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Fed mantém juros em 3,75% a 4% por 10 votos a 2, vê economia forte e não descarta altas

Cook e Hammack votaram por alta de 0,25 ponto; Warsh nega influência política, o PCE de setembro foi a 3,6% e o PIB americano do 3º trimestre cresceu 3,4%.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 5 min de leitura

Atualizada 29/10, 15:38 · O Departamento de Comércio dos EUA informou que a economia americana cresceu 3,4% anualizado no terceiro trimestre, puxada pelo consumo e pelo investimento em inteligência artificial, dado que a matéria não trazia.

Foto: Ouro volta a US$ 4.010 a onça com petróleo em queda; mercado espera o Fed
Foto: Dan Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve nesta quarta (28) os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,75% a 4%, decisão que o mercado já esperava. A votação foi de 10 a 2: Lisa Cook e Beth Hammack, integrantes do comitê, queriam elevar a taxa em 0,25 ponto percentual.

A decisão interessa a quem tem aplicação dolarizada ou ligada ao ouro. A direção dos juros americanos costuma ditar o preço do metal, do dólar e dos fundos com exposição internacional, e pode repercutir no câmbio, no crédito, no custo das importações e nos custos de financiamento no Brasil e no Rio Grande do Sul.

Fed mantém a taxa, vê economia forte e deixa aberta a porta para novas altas

No comunicado, o banco afirmou que a inflação continua elevada e passou a descrever a economia como "forte", ante "sólida" na reunião anterior. O texto aponta investimento robusto e emprego acompanhando o crescimento da força de trabalho, e diz que novas altas podem depender dos próximos dados. O comunicado não fecha a porta para um novo aperto, o que combina com os votos de Cook e Hammack.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que a economia não está aquecida demais e que a produtividade vem melhorando. Na leitura dele, o crescimento não é, por si só, o que agrava a inflação.

Ao comentar o placar dividido, Warsh afirmou que a política não teve papel na decisão do comitê.

A taxa estava nessa faixa depois da alta de 0,25 ponto percentual em setembro. Na sexta (23), os contratos futuros precificavam 90% de chance de manutenção.

Warsh também anunciou que, a partir de 2027, uma das reuniões anuais será dedicada à estratégia monetária, sem decisão de juros.

A pausa pode durar pouco. Antes da decisão, a ferramenta FedWatch, da CME, indicava 77% de chance de alta em dezembro. Os mercados precificam ao menos duas novas altas até meados de 2027, em meio à inflação elevada e ao conflito entre Estados Unidos e Irã, segundo a Reuters. As pressões vêm dos custos de energia e dos preços em setores além dos combustíveis.

Ouro volta a US$ 4.010 depois de semana ruim

O ouro à vista subiu 0,4% na segunda (26), para US$ 4.010,51 por onça, às 5h44 GMT. O metal havia tocado, na sessão anterior, o menor nível desde meados de julho, e fechou a semana passada com queda de 4%, a maior desde junho.

Petróleo mais barato dá alívio à inflação

O alívio veio do petróleo. O barril recuou na segunda, depois de chegar perto de máximas de seis meses na semana anterior, com a esperança de redução das hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Ataques dos houthis do Iêmen à Arábia Saudita mantêm o risco de oferta no radar.

A queda continuou na terça (27): o petróleo cedeu cerca de 1,7%, e o WTI, referência americana, fechou abaixo de US$ 100 por barril, segundo a Reuters.

Combustível menos caro reduz a pressão sobre os preços e, por tabela, sobre o Fed. Kyle Rodda, analista da Capital.com, avalia que o salto do ouro reflete esse alívio, mas pode ser contido à medida que o mercado se posiciona para a decisão do Fed.

Bolsas e juros longos sobem, dólar encosta na máxima de duas semanas e real recupera 1%

Depois do anúncio do Fed, os mercados globais e os índices de Wall Street avançaram. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de longo prazo também subiram, e o diferencial entre os papéis de dois e dez anos chegou a 34,1 pontos-base. A Reuters relata que os investidores seguem incertos sobre o ritmo do aperto monetário.

Na terça, as bolsas dos EUA já tinham fechado em alta, puxadas pelas empresas de tecnologia e pelo otimismo com investimentos em inteligência artificial. O Nasdaq ganhou 1,18%, o S&P 500 subiu 0,60% e o Dow Jones avançou 0,03%.

O dólar subiu pelo terceiro dia, e o real recuperou cerca de 1% depois de fortes perdas na sessão anterior. O índice do dólar, que mede a moeda americana frente a outras divisas, avançou 0,3% na terça e chegou ao maior nível desde 14 de outubro. Nesta quarta, antes da decisão, seguia perto dessa máxima. O euro era cotado a US$ 1,1129, e a libra, a US$ 1,3307, segundo a Reuters.

Economistas elevam projeção de inflação para 2027

Pesquisa da Reuters com mais de 500 economistas mostra revisão para cima das previsões de inflação de 2027 em 31 de 50 economias avaliadas. Energia cara e o risco de a alta de preços se espalhar para outros setores aparecem como as principais preocupações.

O quadro reforça a aposta de juros altos por mais tempo. Para o RS, o efeito passa pelo dólar, pelo custo do crédito e pelos preços das commodities que exportadores gaúchos vendem e consumidores pagam.

PCE de setembro vem em 3,6% e fica 1,6 ponto acima da meta do Fed

A inflação anual medida pelo PCE, indicador que o Fed acompanha de perto para sua meta de 2%, subiu a 3,6% em setembro, ante 3,4% em agosto, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. O dado saiu nesta quinta (29), um dia depois da decisão do comitê, e ficou no nível que os economistas projetavam.

No mês, os preços avançaram 0,5%, a maior alta desde maio. A AP atribui a pressão ao aumento de petróleo e combustíveis durante a guerra com o Irã.

O número reforça o argumento de quem defendeu a alta de juros na reunião e sustenta a aposta de mercado em novo aperto. Para o RS, juros americanos altos por mais tempo tendem a manter o dólar firme e o crédito mais caro, além de encarecer importados.

PIB americano cresce 3,4% no 3º trimestre, puxado por consumo e inteligência artificial

A economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, segundo o Departamento de Comércio. O consumo das famílias e o investimento em inteligência artificial impulsionaram o resultado, de acordo com a Associated Press.

O número chega com a inflação em alta e com o Fed segurando os juros em cerca de 3,9%, ponto médio da faixa atual. Crescimento forte com preços pressionados é o cenário que o comitê descreveu no comunicado, ao chamar a economia de "forte".

Atualização: entrou o crescimento de 3,4% anualizado do PIB americano no terceiro trimestre, divulgado pelo Departamento de Comércio, com consumo e investimento em inteligência artificial como motores. A linha fina foi ajustada para incluir o dado.

Saber mais: fontes consultadas (25)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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