Dólar fecha a R$ 5,5087, maior valor do ano, com payroll forte nos EUA e cautela fiscal
Moeda acumula alta de 10,33% desde 23 de outubro e pressiona importadores gaúchos de insumos, enquanto exportadores de soja, carnes e calçados faturam mais em reais.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O dólar à vista fechou nesta sexta-feira (6) a R$ 5,5087, alta de 0,37%, depois de o relatório de emprego dos Estados Unidos vir acima do esperado. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,5087, com alta de 0,37%, no mercado à vista. Foi a primeira vez em 2026 que o dólar encerrou uma sessão acima de R$ 5,50.
A alta mexe com os dois lados da economia gaúcha. Exportadores de soja, carnes e calçados recebem mais reais por dólar vendido. Importadores de insumos, máquinas, componentes e combustíveis pagam mais caro pelo que trazem de fora. Quanto disso chega ao preço final depende de contratos, estoques e proteção cambial de cada empresa.
Emprego dos EUA veio bem acima da projeção
O Bureau of Labor Statistics, órgão de estatísticas do trabalho dos EUA, informou que a economia americana criou 165 mil vagas fora do setor agrícola em outubro. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%. A média mensal dos 12 meses anteriores era de 48 mil postos.
A projeção de mercado era de 62 mil vagas.
Mercado passa a apostar em alta de juros nos EUA
O dado mudou a conversa sobre o Federal Reserve, o banco central americano. Antes, o debate era sobre quando haveria corte de juros. Agora, parte do mercado trabalha com aumento. Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirmou que o payroll elevou a precificação de uma nova alta de juros pelo Fed na reunião de dezembro.
Um economista do banco ING também espera alta em dezembro, mas duvida de novos aumentos no ano seguinte. Juros maiores nos EUA atraem capital para ativos em dólar e fortalecem a moeda frente ao real.
Contas públicas ampliam a pressão sobre o real
Do lado de cá, o câmbio carrega a cautela com as contas públicas. Desde o último pregão antes do segundo turno, em 23 de outubro, o dólar acumula valorização de 10,33%. O mercado tem dúvidas sobre a condução econômica e fiscal do próximo mandato e espera medidas concretas.
O presidente Lula afirmou, após reunião com a equipe econômica e economistas próximos ao PT, que entregará superávit primário em 2027. Disse ainda que eventuais ajustes não recairiam sobre os mais pobres. As medidas devem ser anunciadas depois da volta dele da COP31, a partir de 16 de novembro.
O que vem a seguir
O mercado fica de olho no anúncio das medidas fiscais, previsto para depois de 16 de novembro, e na reunião do Fed em dezembro. O dólar volta a ser negociado na segunda-feira (9), no horário normal do mercado à vista.
Perguntas frequentes
O que muda para quem importa insumos no RS?
Pagam mais caro pelo que trazem de fora, mas o impacto final depende de contratos, estoques e proteção cambial de cada empresa.
O que significa o dólar acima de R$ 5,50?
Foi a primeira vez em 2026 que a moeda encerrou uma sessão acima desse patamar, fechando a R$ 5,5087.
Quando o dólar volta a ser negociado?
Na segunda-feira (9), no horário normal do mercado à vista.
O que o mercado espera para as próximas semanas?
O anúncio das medidas fiscais, previsto para depois de 16 de novembro, e a reunião do Fed em dezembro.
Saber mais: fontes consultadas (4)
- Bureau of Labor Statistics (BLS), Employment Situation News Release, outubro de 2026
- Money Times, Dólar fecha no maior nível de 2026 com ajuda do payroll
- Monitor do Mercado, Dólar fecha acima de R$ 5,50 pela primeira vez em 2026
- Estadão Conteúdo via UOL Economia, Dólar atinge R$ 5,50 com emprego forte nos EUA e cautela fiscal
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