Entidades dizem que combustíveis custariam até o dobro sem medidas do governo federal
A comparação do setor usa preço de refinaria e referência internacional, não o valor pago na bomba; a ANP divulga nesta segunda (9) o novo levantamento semanal.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

O presidente da Refina Brasil, Evaristo Pinheiro, e representantes da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) avaliam que gasolina e diesel custariam cerca de duas vezes mais. A conta considera um cenário sem a ação do governo federal contra o choque do petróleo. A estimativa é do setor e não é um cálculo oficial de preço ao consumidor.
Para quem abastece no Rio Grande do Sul, o efeito aparece na bomba e no frete. Segundo a Rádio Guaíba, com base na ANP, o litro do etanol custava R$ 4,55 em média no estado entre 25 e 31 de outubro. O diesel pesa no custo do transporte de cargas.

O que sustenta a conta do setor
Os números citados comparam preços de refinaria com referências do mercado internacional. O diesel da Petrobras estaria a R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 lá fora. Na gasolina, são R$ 3,80 contra cerca de R$ 7,00.
Esses valores não são o preço final. A conta não detalha custos de importação, mistura de biocombustíveis, tributos que continuam sendo cobrados, distribuição e margem dos postos. As entidades também não apresentaram a metodologia completa nem quanto cada medida pesou na contenção dos preços.
As medidas do governo e o custo
Em comunicado de 9 de outubro, o governo informou que um novo decreto zera os tributos federais sobre a importação e a comercialização de gasolina por 30 dias, com possibilidade de prorrogação. A redução total chega a R$ 0,89 por litro.
Para o diesel, os importadores de óleo diesel de uso rodoviário passaram a receber subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, por 30 dias. O valor se soma aos R$ 2,12 que já estavam em vigor. Somados, chegam a R$ 3,52 por litro para o diesel importado. O R$ 2,12 vale também para o produtor.
No etanol, o governo prorrogou a desoneração de R$ 0,19 por litro e elevou a subvenção a produtores e cooperativas de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro.
O custo fiscal informado pelo governo é de R$ 3,6 bilhões em 2026 para as medidas de gasolina e etanol. A subvenção adicional ao diesel importado custa R$ 1,6 bilhão a cada 30 dias. Os recursos vêm de receitas extraordinárias de petróleo da União.
O que esperar na bomba
O próprio governo trata o pacote como temporário. As ações são atualizadas periodicamente conforme o cenário externo e a volatilidade dos preços internacionais. Se o decreto da gasolina não for prorrogado, a carga de tributos federais volta a incidir sobre o litro, mas o governo não informou nova decisão. A estimativa de "dobro" vale para um cenário sem nenhuma dessas medidas.
Para acompanhar, o consumidor gaúcho pode comparar o preço entre postos da própria cidade, já que a diferença local costuma aparecer no levantamento semanal. O Ministério da Justiça elevou de R$ 14 milhões para R$ 500 milhões a multa máxima por preço abusivo em combustíveis. Denúncias podem ser feitas ao Procon do município.
Serviço: a ANP publica nesta segunda (9) o levantamento de preços de revenda de 1 a 7 de novembro, com gasolina, etanol e diesel por estado e município. A consulta é gratuita, na área de combustíveis do site gov.br/anp. A publicação é semanal.
Perguntas frequentes
Os combustíveis vão ficar mais caros sem as medidas do governo?
Segundo estimativa das entidades do setor, gasolina e diesel custariam cerca de duas vezes mais em um cenário sem a ação federal. Não se trata de cálculo oficial.
Quanto custava o etanol no Rio Grande do Sul?
O litro do etanol custava R$ 4,55 em média no estado entre 25 e 31 de outubro, segundo a ANP.
Quando a ANP divulga o novo levantamento de preços?
A ANP publica nesta segunda (9) o levantamento de revenda de 1 a 7 de novembro, com preços por estado e município.
As medidas do governo são permanentes?
Não. O governo trata o pacote como temporário, com a gasolina desonerada por 30 dias, possibilidade de prorrogação e nenhuma nova decisão anunciada até agora.
Saber mais: fontes consultadas (6)
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