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Fábricas de Bangladesh reabrem após protestos em 529 unidades; salário segue em disputa

Associação de exportadores diz que quase 1 milhão de trabalhadores foram afetados; conselho de seis integrantes não encerrou a tensão.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Atualizada 02/11, 03:17 · As fábricas de vestuário reabriram nesta segunda (2) e a associação de exportadores contabilizou 529 unidades e quase 1 milhão de trabalhadores afetados pelos protestos, enquanto o conselho salarial não encerrou a tensão.

Ariful Haque Chowdhury concede entrevista a jornalistas no Labour Welfare Centre, em Bandar, em 13 de outubro.
Foto: Press Information Department / Wikimedia Commons (Public domain)

As fábricas de vestuário de Bangladesh reabriram nesta segunda (2), um dia depois de protestos que atingiram 529 unidades e quase 1 milhão de trabalhadores, segundo a associação de exportadores do setor. O governo formou no domingo (1º) um conselho de seis integrantes para rever o salário mínimo da categoria, mas a medida não encerrou a tensão.

Bangladesh é um dos grandes fornecedores mundiais de roupas, e a paralisação mexe com uma cadeia que abastece marcas de vários países. A indústria de vestuário do país é a maior do mundo depois da chinesa e responde por cerca de 10% do PIB. O setor emprega cerca de 4 milhões de pessoas, gera mais de 80% das exportações de Bangladesh e fornece roupas a grandes marcas ocidentais.

O que pedem os trabalhadores

Os trabalhadores querem um mínimo mensal de 30 mil takas (cerca de US$ 242), mais que o dobro dos atuais 12.500 takas (US$ 101). Eles dizem que a alta dos custos de comida, moradia, transporte e saúde corroeu o poder de compra.

O conselho terá representantes do governo, dos trabalhadores e dos donos de fábricas, e deve definir o novo piso. O colegiado é presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman, e ABM Shamsuddin e Asif Ayub representam os empregadores. O representante dos trabalhadores Babul Akhter disse esperar que o conselho comece logo a funcionar.

O ministro do Trabalho, Ariful Haque Chowdhury, pediu que os empregados voltassem ao trabalho.

Gás lacrimogêneo em Daca e rodovia bloqueada

No domingo, em Daca, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar operários que bloqueavam um cruzamento movimentado. Centenas de trabalhadores também interditaram uma rodovia importante em Gazipur, na periferia da capital.

Os atos levaram os donos a fechar de 25 a 30 fábricas, segundo a Polícia Industrial de Gazipur.

No sábado (31), os protestos começaram em Ashulia, outro polo têxtil perto de Daca. Cerca de 30 fábricas declararam feriado, segundo a polícia industrial local, e os confrontos deixaram feridos, inclusive policiais.

O piso de 12.500 takas foi definido em 2023. Naquele ano, sindicatos recusaram o reajuste oferecido, e protestos de até 25.000 trabalhadores fecharam ao menos 100 fábricas fora de Daca.

Atualização: a matéria foi atualizada na segunda (2) com a reabertura das fábricas e o balanço da associação de exportadores, que contabiliza 529 unidades e quase 1 milhão de trabalhadores afetados pelos protestos.

Perguntas frequentes

O que mudou com a reabertura das fábricas?

As fábricas de vestuário reabriram nesta segunda (2), um dia depois de protestos que atingiram 529 unidades e quase 1 milhão de trabalhadores, segundo a associação de exportadores.

Quanto os trabalhadores pedem de salário mínimo?

Eles querem 30 mil takas por mês (cerca de US$ 242), mais que o dobro dos atuais 12.500 takas (US$ 101).

Quem faz parte do conselho que vai rever o salário?

O conselho tem seis integrantes, com representantes do governo, dos trabalhadores e dos donos de fábricas, presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman.

Por que o setor de vestuário é importante?

A indústria emprega cerca de 4 milhões de pessoas, gera mais de 80% das exportações de Bangladesh e fornece roupas a grandes marcas ocidentais.

Saber mais: fontes consultadas (6)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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