Egito rejeita acordo marítimo da Líbia com a Turquia; Grécia, Israel e Chipre criticam
O parlamento do leste líbio aprovou por unanimidade, na terça (20), um memorando de 2019 que traça fronteiras no Mediterrâneo oriental.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O Egito rejeitou nesta quarta (21) a ratificação, pela Câmara dos Representantes do leste da Líbia, do acordo marítimo com a Turquia. O Ministério das Relações Exteriores egípcio afirmou, em comunicado, que o memorando é nulo e que a ratificação não terá efeito jurídico nem prejudica os direitos marítimos do Cairo.
A disputa fica longe do Rio Grande do Sul. Se escalar, pode mexer no preço da energia e no transporte marítimo, que pesam nas exportações gaúchas.
O que o Cairo alega
O Egito sustenta que o texto viola princípios do direito marítimo internacional e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, que rege a delimitação de zonas econômicas exclusivas e plataformas continentais. O Cairo diz que o memorando fere seus direitos soberanos nessas áreas e que a votação líbia não muda sua posição jurídica. O governo egípcio também afirma que se reserva o direito de proteger essas prerrogativas, mas não anunciou medida concreta.
O que foi aprovado
O memorando foi firmado em 2019, em Istambul, com o governo de Trípoli, então chefiado por Fayez al-Sarraj. A Câmara dos Representantes aprovou o texto por unanimidade na terça (20). A Turquia saudou a decisão e diz que o pacto protege direitos e interesses mútuos.
Grécia, Israel, Chipre e UE
A chancelaria grega disse que a votação não altera o caráter "ilegal, nulo e sem efeito" do acordo e argumentou que Turquia e Líbia não têm costas opostas ou adjacentes que sirvam de base legal para delimitar zonas marítimas. A Grécia informou o Conselho de Segurança da ONU e diz que adotará medidas para resguardar seus direitos.
Israel condenou a decisão e afirmou que o acordo fere direitos soberanos de aliados na região e que a Turquia age para desestabilizar o Mediterrâneo oriental. Chipre condenou a decisão. Em declaração conjunta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, lamentaram a ratificação e disseram que o acordo é nulo e não está em conformidade com o direito do mar.
O memorando e a questão de Chipre devem entrar na pauta de uma reunião entre a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e o chanceler turco, Hakan Fidan, segundo o porta-voz da Comissão Europeia, Christian Wigand, nesta quarta (21).
Saber mais
Leia também
Câmara de Porto Alegre aprova fim do limite de 60 m² para converter salas em moradia

Dino encerra ação sobre prazo de afastamento em Roraima e destrava decisão do TSE

Relatores da ONU cobram da Meta explicações sobre restrições a contas na eleição

TRE-RS distribui mais de 30 mil urnas a partir de sexta; capital recebe 70% no 1º dia

Mais lidas
1Real Time Big Data dá Flávio 52% a 48% sobre Lula; Alfa tem 51,5% a 48,5% no mesmo dia2Dólar fecha em queda de 0,58%, a R$ 5,0189; Ibovespa sobe 1,57%, aos 208.295 pontos3Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco4Demanda recorde em leilão japonês faz iene subir; dólar encerrou segunda a R$ 5,045Adolescente de 16 anos cai do 3º pavimento de shopping em Caxias e está em estado grave