Estudo projeta 19,5 mil mortes por calor no Brasil até março com El Niño forte
Estimativa do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, é estatística e compara com a mortalidade de 1996 a 2005; o modelo não traz número para o RS.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

O Climate Impact Lab, centro de pesquisa ligado à Universidade de Chicago, projeta cerca de 19,5 mil mortes adicionais por calor no Brasil até março de 2027. O número vem do El Niño Heat Mortality Tracker, que estima cerca de 857 mil mortes no mundo, 373 mil delas nos próximos seis meses.
Para o período mais longo, de junho de 2026 a março de 2027, a estimativa para o Brasil sobe a 26,7 mil. As duas janelas são diferentes e os números não se somam.

O que o número significa
A ferramenta estima as mortes adicionais por calor durante o atual "Super El Niño", em comparação com a base de 1996 a 2005. Ou seja, é a diferença projetada entre o que o modelo espera e o que ocorreria em condições habituais.
Sobre o método, o laboratório usa pesquisa anterior (Carleton et al., 2022), que relaciona a temperatura diária à mortalidade por todas as causas e leva em conta clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação. Michael Greenstone, cofundador do laboratório e professor de Economia da Universidade de Chicago, diz que o trabalho busca responder onde o calor extremo tem mais chance de custar vidas.
A estimativa mudou em relação à divulgação anterior. O total projetado ficou bem acima do que o laboratório calculou em relatório de setembro de 2026, em parte porque março entrou na previsão. Segundo o laboratório, as mortes por calor do El Niño se concentram sobretudo no Sul Global.
E o Rio Grande do Sul?
O material técnico divulgado não traz estimativa para o RS, nem por município ou região. O número de 19,5 mil vale para o país inteiro.
O El Niño é o aquecimento acima do normal das águas do Pacífico equatorial, que altera a circulação da atmosfera. No Sul do Brasil, costuma estar associado a mais chuva na primavera e no início do verão, com risco de temporais e cheias. O efeito sobre a temperatura varia a cada episódio. Para o trimestre de novembro a janeiro, a cobertura de previsões aponta chuva acima da média na Região Sul.
Cuidados no calor
As orientações habituais de órgãos de saúde valem para dias quentes, com ou sem El Niño: beber água ao longo do dia, mesmo sem sede, e evitar esforço e exposição ao sol nas horas mais quentes. Atenção redobrada com idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas e quem trabalha ao ar livre. Em alerta de temporal, a Defesa Civil atende pelo telefone 199.
O laboratório atualiza o tracker uma vez por mês até o fim do evento. Os números e o mapa estão no site impactlab.org, na página do El Niño Heat Mortality Tracker.
Perguntas frequentes
O número de 19,5 mil mortes vale para o Rio Grande do Sul?
Não. O material técnico divulgado não traz estimativa para o RS, nem por município ou região; o número vale para o país inteiro.
Até quando vai a projeção de 19,5 mil mortes?
A janela citada é até março de 2027. Para o período de junho de 2026 a março de 2027, a estimativa para o Brasil sobe a 26,7 mil.
Com que frequência o laboratório atualiza os números?
Uma vez por mês até o fim do evento, e os números e o mapa estão no site impactlab.org.
Saber mais: fontes consultadas (2)
Do interior do RS
Grêmio recebe o Atlético-MG às 18h30 na Arena; EPTC prevê 57 mil torcedores

Caxias do Sul tem alerta amarelo do Inmet e chuva no fim de semana de Finados

Defesa Civil alerta para temporais com granizo no Oeste e Noroeste do RS neste domingo

Santiago: túmulo do Russo atrai devotos em Finados e guarda história de violência
