EUA dizem ter matado cinco em ataque a lancha suspeita de tráfico no Pacífico Oriental
O Comando Sul chamou os mortos de "narcoterroristas", mas não apresentou provas da carga nem identificou as vítimas; contagem da AP chega a 240 mortos em mais de 70 ataques.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) anunciou nesta terça (27) que a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental matou cinco pessoas em um ataque contra uma lancha rápida no Pacífico Oriental. O comando, que supervisiona as operações militares na América Latina e no Caribe, não informou a identidade das vítimas.
O episódio ocorreu longe do Brasil e não tem ligação informada com o Rio Grande do Sul. Até aqui, a versão do ataque vem do próprio comando militar americano.
O que o comando afirma
Em publicação na rede X, o SOUTHCOM disse que a força-tarefa executou um ataque letal contra uma lancha rápida que operava em rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental. O comando acrescentou que inteligência confirmada revelou o envolvimento ativo da embarcação no tráfico. O comando também divulgou imagens não sigilosas do ataque.
Os oficiais não tornaram pública a inteligência nem qualquer evidência de que o barco transportava drogas. O local exato do ataque também não foi informado.
Base legal e críticas
O governo do presidente Donald Trump sustenta que o país está em conflito armado com cartéis latino-americanos. Trump descreve os EUA como em conflito armado com os cartéis e defende os ataques como escalada para conter o fluxo de drogas e as overdoses fatais. O comunicado do SOUTHCOM sobre este ataque não cita base legal específica nem a autoridade que o autorizou.
Especialistas em direito e organizações de direitos humanos afirmam que os ataques podem configurar execuções extrajudiciais, porque atingem aparentes civis que não representam ameaça imediata aos EUA. Críticos lembram ainda que o fentanil ligado a muitas overdoses costuma entrar nos EUA por terra, vindo do México.
Balanço da campanha
A campanha começou em setembro de 2025. Segundo a Associated Press, o ataque desta terça eleva o total a pelo menos 240 mortos em mais de 70 ataques. As contagens variam conforme o levantamento. Pelo rastreador da ONG americana Washington Office on Latin America (WOLA), eram 238 mortos em 68 ataques antes deste, o que leva o total a 243. A AFP, por sua vez, contabiliza ao menos 235 mortos.
Nem todo ataque termina em morte. Em algumas ações anteriores, os militares retiraram as tripulações antes de afundar os barcos, sem vítimas. Em 23 de outubro, o SOUTHCOM informou que a Guarda Costeira interceptou uma embarcação suspeita e prendeu os ocupantes.
O inspetor-geral do Pentágono prepara uma avaliação da campanha. O órgão vai examinar o arcabouço de seleção de alvos, incluindo a intenção do comandante, mas não vai avaliar a legalidade dos ataques.
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