Estudo da USP vê renda do interior até 10,8% menor sem reajuste real de benefícios
Levantamento do Made-FEA/USP diz que aposentadorias, Bolsa Família e BPC sustentam o comércio de cerca de 4 mil cidades; só o Bolsa Família injetou R$ 352 milhões no RS em março.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 02:43 · 2 min de leitura

Cortes ou estagnação no valor de aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) podem causar retração severa na economia dos municípios do interior do Brasil, segundo levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, lançado nesta semana.
Nas cidades estudadas, esses benefícios chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres.
Para o RS, o recado vale para o comércio de cidades pequenas e médias, onde o benefício vira compra no mercado, na farmácia e na lancheria da esquina. O levantamento divulgado não detalha resultados para o Rio Grande do Sul.
O que o estudo calcula
Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas.
Nessas cidades, o peso das transferências públicas chega a ser o dobro do observado nos grandes centros urbanos. No Ceará, usado como exemplo, os benefícios respondem por 22% da renda agregada da capital e da região metropolitana e por 40% nas cidades do interior.
O estudo toma como base os anos de 2022 a 2025, quando houve ganho real para BPC e aposentadorias, e compara esse cenário ao de 2019 a 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e com congelamento total.
Sem os reajustes, a renda agregada do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com a valorização real dos benefícios.
Os cenários mais críticos seriam no interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, com queda de 17% a 18% na renda total.
A co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif, explica o mecanismo: o dinheiro "circula imediatamente no comércio local" , o que sustenta empregos e a arrecadação municipal. Ela também alerta para o efeito sobre a pobreza: "qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza" .
O Bolsa Família no RS
Os dados oficiais mais recentes do programa para o estado mostram a escala dos repasses. Em março, 519.749 famílias dos 497 municípios gaúchos receberam o Bolsa Família, com investimento federal acima de R$ 352 milhões.
O benefício médio ficou em R$ 684,31.
Porto Alegre concentra 75,4 mil famílias atendidas, seguida por Pelotas (19.427), Canoas (17.692), Viamão (15.926) e Gravataí (14.342).
Entre os municípios, Boa Vista das Missões, no norte do estado, tem o maior valor médio de benefício: R$ 803,01.
Saber mais
Leia também
Black Week Costa Doce 2026 será de 21 a 30 de novembro em Camaquã e região

Banrisul muda agência da Av. São Pedro para a Franklin Roosevelt em 2027

Ministro da Fazenda diz que fim da 6x1 pesa sobre minoria e prevê crédito às empresas

Dólar cai 0,28% a R$ 5,0728 e Ibovespa sobe 0,54%, aos 205.430 pontos

Mais lidas
1Noite do Arroz discute safra 2026/27 em Arroio Grande; RS semeou 36,83% da área2Inmet põe seis regiões do RS sob alerta amarelo de tempestade até as 23h593Usina de etanol de Porto Xavier, parada desde 2023, é comprada pela mineira G2x4Renato promove churrasco no CT e jogo-treino para unir o Grêmio antes do Cruzeiro5TSE mantém por 7 a 0 ordem que obriga Meta a tratar Lula e Flávio igual no 2º turno