasão de prédios públicos, vitrines quebradas, saques e confrontos com a polícia. Foi a pior onda de violência urbana do país em anos.

Os atos acontecem seis meses antes da eleição que escolherá o sucessor de Emmanuel Macron. Os protestos reúnem estudantes, filiados à central sindical CGT e militantes dos coletes amarelos, movimento que abalou a França em 2018 e 2019. A pauta é o aumento do custo de vida e a situação das escolas.

Blindados, canhões de água e tropas de elite

Segundo Nuñez, a gendarmaria vai usar cerca de 20 veículos blindados, e a polícia, 15 caminhões com canhões de água. Unidades de elite vão ajudar a proteger prédios públicos, como prefeituras, em uma operação "muito móvel". O ministro afirmou que há chamados nas redes sociais, de grupos de extrema esquerda, para violência e saques, e prometeu firmeza nas prisões.

As autoridades atribuem os distúrbios a pequenos grupos de extrema esquerda, entre antifascistas, anarquistas e autônomos. Segundo o governo, criminosos oportunistas, sobretudo jovens de subúrbios das grandes cidades, se somaram a eles para saquear lojas. Um balanço divulgado na noite de 17 de outubro registrou 1.200 detenções e 150 policiais e gendarmes feridos.

Em Lyon, 40 seguranças privados vão atuar em duas zonas sensíveis do centro para proteger o comércio, informaram a prefeitura metropolitana e a Câmara de Comércio. Em Paris, comerciantes cobriram vitrines com tábuas, e alguns pensam em não abrir. O presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França pediu que as lojas "baixem as portas" e deixem a polícia agir. O Louvre e outros grandes museus de Paris, entre eles Orsay e Picasso, ficam fechados no sábado.

Só sindicatos poderão marchar

Macron anunciou na quinta (22) que só serão autorizadas as manifestações organizadas por sindicatos. Em Paris, a CGT pediu o ato autorizado. Muitos dos distúrbios da semana passada ocorreram em protestos sem autorização.

Nesta sexta, Macron recebeu no Palácio do Eliseu representantes de organizações de estudantes do ensino médio. Segundo a presidência, o objetivo era ouvir as reivindicações, depois de mais de um mês de mobilização dos secundaristas. Os estudantes cobram mais professores, melhores salas de aula e transparência no Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior. Pierre Sourzat, da organização Lycéens, disse antes do encontro que esperava que nada mudasse depois dele.

Sindicatos e a esquerda criticam o governo por apostar na repressão em vez de responder às demandas sociais. A França Insubmissa acusa o Executivo de empurrar o país para um regime autoritário. O governo promete anunciar medidas na segunda (26), mas tem pouca margem. Busca aprovar um ajuste fiscal no orçamento de 2027 para reduzir a dívida e o déficit públicos. A meta também é tranquilizar os mercados.

Serviço

Os protestos acontecem neste sábado (24), em várias cidades francesas, com 70 mil agentes nas ruas. Os museus Louvre, Orsay e Picasso permanecem fechados no dia. O governo deve anunciar as medidas de resposta às reivindicações na segunda (26).

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