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CNBB define quem fala em seu nome um dia após carta de bispos com três gaúchos

A nota não cita o manifesto de 47 bispos contra a candidatura de Flávio Bolsonaro; os signatários do RS são de Santa Cruz do Sul, Rio Grande e Vacaria.

Por que afeta o RS: Três bispos gaúchos (dom Itacir Brassiani, dom Jose Mario Stroeher e dom Silvio Guterres Dutra) assinaram a carta criticada pela CNBB.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Bispo de Vacaria, um dos signatários gaúchos da carta de bispos sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Foto: Divulgação/Radiotapejara

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou na sexta-feira (23) uma nota oficial sobre quem pode falar em nome da entidade. A competência é da Assembleia Geral, do Conselho Permanente e da Presidência. O texto saiu um dia depois da divulgação de uma carta de bispos com críticas indiretas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A nota não menciona o manifesto.

Na versão inicial, com 47 nomes, três signatários eram gaúchos: dom Itacir Brassiani, bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul; dom José Mario Stroeher, bispo emérito de Rio Grande; e dom Silvio Guterres Dutra, bispo da Diocese de Vacaria. Nenhum deles lidera diocese da Região Metropolitana de Porto Alegre.

O que diz a nota da CNBB

O texto se apoia no Artigo 77 do Estatuto Canônico da entidade. As comissões episcopais podem se pronunciar sobre os temas de sua área, desde que de acordo com o Conselho Permanente. Os conselhos regionais também podem tratar de temas da sua região, sem contrariar as orientações nacionais da CNBB.

Na rotina da entidade, quem fala oficialmente pela Conferência é a Presidência. Nenhuma outra pessoa física ou jurídica tem habilitação canônica e cível para isso. A nota não cita a carta nem seus autores, e a CNBB não a apresentou como resposta ao manifesto.

Procurada sobre o assunto, a CNBB defendeu a democracia, o respeito ao resultado das urnas e o voto consciente no segundo turno.

O que diz a carta dos bispos

O documento é intitulado "Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026" e tem data de 22 de outubro. Os signatários afirmam que uma das candidaturas ameaça frontalmente pontos centrais da Doutrina Social da Igreja, a democracia, a soberania nacional e o bem comum. O texto não menciona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro, mas faz referências ao governo do pai de um dos concorrentes.

Os bispos escrevem "em comunhão com a CNBB", alinhados à mensagem do Conselho Permanente ao Povo Brasileiro, de 21 de outubro. A carta conclama os católicos a votar em 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos da Igreja.

A lista de assinaturas continuou crescendo depois do lançamento. Mais de 50 bispos já tinham assinado até a manhã de sexta (23). A carta fica aberta a adesões até este sábado (24). Nas versões atualizadas, também aparecem como gaúchos dom Frei Aloísio Alberto Dilli, bispo emérito de Santa Cruz do Sul, e dom Jorge Pierozan, bispo de Rio Grande.

Segundo turno é neste domingo

O segundo turno da eleição presidencial acontece neste domingo (25). O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) disputam a Presidência. A íntegra da nota da CNBB está publicada no site da entidade, em cnbb.org.br.

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