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Conhecer o estilo de aprendizagem ajuda, mas não basta, dizem especialistas

Motivação, rotina de estudos e conteúdo que faça sentido na vida do aluno pesam tanto quanto o jeito preferido de aprender, afirmam a professora da UniRitter Denise Ceroni e a educadora Mariana Bruno Chaves.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 02:55 · 3 min de leitura

Ilustração: estudante em ambiente de aprendizagem, produzida por inteligência artificial pelo Bairrista
Ilustração: Bairrista/IA

Saber se o aluno aprende melhor vendo, ouvindo, lendo ou fazendo ajuda professores e famílias, mas não resolve sozinho as dificuldades na escola. A avaliação é da psicopedagoga Denise Ceroni, professora de Pedagogia da UniRitter, em Porto Alegre, e da especialista em educação Mariana Bruno Chaves. As duas falaram à GZH, em reportagem publicada nesta sexta (16).

Para pais e professores, a conclusão prática é trocar a etiqueta pela observação. Em vez de decidir que o filho é "visual" ou "auditivo", Denise sugere olhar em que situações ele se interessa, presta atenção e consegue explicar o que aprendeu. Rotina de estudo e sentido do conteúdo entram na conta.

VARK divide as preferências em quatro grupos

Um dos modelos mais usados é o VARK, do pesquisador Neil Fleming. Ele divide as preferências em quatro grupos: visual (imagens, gráficos e vídeos), auditivo (palestras, debates e podcasts), leitura/escrita (textos, resumos e anotações) e cinestésico (prática, movimento e simulações). Há ainda o perfil multimodal, de quem combina duas ou mais preferências de forma equilibrada.

Segundo Denise, identificar essas preferências não significa rotular o estudante. O objetivo é entender em que situações ele consegue se relacionar melhor com o conhecimento.

Revisão de 2008 não achou evidência de que ensinar no estilo do aluno funcione

A ideia de adaptar o ensino ao estilo de cada aluno é antiga na educação e tem críticos na ciência. Em revisão crítica publicada em 2008, Harold Pashler e colegas concluíram que não há evidência adequada para justificar o uso de avaliações de estilos de aprendizagem na prática escolar.

O trabalho trata da hipótese de que a instrução rende mais quando é diagnosticada e ajustada à preferência de cada aluno.

O estudo não nega que as preferências existam, mas diz ter encontrado praticamente nenhuma evidência de que um método ajude quem tem um estilo e prejudique quem tem outro.

Nos experimentos bem desenhados, uma mesma técnica costuma ser a melhor para todos os grupos, ainda que alguns alunos não gostem dela.

Rotina, confiança e pequenas doses diárias

Para Mariana, aprender envolve também motivação, autoconfiança, atenção, concentração e uma rotina de estudos. Quando o aluno domina um conteúdo antes de avançar, percebe a própria evolução.

— Quando o aluno avança em passos seguros, sem lacunas de aprendizagem, ele percebe que é capaz. Isso aumenta a autoconfiança e faz com que ele enfrente os próximos desafios com menos medo — disse.

Ela defende estudar um pouco por dia, em vez de concentrar horas na véspera da prova. Mariana compara com treino de corrida: quem corre um pouco todo dia, depois de um ano, corre muito melhor.

Os médicos Vivian Duarte e Rafael Mazzuca fizeram disso hábito: matricularam os dois filhos, de 10 e 13 anos, num curso de inglês com ritmo individual. Os exercícios são diários, inclusive nos fins de semana. Um dos filhos avança mais rápido; o outro precisou retomar conteúdos. Segundo Rafael, a disciplina acaba levada para outras atividades.

Conteúdo precisa dialogar com a vida de hoje

Denise aponta outro erro comum: achar que basta descobrir se o estudante aprende vendo, ouvindo ou praticando. Para ela, o aluno precisa perceber por que o conteúdo faz sentido agora, e não só imaginar que será útil um dia.

A psicopedagoga relaciona o desinteresse de muitos adolescentes pela escola a conteúdos desconectados da realidade. Ela defende partir de exemplos do cotidiano, notícias, situações vividas pelos estudantes e temas das redes sociais, para só depois chegar às teorias.

A psicopedagogia também considera o corpo, a inteligência, o desejo de aprender e a afetividade. Crianças pequenas, por exemplo, aprendem pelo movimento, e exigir que fiquem imóveis por longos períodos ignora essa fase. Segundo Denise, pais e professores não criam o desejo de aprender no lugar da criança, mas podem oferecer boas experiências, desafios e escuta.

Para começar em casa ou na sala de aula, Denise sugere três perguntas: quando a criança demonstra mais interesse, em que tipo de atividade mantém a atenção por mais tempo e em quais situações explica com mais facilidade o que aprendeu.

Perguntas frequentes

O que é o modelo VARK?

Modelo do pesquisador Neil Fleming que divide as preferências de aprendizagem em quatro grupos: visual, auditivo, leitura/escrita e cinestésico. Há ainda o perfil multimodal, que combina duas ou mais preferências.

Adaptar o ensino ao estilo do aluno funciona?

Revisão crítica de 2008, de Harold Pashler e colegas, concluiu que não há evidência adequada para justificar o uso de avaliações de estilos de aprendizagem na prática escolar.

Como pais e professores podem descobrir como a criança aprende?

Denise Ceroni sugere observar quando a criança demonstra mais interesse, em que atividade mantém a atenção por mais tempo e em que situações explica com mais facilidade o que aprendeu.

Estudar um pouco por dia é melhor do que na véspera da prova?

Segundo a educadora Mariana Bruno Chaves, sim. Ela defende estudar um pouco por dia, em vez de concentrar horas na véspera, e compara com treino de corrida.

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